sábado, 30 de maio de 2015

"Na forja"







“Ahh… Estás cá…”

“Saíste da tua própria casa para não falarmos de manhã? Sério?”

Eva relaxou o corpo como se estivesse estado todo o dia a suportar um peso imenso. Suspirou e disse “ Não sabia o que fazer  e não me sentia confortável com o que aconteceu… sei que é um disparate… mas… é isso.”

“Porquê? Não gostaste? Eu achei fantástico… mas se calhar sou eu… O que te faz sentir dessa maneira?”

“Foi ótimo, claro. Mas foi impensado e tu és muito mais novo… e és o polícia que está a tratar de um caso em que sou testemunha… e é tudo ao mesmo tempo e muito rápido. É como se não tivesse controlo sobre a minha própria vida. E nesta altura já não estou habituada a isso. Sinto-me… frágil…”

Olhou para ele e corou ligeiramente.

“Ouve, fixas-te demasiado na idade e isso é só um número…”
“Uau que argumento tão cliché” E sorriu.
“Pode ser mas é bem verdade. Desde o iníco que me senti atraído por ti. Em nenhum momento pensei na idade.”
“Bom mas disfarçaste bem. Não me apercebi.”

Ele olhou para ela pegou-lhe nas mãos e disse “Eu não sei o que vai acontecer. Mas sei o que quero no momento e és tu. Somos duas pessoas sem compromissos porque não vivermos o momento?”

Eva ficou em silêncio durante alguns segundos a olhar para ele. Depois abraçou-o e beijou-o.

“Ok vamos viver o momento!”


No trabalho toda a gente, que a conhecia, notava a diferença.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

"Na forja"

Eva continuava à espera que Carlos se acalmasse.

De repente ele puxa-a e beija-a. Eva sentiu tudo a andar à roda. Quando a largou fixou-a. Eva corou. Não sabia muito bem como reagir.

“Desculpa mas estás irresistível. E coras como uma adolescente…” Sorriu.

“Não sei como estar irresistível é tão cómico… corei porque… sim” Baixou os olhos. Que coisa tão estranha.

“Estás toda despenteada e estavas tão compenetrada na descrição da mochila que parecias uma miúda. E acho que nem te apercebes do impacto que tens em mim!”

Eva apressou-se a arranjar o cabelo. Ele segurou-lhe as mãos. “Não faças nada. Estás óptima” Beijou-a novamente. Desta vez ela entregou-se.

Acordou e olhou para o telemóvel. Meio dia. Olhou para o lado e lá estava ele.

“Bolas. Tenho que ligar a dizer que estou doente…” Eva não sabia muito bem o que fazer. Foi tudo muito bom mas ele era mais novo e não estava disposta a estas ligações intempestivas fruto de imaturidades e irracionalidades. Acabava sempre por não saber lidar muito bem com estas situações. Mexiam com ela emocionalmente mesmo que não quisesse.

Levantou-se, arranjou-se e saiu.

Não lhe apetecia ir para sítios muito "populados". O dia estava mais ou menos. Nem muito sol, nem muito calor e um pouco enevoado. No entanto era dia da semana. Achou que se fosse até ao museu Teixeira Lopes podia encontrar alguma paz.

Olhou para o telemóvel. Carlos não lhe tinha ligado. Por um lado era estranho por outro era melhor assim. Quase 20 horas, estava cheia de fome. A esta hora já podia ir para casa descansada e comer qualquer coisa.


Abriu a porta e… Carlos sentado, vestido, no sofá a olhar para ela.




segunda-feira, 18 de maio de 2015

"Na forja"







Eva acordou toda molhada e ansiosa. Olhou para o relógio e eram apenas 4 horas. Sonhou com a mochila e lembrou-se dela em pormenor. Tinha que telefonar a Carlos.

“Eva? Está tudo bem?”

“Peço desculpa pelas horas, mas se não lhe ligasse podia esquecer-me de algum pormenor e não quero. Preciso de lhe descrever em pormenor a mochila. Lembrei-me perfeitamente.”

“Eva em 10 minutos estou aí em sua casa. É melhor fazermos isto pessoalmente.”

“Ok!”

Desligaram e 7 minutos depois Carlos estava a tocar à campainha do seu apartamento.

“Olá!” Entrou. Eva sentou-se e começou a descrever a mochila.

A meio da descrição Carlos desata a rir. Eva espantada olha para ele inquisidora.

