sexta-feira, 24 de abril de 2015

"Na forja"

“Eu não percebo este assédio da polícia. Até parece que sou eu a assassina. Porque não me deixam em paz e vão procurar o verdadeiro culpado?”

“Eva? Calma! O que se passa?”

A voz grave e serena de Carlos fê-la parar. Respirou fundo.

“Hoje veio um colega seu ter comigo e quis que eu voltasse a contar tudo. Eu não sei nada. Só achei o corpo. Não percebo porque insistem que eu posso ter visto algo…”

“Eva, o agente identificou-se?”
“Sim…”
“Onde está?”
“Estou a sair do trabalho…”

“Se quiser posso ir aí ou podemos nos encontrar num sítio que lhe dê mais jeito…? Preciso de saber realmente o que falaram. Preciso também que me diga também o nome com que se identificou…”
“Mário Queirós. Podemos nos encontrar no “Vela Azul”…”
“Muito bem daqui a 15 minutos estou lá. Até lá”

“Certo” 

Eva ficou apreensiva. Percebeu que alguma coisa não estava muito bem na voz de Carlos e até ao momento nunca tinha sentido. Ele apesar de ser um pouco irritante dava-lhe sempre uma sensação de proteção e confiança.

domingo, 19 de abril de 2015

"Na forja"

Mais um erro ortográfico… jornalistas sem linguística de base… um erro clássico, deveria ser «há uma semana» mas vamos relativizar…

“…Sabe-se que foi um crime envolvendo um grupo que a polícia não divulgou ainda, bem como não fez ainda nenhuma declaração sobre o motivo. …”

Que estranho, pensou Eva. Achava que tinha sido um crime simples: assalto, crime passional, enfim clichés. Crime de grupo? Estranho. Mas provavelmente a polícia teria provas disso mesmo. Não percebia no entanto porque Carlos continuava a segui-la.

Voltou de novo para a sua vidinha.

Estava a dirigir-se para o seu carro quando é abordada por um homem.

“Eva Santos?” Olhou e viu que era relativamente novo, alto e bem constituído “Sim??”

 “Peço desculpa por a estar a incomodar, mas preciso de falar consigo” “E o senhor é quem?” 

Mostrou-lhe um cartão de identificação “Agente Mário Queirós. Precisava de falar consigo sobre o que observou quando encontrou o corpo.”
“Eu já disse tudo o que tinha a dizer ao seu colega e para ser franca, estou a ficar cansada de tanta pergunta. Se sabia que isto ia ser assim não me tinha preocupado, afinal estava morto e estava…”

Ele olhava-a assustadoramente sério e sem pestanejar disse “Compreendo, mas terá que responder novamente”
Achou tudo muito estranho mas como estava sozinha preferiu não levantar mais nenhuma objeção.


“Sim?” Carlos Marques, respondeu quando atendeu o telemóvel.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

"Na forja"

O dia estava fantástico. O céu azul e sol. Estava quente mas esteve tento frio que sabia tão bem… Dirigiu-se para o carro. Tirou as chaves do carro da carteira e… deixou-as cair.

“Olá!” Deu um salto e um pequeno grito. Olhou e reconheceu o detetive que lhe fez o interrogatório.
“Credo homem! Quer-me matar de susto?” Olhou-o nos olhos. Ele sorria meio divertido meio sério.
“Isto começa ser assédio… Que se passa agora? Começo a sentir-me mais como suspeita que como testemunha…”
“São todos suspeitos, até termos provas do contrário” Sorriu um pouco mais que o costume e ela pode ver uma dentição perfeita e branca. Pensou que se ele sorrisse e eventualmente se risse mais vezes até podia ser interessante.

“Pensei em convidá-la para tomar um café”
Olhou estupefacta.
“Mas… porquê? É costume convidar suspeitos de crime para tomar um café?” Perguntou
“Não! Só mesmo a Eva. É uma privilegiada!” Sorriu.

Eva não estava a perceber muito bem o que se estava a passar.

“Vai-me desculpar agente…” Ele interrompeu-a “Carlos é o meu nome” Eva olhou surpreendida “… mas já tenho um compromisso. Fica para outra vez, Carlos.” E sorriu.


Entrou no carro e foi-se embora. Viu-o pelo retrovisor imóvel a olhar. Até que era uma figura… mas também muito novo.

