sábado, 26 de dezembro de 2015

Forever

A piece of a song



"...Those days are all gone now but one thing is true -When I look and I find I still love you.

You can't turn back the clock, you can't turn back the tide ain't that a shame?
I'd like to go back one time on a roller coaster ride
When life was just a game...
"


Queen




segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Christmas=Natal

Christmas wooooo….


I hate Christmas i really do!

Its so hypocrite… Come on, we will be happy at least once in a year… or pretend…
And we spend money, imagination, time, just to fulfil our ego, our stupidity, our ilusion of normality, watever it is.

I hate Christmas, i really do!

We spend money we don’t have, we forgot the misery, the atrocities, the war…. Just to pretend…
We pretend there is no pain, no poverty, no hungry, no angry, no sadness, We pretend there is a future and evolution…

I hate Christmas, i really do!

Its a time of pretense
That we are happy
We are free
We live in democracy
We are all equal
There is no pain
No misery
No sadness…

I hate Christmas, i really do!

I don’t believe in Saint Claus, not in the gifts, not for everyone…
I believe in Jesus! Yes i do!
Somewhere someone really give his life for something he believe! It was for a higher purpose:
The Human Kind!
I  believe in a lot of Jesus we don’t know and we don’t talk about…
I believe there are good people who do good things and nobody knows.
I believe we can change if we want. I believe each other can make the difference, so we just belive in it
For those who believe us i do, be prepare and do something!
I salut you!
  

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

"Na forja"




“Quem diria que afinal este homicídio se deveu a ciúmes e traição? O que começou por ser uma conspiração mafiosa acabou por ser um cliché!” 

Disse Eva. Carlos acenou com a cabeça com um certo constrangimento.

“Sim, as pistas induziram-nos num outro caminho. Mas Olana mais cedo ou mais tarde ia-se meter em trabalhos com a Máfia.”
“Tão nova e já com tantos problemas, coitada. Estas raparigas não têm uma vida fácil…”
“Pois…”

Olana foi morta pela mulher de Óscar Teixeira e Silva. 
Ele apaixonou-se e abriu o jogo com a mulher. Se aquela não tivesse tentado matar o marido provavelmente o caso não teria sido solucionado tão rapidamente. Olana também andava a compilar informação sobre os negócios da Máfia. Estava envolvida com um deles e era uma forma de garantia para as sua vidas. 
Óscar Teixeira e Silva, um CEO de 66 anos era apenas mais um cliente para Olana, embora pensasse que não. Estragou a vida dele, da mulher e de Olana.
O namorado de Olana andava atrás da pen. Segundo as suas declarações à polícia nunca teve intenção de matar Eva, mas a informação que a pen continha era muito importante e tinha-lhes dado muito trabalho compilar. O atropelamento foi um "lapso" de desespero, disse ele ainda.

Carlos e Eva estavam a jantar num restaurante aprazível a comemorar uma ano de relacionamento, quando toca o telemóvel.

“Sim?” Respondeu Carlos “Ok, já vou para aí.”




FIM

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Na Forja - Grande Finale





Amigos e Amigas

está a chegar ao fim esta história que tenho vindo a partilhar convosco.

Em breve, muito em breve o final estará aqui para se despedir.

Espero que tenham gostado tanto de ler como eu gostei de escrever.

Obrigada pelo vosso apoio.

Abraço


terça-feira, 6 de outubro de 2015

"Na forja"

Pegou no papel que Fátima lhe tinha dado. O nome chamou-lhe atenção. Óscar Teixeira e Silva, CEO de uma das maiores empresas multinacionais. Que faria um homem desta natureza com tanta intimidade com uma acompanhante de luxo? Foi pesquisá-lo.

Eva já estava sozinha em casa. Madalena tinha voltado para a dela. Era tempo de começarem a normalizar as rotinas, até porque em breve Eva voltava ao trabalho. O carro da polícia ainda se mantinha mas seria por pouco tempo, não havia orçamento para muito mais.
Carlos chegou a casa de Eva e atirou-se para o sofá.

“Desde que te conheço envelheceste 20 anos” Eva sorriu e continuou “Acho que tenho esse efeito nos homens. Vê lá se não é melhores afastares-te que eu sou perigosa.”
“Antes fosse tu a pores-me assim.” Carlos fez um sorriso malicioso.
“Então conta lá o que te está a consumir”
“Este caso está um bocado intrincado…”
“De certeza que já tiveste casos tão ou mais difíceis ao longo da tua vida profissional. Porque te sentes tão em baixo com este?”
“Por ti!”Disse Carlos perentóriamente.
“Não. Não podes fazer isso comigo nem contigo. Afinal sou mesmo eu que te envelheço.” Eva riu-se e continuou “Tens que manter o foco e a energia Carlos. Eu sei que te preocupas mas eu estou bem escudada…”

Eva abraçou-o e beijou-o. Passaram a noite juntos. Às 5 da manhã o telemóvel de Carlos toca.

