quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Chuvas e ventos

Chegou a casa e foi-se deitar. Esteve mais dois dias assim no “rosso”. Quase sem comer, só bebia água e coca-cola.

5ª feira levantou-se como todos os dias arranjou-se e foi trabalhar. Fiz-lhe uma festa mas não falou comigo todo esse tempo.

Andou mais ou menos normal durante uns dias. As nossas conversas eram muito brejeiras e curtas e básicas.
Não sabia como me conectar com ela de novo. Não reagia às minhas provocações e estava, diria, quase totalmente desligada. Fazia o que tinha que fazer.

Na manhã seguinte veio ter comigo disse-me que ia viajar por uns tempos…
“Por uns tempos? Isso é quanto? Uma semana, um mês, um ano?”
“O tempo que for necessário… Não há muito mais que te possa dizer. Desculpa Plutão. Pedi ao meu filho para ficar contigo e ele não se importa.”
“Não percebes que isso não funciona assim?”
“Plutão já decidi. Não quero ficar acomodada a esta vida estupida à espera de desaparecer. Ainda me sinto capaz e vou fazer algo com isso. Não espero que compreendas tu e os outros… sei que posso magoar mas as escolhas têm destas coisas. 

Não me sinto necessária e não vou mendigar por utilidade, fiabilidade etc.
Vou para onde precisam de mim e não me questionam.
Cansei da hipocrisia da democracia e liberdade. Cansei da minha própria hipocrisia. Destes lamentos, desta tristeza em que me afundo. E porquê? Porque queria mais, mas não melhor, se calhar um carro melhor, dinheiro para fazer férias, que já não me lembro quando foi a última vez…não contar os malditos tostões todos os santos meses.

E hipócrita porquê? Porque, e há Alepo, Somália, Nigéria, há aqui ao lado aquele desgraçado que faça frio, chuva, vento sol está todos os dias a fazer de conta que ajuda as pessoas a estacionar… Estou farta da “liberdade”, “democracia”, “igualdade”, “fraternidade”… estou farta de palavras vazias de sentido, conteúdo e de ação. Estou farta....

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Eisnstein








"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito"
Einstein.






segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Chuvas e ventos

No dia seguinte Alice não acordou cedo nem com Plutão a chamá-la. Quando finalmente abriu os olhos sussurrou que não se sentia bem e que estava cheia de frio. Devia estar com febre. Pediu a Plutão para ir buscar o termómetro. Ele foi.

Estava com 42 de febre. Plutão disse que era demais que devia ligar para o 112.
“Não eu vou tomar qualquer coisa e vou ficar melhor” Nem doente Alice deixava a teimosia.

Levantou-se cambaleante e foi à caixa de primeiros socorros. Retirou de la brufen e ben-u-ron. Arrastou-se até à cozinha e tomou um dos comprimidos. Voltou para a cama. Entretanto Plutão mandou uma mensagem a uma colega de trabalho de Alice dizendo que iria meter um atestado porque estava doente.

Quando voltou ao quarto Alice adormecera de novo.

Ela não estava mesmo bem. Nunca a tinha vista tao doente. Resolveu ligar o 112. Foi abrir a porta e voltou de novo para o quarto de Alice.

Quando os paramédicos chegaram e começaram a chamar Plutão miou, miou, miou até que eles percebessem que tinham que ir ter com o gato para ver o que se passava. E assim foi.

Mediram-lhe a temperatura mas ela estava um pouco confusa e ensonada. Levaram-na para o hospital.


Esteve 3 dias mas não conseguiram detetar o foco infecioso. Assim que começou a melhorar a febre a baixar deram-lhe alta. Marcaram-lhe uma consulta quase para daí a 6 meses…

domingo, 4 de dezembro de 2016

Chuvas e Ventos

Meu Deus, como se chega aqui tão depressa… de repente parece que temos a vida à nossa frente com tempo para planearmos, imaginarmos, pensarmos… afinal somos jovens e temos o tempo todo do mundo…

Sem pensar e sem perceber muito bem como isso aconteceu chegou aqui… E não há uma segunda oportunidade, nem como voltarmos atrás…

Que desespero!

Plutão olhava para ela com uma sobrancelha levantada.

“Que foi? Diz de uma vez.”

“Alice é sempre a mesma coisa bates com a mão no peito como se fosses uma coitadinha. Estou cansado de te dizer. Bate lá com a mão no peito fazes isso tantas vezes que deve resolver alguma coisa…finalizou com uma ponta de escárnio.

“E tu queres que pense nas guerras nas criancinhas com fome… em toda a miséria que grassa no mundo. Fica sabendo que penso e de que serve? Pensamentos não movem montanhas nem sonhos nem m**** nenhuma.” Gandhi, Kennedy, Martin Luther King, Indira Gandhi e aquele que eu adoro e respeito profundamente que mostrou ser um ser humano superior, e não estou a dizer perfeito, Nelson Mandela conseguiram o quê? Um momento! Olha à tua volta… Dá-me vómitos fazer parte disto… e não estou para levar com a tua moralidade! Deixa-me em paz”

“Certo sabichona. Solução: chorar, lamentar, e manteres tudo na mesma. Vou repetir o que já te tenho dito: és tu que tens que mudar. Se é mudar a forma como vês as coisas, a forma como te vês, a forma como sentes as coisas, a forma como te sentes, não interessa. Só tu podes mudar as coisas através de ti. Consegues perceber isso?”

Alice não respondeu… de imediato.

“Afinal donde és tu? E porque estás comigo?

Plutão revirou os olhos e saiu dali.