Comprou o jornal e viu uma notícia no canto direito que lhe despertou a atenção. «Polícia descobre novos indícios sobre o corpo descoberto  à uma semana no Parque da Cidade»

quinta-feira, 2 de abril de 2015

"Na forja"

“Fui até ao parque da cidade, passear e tirar algumas fotos. Quando pus a câmara a apontar  para uns arbustos apercebi-me que se via qualquer coisa que não fazia parte da paisagem. Fiz zoom e vi claramente uma perna. Ainda pensei que pudesse ser alguém a descansar, mas depressa tirei isso da ideia porque não era um bom sítio para o fazer. Confesso que fiquei curiosa e resolvi aproximar-me. Foi assim que descobri o corpo.”

Fixou-o. Nada. Completamente indiferente. Como podia uma pessoa ser tão inexpressiva?

“Disse também não fazer ideia de quem era, certo?”
 “Sim!” respondeu também indiferente. Estava saturada de ali estar a ouvir aquelas perguntas desinteressantes com aquela pessoa também ela desinteressante.

“Sabe que o crime ocorreu pouco antes de ter encontrado o corpo. Aliás o médico legista estipula que terá sido até uma hora antes.”
“Isso quer dizer que eu podia ter visto quem cometeu o crime…” Disse apreensiva.
“Exato”
“Se calhar podia até ter evitado semelhante desfecho…”
“Não nos vamos precipitar a tirar conclusões”

Respirou fundo.

“Vai-me desculpar mas estou cansada. Não o posso ajudar, pois como referiu eu não conheço a pessoa e não sei nada de nada. Apenas o encontrei. Quero ir embora”

Levantou-se e sem olhar para o polícia dirigiu-se para a porta. Sentiu-o a levantar-se.

“Eu sei que estas coisas não são agradáveis, pelo que peço desculpa, mas são necessárias”
“Claro” e abriu a porta. “Boa noite!”

Saiu sem olhar para trás. Até gostaria de saber alguma coisa sobre o que aconteceu mas com aquele polícia só ia conseguir aborrecimentos.


Voltou à sua vidinha. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Homens vs Mulheres

Relações entre homem e mulher.

A verdadeira incógnita… ou talvez não.

Na verdade aquilo que me parece comum é:
Os homens sentem-se atraídos. As mulheres apaixonam-se. Começam um relacionamento. Elas com a expetativa de se tornar algo mais. Eles sem nenhuma expetativa. Depois há aquela coisa social: se tivermos um relacionamento, equilibrado q.b., então sim somos aceites em todas as facetas das nossas vidas.
 Porquê?

Super fácil responder a esta pergunta: não somos uma ameaça para as nossas “companheiras de luta”; temos tanto a “perder” quanto elas; Somos as verdadeiras “bitchs” nesta história.
Não é fácil ser homem nesta coisa toda da emancipação da mulher. Não, não é! Ser mulher, heterossexual, é bem mais difícil.

Não sabemos a quem agradar nem como agradar. Sermos, cada uma de nós, apenas nós, parece não chegar. Temos que ir de encontro às expetativas deles consoante a idade; diálogo não existe, pelos vistos por nossa culpa: ou porque despendemos demasiado tempo connosco, com a família do nosso lado, com os nossos filhos, com o nosso trabalho, menos com eles.
Não que eles se sintam verdadeiramente mal pela “sopeira” em casa. Mas, eles precisam de alguém que lhes dê atenção. Afinal todos morremos. Temos que aproveitar…

Então a “Super Mulher” que assegura a casa, os filhos, a base da sua estabilidade e equilíbrio, quando ele chega a casa, está feia, desgastada, sem vontade de sexo pois, isso implica mais uma vez que tem que fazer o que ele gosta, diz sim, quando quer dizer não, e ele nem se quer se apercebe, ou se sim, claramente a culpa é dela, uma “frígida”… 

A outra. Igualzinha a nós quando começamos também o achávamos o máximo! Depois o tempo encarrega-se de nos dizer que não é assim. 
No entanto, quando sabemos que ele escolheu outra, é a ela que culpamos e... eventualmente nós. Eles? NUNCA! Faz parte de ser homem.
....
Não! Não é fácil... fica-nos sempre aquele sentimento e se....

Que vamos nós fazer? As  “Super-mulheres”? Nada! Nadinha! Apenas apanhando os cacos de uma relação improvável à partida  e dos seus resultados: os filhos!

Mas há esperança! 
Aqui e acolá já se vão encontrando mentalidades diferentes, homens e mulheres. Poucos, mas sim há esperança!