segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Na forja"





Eram 21.30h e Gorki ainda não tinha aparecido em casa de Mário. Carlos estava agitado.
Passava pouco das 22h quando se ouviu a campainha de casa.
Mário abre a porta. Alguns segundos depois Gorki aparece.

“Desculpe. Tive um imprevisto.”
“Os telemóveis servem para alguma coisa não?” Disse Carlos rispidamente.
“Bem, estás aqui. Vamos ao que interessa.”

Sentou-se à mesa e colocou a pen no computador. Aparece novamente o texto. Gorki senta-se e começa a ler.

“Isto é um tipo de agenda com datas, locais e materiais creio a serem descarregados e distribuídos.”
“Materiais? que tipo de materiais?” Perguntou Carlos
“Armas e drogas!” Disse Gorki. “Provavelmente de Vladimir Petrovich que era a quem Olana estava… digamos, agregada e neste momento é quem dirige o grupo russo.”
“A máfia queres dizer.” Mário afirmou. Gorki olhou para ele e acenou com a cabeça.

Tiveram ao longo da noite a traduzir o texto para português e a discutir algumas situações.

Quando chegaram à Unidade já passava das 14. Vinham ambos com grandes olheiras e um pouco desalinhados. Os colegas olharam para Mário e Carlos e sorriram.

“Noite difícil para os pombinhos?”

Gargalhada geral. Nenhum dos dois respondeu e cada um sentou-se na sua secretária. Fátima foi ter com Carlos e entregou-lhe um papel.

“Disse-me para verificar os clientes de Olana. Este destaca-se não só pelo número de visitas como também pelo número de telefonemas.”
Carlos pegou no papel e pouso-o em cima da secretária sem olhar para ele.

“Ok, obrigada!”

Carlos estava muito pensativo. Não fazia muito sentido nada disto. Tendo sido a máfia a matar Olana porque o tinham feito de forma a levá-los precisamente na sua direção? Não foi nada profissional.

domingo, 20 de setembro de 2015

"Na forja"

Eva teve finalmente alta e Carlos esperava por ela à porta do quarto.
Já tinham conversado sobre o lugar para onde ela iria. Carlos queria muito que ela fosse para a casa dele mas Eva disse que não.
“Já falei com a Madalena. Ela vai ficar em minha casa por uns tempos.”
Embora não achasse que seria a solução ideal Carlos acabou por anuir.
“De qualquer forma vai estar sempre um carro da polícia à tua porta. De vez em quando vão lá a casa ver como estás.Qualquer coisa vais ter o número deles e ligas se precisares. Não aceito de outra forma!”
Eva aceitou.

Mário e Carlos já se tinham encontrado com Górki. Ele sabia bem que era Olena. Sabia também que ela não tinha sido morta por ninguém do “grupo”, embora andassem com algumas suspeitas em relação a ela. Era demasiado curiosa, fazia muitas perguntas e era inteligente. No entanto só tinham tido cuidado de pôr a colega de quarto a vigiá-la. Quanto à pen e ao seu conteúdo não sabia de nada.
Carlos achou tudo muito estranho.
“Está-me a dizer que não foram vocês que a mataram? Nem foram vocês que atropelaram a única testemunha do caso? Foi tudo mera coincidência?”
Carlos estava furioso e pegou nele pelo colarinho e encostou-o à parede.
“Não sei que quer que lhe diga. Estou a dizer a verdade!” Gritou Gorki vermelho.
“Eu sei como o vou fazer falar.”
Mário interveio
“Calma Carlos. Eu conheço Gorki. Se ele diz que não sabe é porque é verdade”
Carlos olhou para Mário furibundo. Largou Gorki e afastou-se.
Passado alguns minutos Mário foi ter com Carlos “Amanhã às 21h Gorki vai a minha casa para ver o conteúdo da pen.”
“Achas boa ideia? Vai saber o que temos contra eles”
“Carlos, tu não sabes o que contém a pen. Pode não ser nada do que pensas.”
“Sei que é o suficiente para quererem matar Eva. Deve ser importante.”
“Bem se tens outra ideia diz.” Mário já começava a ficar farto do mau humor e irritabilidade do amigo.
Depois de alguns segundos de silêncio Carlos disse “Fazemos como disseste.”

Carlos chegou a casa de Eva carrancudo. Madalena veio abrir a porta.
“Olá Madalena. Como está Eva?”

