sábado, 20 de junho de 2015

"Na forja"

Carlos chegou ofegante ao hospital. Foi ter com Mário e olhou para ele numa tentativa de ver esperança no seu olhar.

“Está viva, mas frágil. Calma Carlos.”

Mário viu que o colega e amigo estava como já não o via há muito, em sofrimento e pálido como um cadáver.

“Onde está?”

“Está com médicos e inconsciente. Não podemos ir lá, ainda, mas asseguraram-me que  estão a fazer o melhor, o possível e impossível para que Eva fique bem.”

Carlos deu duas voltas agarrado à cabeça.

“Que aconteceu? Tentaram matá-la?”

“Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões. Sabemos que foi atropelada e o condutor fugiu. Ficou gravemente ferida. Não sabemos se foi apenas um acidente ou algo premeditado. Aguardemos!” 

Mário foi perentório. Carlos sentou-se, claramente desesperado.

Havia uma agitação fora do vulgar no hospital. Pessoas corriam de um lado para o outro como se não soubessem muito bem o que fazer. Carlos levantou-se como se tivesse sido atingido por um raio. Agarrou a primeira pessoa que passou por ele.

“Que se passa?”

“Explodiu um edifício no centro e há muitos feridos e mortos”


Carlos respirou profundamente. Dirigiu-se ao quarto onde Eva se encontrava. Com a agitação não estava ninguém por perto. Entrou. Havia duas camas, uma estava vazia na outra Eva.


domingo, 14 de junho de 2015

"Na forja"

Eva preparou-se para sair.                                                       

“Eva, tens uma chamada.”

“Sabes quem é?” Perguntou surpreendida.

“Desculpa não se identificou, mas a voz era masculina…”

“Ok! Obrigada”

Dirigiu-se novamente para o seu gabinete. Levantou o auscultador.

“Estou?” Sem resposta. Insistiu mas continuou sem resposta.

Desligou, sentido um desconforto estranho e irracional. Pegou nas suas coisas e dirigiu-se à saída. O tempo estava péssimo. Chovia torrencialmente e estava muito frio. Correu em direção ao seu carro. De repente aparece um carro a alta velocidade e sem conseguir fugir Eva é colhida, sendo projetada a alguns metros de distância. O carro desaparece no meio da chuva. Eva jaz imóvel na estrada molhada. Ninguém se apercebeu do sucedido. Ainda não eram 16.30 e não havia praticamente ninguém no parque.

Carlos esperou 1 hora após aquela que tinham combinado. Já tinha ligado várias vezes para o telemóvel de Eva, mas ia sempre para a gravação de mensagens. Estava a ficar preocupado.

“Carlos?”

Era Mário o seu colega de trabalho com o qual ele partilhava quase tudo.

“Sim Mário, que se passa?”

“Estou no Santo António. É melhor vires cá ter comigo. Houve um acidente.”

“Mas com quem?” Um silêncio de segundos que lhe pareceram eternos e finalmente…


“Eva!”

domingo, 7 de junho de 2015

"Na forja"

Eva estava em casa a mudar de carteira. De repente apercebeu-se que estava alguma coisa presa no velcro da alça da carteira. Era uma pen. Não era dela. Que estranho…

Estava perplexa. Não fazia ideia de como tinha ficado presa à sua carteira. Sentou-se em cima da cama e tentou perceber como aquilo tinha chegado até ela.

Lembrou-se de repente que tinha aquela carteira no dia em que descobriu o corpo. Poder ter a ver com isso???? Estava deveras intrigada.

Não quis ver logo o que a pen continha pois podia infetar o seu pc com vírus. Ia à biblioteca assim que saísse do trabalho.

Introduziu a pen num computador e ela abriu. Eva viu que continha uma lista de nomes e mais alguma coisa mas tudo escrito em alfabeto cirílico.

 “Carlos?”

“Sim Eva, como estás?”

“Precisava de me encontrar contigo. Tenho algo que te quero mostrar e que creio que pode ser importante”

“Ok. Posso passar em tua casa daqui a 15 minutos?” 

“Daqui a uma hora se não te importares. Ainda demoro a chegar”


“Combinado!”

segunda-feira, 1 de junho de 2015

"Na forja"

Eva andava mais calada, mais séria. Ninguém lhe perguntava nada pois todos sabiam que se ela precisasse de falar fá-lo-ia.

Madalena achava que tinha o direito de questionar a amiga, não só porque se preocupava com ela mas também porque queria saber o que estava a acontecer na vida dela que a transtornava…

“Então vais-me contar o que se passa?” Eva fixou Madalena. 

“ Madalena” disse Eva em tom grave “Não me apetece falar sobre isso. Já sabes que quando sentir vontade falo.”

“Eva eu sei disso. Mas tu andas estranhas há algum tempo, mais calada, cada vez nos encontramos menos e isso preocupa-me. Sei que se passa algo… estás mais magra e andas mais triste, alguma coisa te preocupa… Eu sou tua amiga!”

Eva suspirou profundamente.

“Sim existe alguém na minha vida neste momento.” Madalena abriu a boca num sorriso sincero.

“Mas isso é fantástico! Porque andas triste então?”
“É complicado…”
“Claro que é! É sempre. Homens e mulheres nunca é simples, mas e daí?”

Eva sorriu e começou a contar a Madalena como tudo aconteceu.

Há medida que a história ia sendo relatada Madalena fazia todo o tipo de expressões mas acima de tudo um ar de pura incredulidade.

“Mas isso é extraordinário. Tens vivido tudo isso e não tens partilhado nada comigo… isso é mesmo muito egoísmo!” Abraçou a amiga e sorriu.

“Eva só tens mesmo que deixares rolar. Não temos idade para deixar passar ao lado estas emoções! Vive o momento!”