domingo, 13 de novembro de 2016

Chuvas e ventos

Não sabia bem que caminho seguir… resolveu ir a pé. Precisava de caminhar. Estava naquela idade fantástica em que havia todas as teorias e mais alguma para fazer de conta que se continuava jovem, saudável, ativa, proactiva, dinâmica e cheia de vida…
Foi caminhar. Plutão aconchegou-se no sofá e adormeceu.

Levava a câmara fotográfica, o ipod e claro o telemóvel…

Mais uma vez pensou quando é que lhe começaram a injetar a ideia romântica do amor e percebeu que foi ao longo de toda a vida, bem embora a realidade à volta dela não tivesse nada a ver com essas ideias. Mas no fundo ela e todas as mulheres na juventude acreditavam que com elas ia ser diferente.

A arrogância da juventude… mas não só. Ainda hoje, bem lá no fundo ela gostaria que isso lhe pudesse acontecer. Encontrar essa pessoa que a via para além de todos os obstáculos, que a ouvia quando falava, que não a julgava apesar de todos os defeitos, que a deixava chorar encostada ao seu peito sem fazer perguntas… ilusões… anos e anos de educação, de sociedade, de esperança…

Esteve casada 10 anos e foi o período mais solitário da sua vida. Sempre com a esperança que as coisas mudassem.


Agora passado 15 anos, continua só, mas já não solitária. Nunca soube como ultrapassar esse receio de estar novamente acompanhada mas só. Preferiu não arriscar, se bem que nem tivesse tido muito tempo para pensar nisso. Com um filho bebé e dificuldades financeiras não sobrava tempo para mais nada. 

Agora tinha também Plutão, aquele gato extraordinário, que era verdadeiramente uma companhia.







sábado, 5 de novembro de 2016

Chuvas e ventos

Chegaram a casa já tarde. Plutão foi para a cama dele. 
Alice abriu uma garrafa de vinho, sentou-se a fingir que via televisão e acabou por adormecer no sofá.

Acordou e viu as horas no telemóvel. Credo 9.30! Ficou furiosa num momento mas, logo a seguir, mandou mensagem a dizer que ia meter um dia de férias pois tinha tido uma noite terrível. Acabou de o fazer, poisou o telemóvel, virou-se para o outro lado e adormeceu.



Acordou com o telemóvel a vibrar, olhou e viu que era o filho.
- Sim?
- Não foste trabalhar? Está tudo bem?
- Sim porquê? Adormeci, ando cansada, e meti um dia de férias.
- Pronto. A chata da tua amiga Carmo pediu-me para saber se estavas bem, insistentemente. Não entendo a preocupação dela… às vezes acho que é fufa e tem uma paixoneta por ti.

Desata a rir.

-Não sejas obtuso Jaime. Não te eduquei assim. Está tudo bem. Beijos. 
E desligou o telemóvel.

Adormeceu, novamente. Quando acordou já o sol ia alto e o dia estava bonito. Percebia pela claridade que penetrava pelas frinchas da persiana.
Enrolou-se nos lençóis novamente. Não queria estar lúcida, nem lhe apetecia levantar-se… por outro lado os sonhos dela de tão estranhos deixavam-na cansada.

Deixou-se estar. De repente salta da cama. Chega.

-Vou dar um giro.

Detestava sair assim sem objetivos. Sair por sair de certeza que acabaria num shopping… 1º porque se fosse sem destino ia passar o tempo todo a pensar no que já estava farta de pensar… se fosse ao shopping ia passar o tempo todo a maldizer a porcaria dos preços e das coisas e as pessoas…