sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

The Rose

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

2016



A vida, em muitos momentos não faz sentido nenhum para mim. Mas depois há aqueles momentos em que nos rimos até doer a barriga e, não conseguimos conter as lágrimas que nos correm pela cara livremente, ou aqueles momentos em que num domingo frio e chuvoso a tua filha te pede para ir ver um filme com ela, ou aqueles momentos em que pela milionésima vez o teu pai conta ao teu filho histórias da sua vida e aí, percebes que não interessa nada se faz ou não sentido. O que realmente interessa é saboreares esses momentos, revivê-los um pouco mais tarde, para os poderes reter e “degustar”.
Se calhar porque os meus filhos têm idades diferentes e percursos de vida também, eu tento sempre de alguma maneira estar por dentro do universo de cada um deles. Provavelmente é uma tarefa (im)possível ou quiçá megalómana, mas a algum momento acreditei que ser mãe é sem dúvida das tarefas mais complexas, mais difíceis, mais avassaladoras, mais desgastantes de todas e no entanto é aquela que me faz seguir em frente, me faz levantar sempre que caio e me faz agarrar a vida nos momentos em que não faz sentido nenhum para mim. O tentar não me afastar desse universos que vão passando por mim à velocidade da luz e que se tornam parte do meu passado, sendo o presente dos meus filhos, para que possa melhor ser aquela que eles precisam, tem sido de alguma forma um objetivo.
Num momento percebi que ser mãe é ser amor. É o que eu sinto e acredito que não sou única. Que são esses seres que eu dei à luz e criei, que vou amar eterna e incondicionalmente, que são amor na sua verdadeira aceção!
Depois percebo que também sou, ainda, filha e que, por ironia ou não do destino, os meus pais estão, hoje, para mim como os meus filhos estiveram…
Eu estou numa posição algo estranha: vivo a velhice dos meus pais e infelizmente a sua dependência e, a autonomia dos meus filhos…
Sinto-me constantemente fustigada por emoções terríveis, más, dolorosas como tentar entender o que está a acontecer com os meus progenitores, que me traz de volta a questão de que nada disto faz sentido, e depois aquelas emoções estranhas, surpreendentes, alegres, fantásticas como o saber que vou ser vóvó. E, sem quase perceber, nasce em mim uma esperança de que neste outono da minha vida vou novamente viver a primavera. A esperança ainda tem espaço na minha vida e acreditar que vou ver de novo no olhar de uma criança, que vou amar com certeza, o seu amor por mim, faz-me perceber que a vida é extraordinária, desafiante e enigmática mas algo que temos que aceitar e aproveitar.
E então chego àquela conclusão lamechas e romântica, num certo sentido: o que me faz viver é o amor!
Sim, o amor é fundamental!
Sim, e isto é olhar pela minha vida e viver a minha vida.
Tantos momentos de dúvidas e tempos perdidos de que estivesse a viver uma vida que não era a minha…
Mas eu hoje sei que a estou a viver.
O amor pelos meus filhos, minha prioridade.
Mas também os amigos e família nas coisas boas e menos boas.
Nas pessoas com quem me tenho cruzado ao longo destas estações todas e que comigo têm partilhado pedaços seus.
Tudo isto tem feito de mim a pessoa que sou. Não sou perfeita, mas aprendi e cresci e serenei e aceitei.
E neste outono sinto que ainda tenho… muito para dar, para fazer, para viver.
O que eu desejo para 2016 é que a vida que é feita de utopias... se realizem!

  


domingo, 3 de janeiro de 2016

Ocaso... por acaso!

50 anos! Credo! Como pode ser? Meio século de vida? ….

A festa surpresa foi efetivamente surpresa!

Estavam lá quase todos aqueles que eu verdadeiramente gostava. Os que amava faltavam os meus dois filhos, um porque não queria estar o outro embora sabendo da festa, fez companhia ao que não queria estar. A sua presença era espiritual e intensa. Os meus pais, claro que, embora vivos, eram uma presença física complexa, daí não estarem presentes.
É inevitável fazermos um rewind, escamotearmos o caminho que percorremos até aqui. Tentar perceber o que fizemos de melhor, de pior, o que gostávamos de evitar, o que gostaríamos de ter realizado…

Avassalador!

De repente o telefone toca e, a realidade dá-nos um abanão que quase parece que fomos fulminados por um raio e todos os nossos membros disparam sem controle… em todas as direções.

É suposto sabermos tudo com meio século de existência… É!

Eu sei que “nada sei!”  Isso, cada vez mais, mas, também sei que me tornei capaz de perceber e aceitar as minhas limitações e os meus medos. Capaz de perceber que não faz mal o medo, a insegurança, a ansiedade… e acima de tudo a esperança que independentemente do tempo de existência ela é … provavelmente… eterna.