sábado, 25 de julho de 2015

"Na forja"

Carlos estava a rever novamente o depoimento de algumas “colegas” de trabalho. Todas tinham referido que Olena Zabujko, assim se chamava o “corpo”, uma ucraniana de 23 anos, vivia sozinha. Era estranho uma vez que todas viviam com outra colega ou até com duas. Havia muitas discrepâncias nos depoimentos. Estas imigrantes normalmente tinham alguém por trás delas, normalmente um grupo de mafiosos, no entanto todas diziam que não havia ninguém e que só estavam cá a estudar. Se calhar era a única verdade dos depoimentos, todas estavam efetivamente a estudar.

Carlos chegou à porta do quarto de Eva e um médico e uma enfermeira estavam à volta dela. Eva parecia um pouco melhor. 

Olhou para Carlos e sorriu. Ele aproximou-se e segurou-lhe a mão.

“Então como te sentes? Como é que ela está, doutor?”

O médico sorriu e disse:

“O pior já passou. Ainda vai ficar aqui neste hotel 5 estrelas mais algum tempo, mas vai ficar bem.”

“Eu ia ter contigo porque encontrei uma pen na carteira quando encontrei o corpo e não era minha. Dei voltas à cabeça e pensei que só podia ser dela. Quando tropecei e caí em cima da mochila que tu dizes não existir e…”


Carlos pôs-lhe o dedo nos lábios.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

"Na forja"




Eva estava irreconhecível. Chegou-se junto da cama e agarrou-lhe a mão.

Eva não reagiu. Estava toda inchada, cheia de hematomas, com a cabeça ligada e um tubo a ajudá-la a respirar.

Levantou-se e saiu do hospital. Chegou à judiciária e foi ter com Mário.

“Mário tens mais alguma novidade para mim sobre o acidente de Eva?”

“Estamos a tentar descobrir o carro e o dono. Pedimos as imagens das câmaras de filmar à direção geral de viação. Devem estar a chegar”

“Assim que tenhas alguma coisa diz-me por favor” 

“Não te preocupes, direi. E tu o que vais fazer?”

“Continuar com o homicídio de que sabemos tão pouco. Tenho um pressentimento que este atropelamento está ligado.”

“Porquê?”

“Foi algo que Eva disse. Mas se eu souber de algo também te digo.” Olhou para o amigo e esboçou um sorriso triste. “Ao trabalho!”


Eva acordou. Doía-lhe o corpo todo, desde a ponta dos pés à ponta dos cabelos. Olhou à sua volta e soube que estava no hospital. Uma janela sem cortinas e um quarto assético, com mais uma cama vazia.

Fechou de novo os olhos e adormeceu.