“Está bem… dentro do possível” Carlos passou por ela e Madalena fez uma careta. No sofá da sala Eva estava com o comando da televisão na mão a fazer zapping. Olhou sobre o ombro e sorriu.




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

"Na forja"





“Pois… é fantástico mas a capacidade de recuperação é muita mais lenta e por vezes é emoção demais… mas pronto…”
Entretanto Madalena ainda ficou mais um tempo à conversa até que se foi embora e Eva ficou novamente sozinha.
Quinze minutos depois o telefone toca. Era Carlos a saber como ela estava. Falaram um pouco e desligaram. Eva acabou por adormecer.

Carlos e Mário estavam a vasculhar as pistas que tinham encontrado. Mário tinha um informador com quem iam falar sobre o grupo russo que atuava nas acompanhantes de luxo do qual fazia parte Olena.

“Então Rui. como vai isso?”
Rui tinha um ar vulgar, magro e pálido.
“Procuraste o que te pedi?” Rui acenou com a cabeça. Pegou na garrafa de cerveja que estava no balcão, deixou um papel em troca e saiu.
Mário pegou no papel, acabou de beber o café, pagou a despesa e saiu.
Cá fora Carlos esperava-o no carro.

“Então? Disse alguma coisa que interessasse?”
Mário entregou-lhe o papel

“Górki Volkov” 
Carlos olhou surpreso e interrogativo.
“É o nosso contacto. Se queremos algumas informações temos que falar com ele. O meu informador diz-me quando e onde. Para já podemos tentar saber mais alguma coisa sobre ele… Que dizes?”
“Parece-me bem. Vamos lá ver se conseguimos deslindar o que aqui se passa.”

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"Na forja"



Ainda teve que esperar um pouco pois Eva não conseguia parar de rir.

“Desculpa, Madalena, mas porque é que achas que umas cuequinhas sexis me podem animar? Eu não vou a lado nenhum. E maquilhagem? Sério?”

Madalena franziu o sobrolho chateada.

“Madalena eu agradeço-te muito. Não fiques chateada, quando muito valeu porque me fez rir e bem que estou a precisar. E… bem… tudo isso vai ser ótimo para quando eu sair daqui.” 
Compôs Eva. Realmente estava a ser parva com a amiga. Afinal ela só a queria ver mais animada.

“Bolas Eva, consegues desmoralizar-me e sabes que isso não é fácil.”

Eva pegou nas mãos da amiga e puxou-a para si abraçando-a.

“Tens razão. Obrigada por tudo e por seres minha amiga.”

Madalena fez um gesto como se estivesse a enxotar moscas

“Diz-me como conseguiste ter polícias à porta do teu quarto e ainda por cima tão jeitosos e novos…”


“Ah! Carlos acha que corro perigo e quer assegurar-se que nada de mal acontece.”

“Oh minha nossa! Alguma vez pensaste isto acontecer na tua idade? Não é formidável?”  E abraçou a amiga.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"Na forja"

À medida que o tempo passava, Eva ia-se sentindo com mais forças. Ao mesmo tempo procurava também rever os últimos acontecimentos da sua vida que a levaram até ali àquele lugar e àquele momento. Nunca imaginou que ela, uma pessoa normal, com uma vida regular de repente estivesse num mundo que ela só imaginava pelos filmes que via. Se por um lado era fantástico porque obviamente saía do seu lugar de conforto e experimentava novas sensações, numa altura da vida que parece mais uma curva descendente que outra coisa, por outro sentia que estava a pisar terreno movediço e a “curva descendente” podia acontecer mais depressa do que ela supunha. Sentou-se na cama, abanou a cabeça e ligou a televisão para deixar de pensamentos idiotas que em nada ajudavam.

“Olá doentinha.” Madalena com a sua fantástica boa disposição, entrou pelo quarto a dentro, trazendo alguns sacos.

“Então minha querida, como estás?”

“Vou ficando melhor todos os dias, não se nota?” Eva sorriu e olhou para os sacos.
 “Foste às compras?”

“Nota-se que estás melhor e sim fui. Precisas de algumas coisas para te animares e recuperares mais depressa.”

Madalena foi tirando dos sacos o conteúdo e descrevendo a sua utilidade para Eva.
Sem conseguir mais esconder a vontade de rir, Eva desata às gargalhadas.
Madalena olha para ela estupefacta e interrogativa sem perceber o que se estava a passar.


Inexpectável



“Devíamos deitar-nos vazios, abertos e sem exigências, como a praia - à espera de um presente do mar. “

Anne Morrow Lindbergh