sábado, 24 de setembro de 2016

Chuvas e ventos

Plutão quando a sentia assim subia para o sofá e ficava ali juntinho a ela como quem diz: relaxa e descansa, eu estou aqui.
Este comportamento rapidamente se deteriorou. Começou a faltar dias seguidos, a chegar atrasada e o visual desleixado.
Alice sabia que estava a perder o controle. Resolveu meter férias durante um tempo. Tinha que parar pensar e retomar o controlo da sua vida.
Chegou a casa, atirou a carteira para o chão descalçou os sapatos tirou as calças e atirou-se para o sofá. Chorou como uma menininha, sem saber ao certo porquê. Plutão subiu para o sofá com cuidado para não ficar em cima dela.

-Tens que começar a deixar de ter pena de ti e a controlares novamente a tua vida.
Alice saltou do sofá e olhou para todo o lado para saber de onde vinha esta voz. Procurou em toda a casa mas não estava ninguém. A televisão estava desligada…
- Alice sou eu Plutão.
Alice achou que devia ser um sonho demasiado realista.
-Tu és um gato não falas. Estou a sonhar?
- Não Alice. Eu sou um gato especial ou melhor diferente. Sou uma espécie de pessoa em forma de gato.
- Eu não posso acreditar nisso. Estou a sonhar de certeza.
- Bom Alice enquanto que te refazes da surpresa, vou falando. Alice és uma mulher mais que adulta. Este teu tempo tem que se bem aproveitado. Tens tanta pena de ti porquê? Não é a coisa material. Querias algo que não tens? Sentes-te sozinha?

Alice estava calada.

- Fala Alice. Para que serve sentir se não falas?
- Já me julgaste, disseste que tenho pena de mim, que queres que fale se já sabes tudo?
- Achas que estou errado?
Alice virou a cabeça para a janela e permaneceu em silêncio.

Plutão levantou-se e saiu do sofá.

- Não propriamente. Às vezes acho que merecia uma vida menos complexa e complicada, menos cansativa.
- Alice não sejas ingénua. Tu e quantos mais?
- Achas que não sei isso? Eu sinto o que sinto. Os outros sentem o que sentem.

- Pelo menos sabes que não és só te que mereces. Tens que encontrar outro registo. Deixar de pensar em ti, nas negativas e valorizares as positivas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Chuvas e ventos

Este comportamento rapidamente se deteriorou. Começou a faltar dias seguidos, a chegar atrasada e o visual desleixado.
Alice sabia que estava a perder o controle. Resolveu meter férias durante um tempo. Tinha que parar pensar e retomar o controlo da sua vida.
Chegou a casa, atirou a carteira para o chão descalçou os sapatos tirou as calças e atirou-se para o sofá. Chorou como uma menininha, sem saber ao certo porquê. Plutão subiu para o sofá com cuidado para não ficar em cima dela.

-Tens que começar a deixar de ter pena de ti e a controlares novamente a tua vida.

Alice saltou do sofá e olhou para todo o lado para saber de onde vinha esta voz. Procurou em toda a casa mas não estava ninguém. A televisão estava desligada…

- Alice sou eu Plutão.
Alice achou que devia ser um sonho demasiado realista.
-Tu és um gato não falas. Estou a sonhar?
- Não Alice. Eu sou um gato especial ou melhor diferente. Sou uma espécie de pessoa em forma de gato.
- Eu não posso acreditar nisso. Estou a sonhar de certeza.
-Bom Alice enquanto te refazes da surpresa, vou falando. Alice és uma mulher mais que adulta. Este teu tempo tem que se bem aproveitado. Tens tanta pena de ti porquê? Não é a coisa material. Querias algo que não tens? Sentes-te sozinha?
Alice estava calada.
- Fala Alice. Para que serve sentir se não falas?
- Já me julgaste, disseste que tenho pena de mim, que queres que fale se já sabes tudo?
- Achas que estou errado?

Alice virou a cabeça para a janela e permaneceu em silêncio.
Plutão levantou-se e saiu do sofá.

- Não propriamente. Às vezes acho que merecia uma vida menos complexa e complicada, menos cansativa.
- Alice não sejas ingénua. Tu e quantos mais?
- Achas que não sei isso? Eu sinto o que sinto. Os outros sentem o que sentem.
- Pelo menos sabes que não és só te que mereces. Tens que encontrar outro registo. Deixar de pensar em ti, nas negativas e valorizares as positivas.
- A sério Plutão? Frases que são autênticos clichês podem me ajudar? Racionalmente sei isso tudo. Emocionalmente não sei como fazer. Tu sabes?

- Amanhã falamos melhor. Vai descansar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Chuvas e ventos

Era uma mulher bonita, inteligente, mas emocionalmente instável, insegura e de alguma forma com uma auto estima baixa. Embora a elogiassem com alguma frequência, as palavras que para ela eram profundamente importantes, pois eram também uma forma de comunicação muito importante e menos invasiva, quando estas se dirigiam à sua pessoa ela desvalorizava.

Adotou total e completamente o gato. Chamou-lhe de Platão. Adorou sempre a alegoria da caverna, ou melhor era completamente apaixonada por esse texto que diz praticamente tudo o que acontece na vida de cada um de nós ainda hoje. Mas isto são já deambulações.
Platão passou a ser a razão pela qual ir para casa era um objetivo e ao mesmo tempo uma necessidade.

Quando chegava, Platão vinha ter com ela, miava e enroscava-se nas suas pernas. Ela fazia–lhe festas e dava-lhe um biscoito que ele adorava.

No emprego começaram a estranhar o comportamento claramente diferente de Alice. Andava mais reservada, menos efusiva e mais concentrada no trabalho. Pensaram que seria uma fase. Fisicamente ela estava muito bem. Tinha até emagrecido um pouco. Alguns pensaram que se tinha apaixonado…
Contudo Alice dizia que não se passava nada e que estavam a fazer um bicho de sete cabeças.

Não lhe apetecia falar com ninguém e à noite com uns copitos de vinho e só lhe apetecia dormir. Por alguma razão que desconhecia começava a ser alérgica ao ser humano e à sua coscuvilhice natural. Claro que o vinho a punha a dormir rapidamente, mas também rapidamente acordava e tinha daquelas insónias brutais. Arranjou uns comprimidos que com o álcool a faziam dormir até mais que o que devia.



Plutão quando a sentia assim subia para o sofá e ficava ali juntinho a ela como quem diz: relaxa e descansa, eu estou aqui .