“Qual é a piada!?” Carlos continuava a rir-se. Levanta a mão a pedir um momento e Eva enruga a testa e espera.


“Desculpe. Peço imensa desculpa…” Olha para ela sério e… desata a rir “Desculpa mas a tua cara…”

Eva começava a perder a paciência. Primeiro era de madrugada, estava acordada há já algum tempo; Segundo não compreendia a piada de coisa nenhuma; terceiro… não compreendia coisa nenhuma…

quarta-feira, 13 de maio de 2015

"Na forja"

Ainda assim… era preferível.

A investigação continuava a decorrer e Eva levava a vida consoante ela lhe permitia.

“Finalmente tens tempo para mim!” Madalena suspirou e olhou para Eva “Que se passa? Estás… escorregadia. Dá-me a sensação que quando me respondes… omites…”

“Omito? É para não me chamares mentirosa?” Eva olhou para a amiga com um ar… Madalena não conseguia perceber muito bem se estava chateada, se estava a gozar com ela ou… nem uma coisa nem outra.

“Que se passa na tua vida Eva?” Porque já não partilhas comigo? Sabes que eu respeito se não o fizeres, mas pelo menos diz-me que estás bem. Fico mais descansada…”

“Estou bem!” Madalena olhou para Eva incrédula. “Que foi? Disseste para o dizer… é verdade estou bem. Madalena estou bem. Passa-se algo na minha vida… mas que não quero partilhar… para já.”

“Ok! Respeito. Mas já sabes, quando quiseres conversar, sem julgamentos nem acusações conta comigo.” E sorriu.


“Eu sei e desculpa este meu mau momento. Eu sei que posso confiar em ti, mas preciso de algum tempo. Obrigada!”

segunda-feira, 11 de maio de 2015

"Na forja"

“Havia uma mochila junto ao corpo… mais ou menos. Eu lembro-me perfeitamente porque tropecei e caí em cima dela. Depreendi que lhe pertencia …”

Carlos já estava ao telefone a falar com alguém. Estava chateado e carrancudo. Desligou.

“Não temos nenhuma mochila. Nada foi encontrado. Tem a certeza Eva?”
“Absoluta… quer dizer… acho que era… mas no meio do medo… já não sei…”

Carlos acabou por acalmá-la e pediu-lhe para não falar do assunto a ninguém. E de agora em diante não falava com nenhum agente a não ser com ele.

Foi para casa. Quando entrou fechou tudo a 7 chaves. Estava a preparar algo para petiscar quando o telefone toca. Era Carlos. “Como está Eva?”

“Um pouco assustada.”

“Quero que esteja à vontade para me ligar em qualquer altura. Se não se sentir segura ligue-me. Este número é o meu particular”

“Obrigada. Se calhar vou fazer uso.”

“Esteja à vontade. Entretanto acalme-se Eva, não creio que corra perigo.”

“Pois… Boa noite e obrigada!”

No fundo, no fundo… bem lá no fundinho, havia uma parte dela que estava a adorar tudo isto. A vida dela dera uma volta de “500” graus, da rotina passou ao imprevisível. Por um lado era estimulante, por outro… havia o medo.





domingo, 3 de maio de 2015

"Na forja"

Lá estava ele. Assim que a viu levantou-se.

“Olá! Então que se passa? No que me meteram?” Perguntou apreensiva.

“Eva, tenha calma mas este caso não é simples e a Eva para o bem e para o mal foi a pessoa que encontrou o corpo.”

“Mas… o que quer dizer que não é um caso simples? Que se passa?”

“Eu não devo partilhar nada sobre uma investigação em curso. Portanto o que lhe vou dizer, que não é muito, fica entre nós. A pessoa que a Eva encontrou era uma acompanhante que se movia em altos círculos. O agente que a interrogou novamente como se apresentou? Consegue descrevê-lo?”

Eva descreveu o agente bem como deu o nome com que se apresentou e fez um apanhado das perguntas.

“Não estou a ver ninguém com esse perfil destacado nesta investigação mas vamos descobrir quem era. Lembra-se de algo que possa ter falhado no primeiro relatório? Qualquer coisa que possa ter passado por achar que não seria relevante ou que nem se quer tenha dado importância no momento?”

Eva olhava para Carlos fixamente como se tivesse desligado. “Eva?”

“Porque não a identificaram mais cedo? Demoraram tanto a identificá-la…”

“Não tínhamos como. Ela não tinha nada pessoal com ela.”

“Então a mochila não tinha nada dela?”


“Que mochila?”