quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A vida

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” Lavoisier

E se transforma, mantendo se transformando, e se transformando mantendo.
Na verdade tudo se transforma mas, por momentos e tudo se mantém por momentos. A mudança é tão fugaz como permanente… parece contra senso? E é!
Nós somos contra senso ao longo da nossa jornada… por vezes apercebemo-nos, outras não. Como? Fator acaso…? Talvez…
Tantas reticências...

Eu não sei se é geral mas, a partir de uma certa idade (no meu caso os 50) deixamos de ter certezas (contrariamente ao que sempre ouvi). Para mim tudo passou a ter uma relevância… ou melhor, para mim, tudo deixou de ser relevante.

A consciência de que tudo passa depressa demais é brutal! É impossível que aquela frase que ouvi, tantas vezes e que não liguei nenhuma, de que o tempo é curto e que “A vida dura num momento, mais leve que o pensamento, a vida leva-a o vento, a vida é folha que cai!” é a mais pura das REALIDADES!
E então?
Então nada. Isso não muda nada. A minha vida continua exatamente igual.
Sim houve coisas que mudaram a minha vida. Tornaram-me: menos exigente, mais calma, sim, mais serena, mais paciente, mais tolerante… em algumas coisas, noutras, menos…
Mais sábia? Não! Curiosa? Não! Sou curiosa por natureza e agarro-me a isso para me manter à tona… para já…
O meu medo? O meu grande medo? Deixar-me ir, deixar de querer, deixar de me importar… desistir…
Isso vai acontecendo como um soluço entrecortado…
E nem sequer me arrepia muito… um pouco talvez.
E, apenas a esperança… que resta… de que, de repente, tudo deixe de ser pensado, analisado e, escamoteado… apenas deixe de ser…

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:

Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!

João de Deus