domingo, 1 de maio de 2016

Diário de uma mal-amada

A Rosa, aquela amiga da Clara, veio-se encontrar connosco no café. Gosto muito dela. Boa onda e “super” divertida. Estávamos naquela conversa
“E então como vai isso? E o teu marido?”
Conversa vai, conversa vem e, às tantas, Alice pergunta
“Não sentes saudades dele?”
Clara olha para ela de sobrancelha levantada e responde
“Alice, são quase 50 anos. Achas que há saudades? Quer dizer, ele é boa pessoa mas, deixa-o estar onde está, de vez em quando matamos saudades.”
E faz um esgar de repulsa.
“E então? Isso não é bom?” Pergunta Alice
“Olha Alice eu vou-te explicar. Nesta altura eu só quero que me deixe em paz. Achas que depois deste tempo todo, ele sem dentes, só daqueles que se poem e tiram, com o peso da gravidade e com outras coisa que não interessam eu ainda tenho alguma atração, vontade de…? Não é assim. Se calhar dizes isso porque és solteira.
Olha vou-te contar um episódio. Aqui há tempos ele chegou à cama todo contente pronto para e... sem a dentadura. Só consegui exclamar “credo homem, já me tiraste a “tesão” toda. Quando quiseres alguma coisa vê se trazes os dentes." Para que é que lhe disse isso? Agora sempre que ele está cá e vou ao quarto de banho e vejo o copo dos dentes vazio, já sei… e, pior, tenho que me apressar não vá o homem engolir a dentadura.”
Estás a ver? Partimos-nos a rir. Essa imagem é brutal. E a forma como ela disse… é de ir às lágrimas.

Continuamos a conversar e a Clara diz-lhe