domingo, 10 de julho de 2016

Chuvas e ventos

Foi assim que ela se libertou de todas as amarras, compromissos e responsabilidades e recomeçou a viver. A sua profunda solidariedade e amor por aquela mulher que não teve a oportunidade que ela, Alice teve, eram enormes.

O que esta sociedade democrática, neoliberal, liberal, e mais que al, faz é subjugar, limitar, cercear o ser humano de responsabilidades para alimentar uns quantos numa máquina de corrupção e poder.

E elas, mulheres que pensaram no início do séc. 20 estar a lutar por direitos iguais e liberdade, estiveram a lutar pela ilusão desses direitos. Nunca uma mulher teve tanta responsabilidade como aquela que tem agora: ser mulher, profissional, mãe, esposa e filha. Tanta coisa, tanta dor e tanta culpa por não serem imensas, globais, totais.

Nesse dia não quis ir para casa. Não queria estar sozinha também. Telefonou a alguns amigos mas, era 4ª feira, tinham todos, as suas vidas para viverem.

Foi ao Aduela. Ia lá de vez em quando com as amigas mas só de dia. À noite também era interessante. Ainda bem que tinha chegado cedo. Sentou-se cá fora. A noite estava quente e a mesa estava estrategicamente situada.

Como um predador, sentou-se, munida do seu copo e esperou.

Ali estava ele. Acompanhado de várias pessoas. Interessante.

Alice sabia que o homem que ela desejasse era também desejado por outras
.

Era esse jogo hoje que lhe dava verdadeiro prazer. Eles escolherem-na sem se aperceber que tinha sido ela a escolhê-los.