sábado, 25 de fevereiro de 2017

O tempo, o amor e a morte

Hoje vi dois filmes bem diferentes. Um sobre um pai que perde a filha de 6 anos para a doença. O outro, uma mulher que perde o pai dos seus dois filhos: assassinado.

A culpa vem sempre em primeiro. Ou porque não estava lá, ou porque devia ter sido eu, ou porque não me esforcei o suficiente. Enfim haverá sempre alguma razão para carregarmos a CULPA. 
Não há nada pior que esse sentimento: tolhe-nos a razão se é que ela consegue espreitar a superfície, tolhe-nos o amor e o tempo. Assume totalmente a direcção da nossa vida e enquanto o fizer a vida nunca mais é nossa. Porque em cima dessa evidência nenhuma outra lhe consegue tirar o lugar. Porquê? Porque nos cega e ensurdece. Porque a partir daí toma conta literalmente de nós: o que que fiz? O que podia ter feito? E se tivesse feito isto ou aquilo? Sim e porque não o fizeste?

Passas anos nisto achando sempre que tudo que corre mal é de alguma forma porque o mereces, mesmo que tudo isso te traga problemas para ti e para outros que amas e queres proteger mas, de alguma forma, tudo te ultrapassa e é avassalador, até que, começas sem muito bem saber porquê, a avançar com a vida, seja isso o que for.
E começas a sentir algo como a esperança de dias melhores, como a esperança de que afinal não és a culpada de tudo, que afinal não és assim uma pessoa tão má…
Começas até a sentir sensações, sentimentos que se tinham supostamente apagado na tua vida. Coisas com as quais crês já não conseguir lidar porque, tudo mudou… mas a realidade é que começas a sentir-te novamente mulher e não sabes como lidar com tudo isso. A última vez, eras nova e nem precisavas de pensar. Surgia tudo naturalmente. Agora parece um jogo que tu não queres jogar, cheio de regras e normas subliminares, que não consegues entender…

E o tempo passou… O amor talvez… a morte virá!

A certa altura na busca do homem por um sentido, percebemos que não há respostas. Quando se deparar com esta inevitável perceção ou você aceita ou você se mata. Ou simplesmente para de procurar.”

Os filmes que vi: Beleza colateral e Jackie