“Sim?” Disse Carlos ensonado. “Ok, já vou para aí.”

Mário já lá estava.
“Então que aconteceu?”
“Aconteceu Óscar Teixeira e Silva.” Disse Mário e contou-lhe o sucedido.

Na sala de interrogatório encontrava-se uma mulher sofisticada à volta dos 60 anos. Quieta e com um olhar vazio. Ao lado dela o advogado.
Carlos e Mário entraram e começaram o interrogatório.


Graça Teixeira e Silva saiu da sala com algemas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Na forja"





Eram 21.30h e Gorki ainda não tinha aparecido em casa de Mário. Carlos estava agitado.
Passava pouco das 22h quando se ouviu a campainha de casa.
Mário abre a porta. Alguns segundos depois Gorki aparece.

“Desculpe. Tive um imprevisto.”
“Os telemóveis servem para alguma coisa não?” Disse Carlos rispidamente.
“Bem, estás aqui. Vamos ao que interessa.”

Sentou-se à mesa e colocou a pen no computador. Aparece novamente o texto. Gorki senta-se e começa a ler.

“Isto é um tipo de agenda com datas, locais e materiais creio a serem descarregados e distribuídos.”
“Materiais? que tipo de materiais?” Perguntou Carlos
“Armas e drogas!” Disse Gorki. “Provavelmente de Vladimir Petrovich que era a quem Olana estava… digamos, agregada e neste momento é quem dirige o grupo russo.”
“A máfia queres dizer.” Mário afirmou. Gorki olhou para ele e acenou com a cabeça.

Tiveram ao longo da noite a traduzir o texto para português e a discutir algumas situações.

Quando chegaram à Unidade já passava das 14. Vinham ambos com grandes olheiras e um pouco desalinhados. Os colegas olharam para Mário e Carlos e sorriram.

“Noite difícil para os pombinhos?”

Gargalhada geral. Nenhum dos dois respondeu e cada um sentou-se na sua secretária. Fátima foi ter com Carlos e entregou-lhe um papel.

“Disse-me para verificar os clientes de Olana. Este destaca-se não só pelo número de visitas como também pelo número de telefonemas.”
Carlos pegou no papel e pouso-o em cima da secretária sem olhar para ele.

“Ok, obrigada!”

Carlos estava muito pensativo. Não fazia muito sentido nada disto. Tendo sido a máfia a matar Olana porque o tinham feito de forma a levá-los precisamente na sua direção? Não foi nada profissional.

domingo, 20 de setembro de 2015

"Na forja"

Eva teve finalmente alta e Carlos esperava por ela à porta do quarto.
Já tinham conversado sobre o lugar para onde ela iria. Carlos queria muito que ela fosse para a casa dele mas Eva disse que não.
“Já falei com a Madalena. Ela vai ficar em minha casa por uns tempos.”
Embora não achasse que seria a solução ideal Carlos acabou por anuir.
“De qualquer forma vai estar sempre um carro da polícia à tua porta. De vez em quando vão lá a casa ver como estás.Qualquer coisa vais ter o número deles e ligas se precisares. Não aceito de outra forma!”
Eva aceitou.

Mário e Carlos já se tinham encontrado com Górki. Ele sabia bem que era Olena. Sabia também que ela não tinha sido morta por ninguém do “grupo”, embora andassem com algumas suspeitas em relação a ela. Era demasiado curiosa, fazia muitas perguntas e era inteligente. No entanto só tinham tido cuidado de pôr a colega de quarto a vigiá-la. Quanto à pen e ao seu conteúdo não sabia de nada.
Carlos achou tudo muito estranho.
“Está-me a dizer que não foram vocês que a mataram? Nem foram vocês que atropelaram a única testemunha do caso? Foi tudo mera coincidência?”
Carlos estava furioso e pegou nele pelo colarinho e encostou-o à parede.
“Não sei que quer que lhe diga. Estou a dizer a verdade!” Gritou Gorki vermelho.
“Eu sei como o vou fazer falar.”
Mário interveio
“Calma Carlos. Eu conheço Gorki. Se ele diz que não sabe é porque é verdade”
Carlos olhou para Mário furibundo. Largou Gorki e afastou-se.
Passado alguns minutos Mário foi ter com Carlos “Amanhã às 21h Gorki vai a minha casa para ver o conteúdo da pen.”
“Achas boa ideia? Vai saber o que temos contra eles”
“Carlos, tu não sabes o que contém a pen. Pode não ser nada do que pensas.”
“Sei que é o suficiente para quererem matar Eva. Deve ser importante.”
“Bem se tens outra ideia diz.” Mário já começava a ficar farto do mau humor e irritabilidade do amigo.
Depois de alguns segundos de silêncio Carlos disse “Fazemos como disseste.”

Carlos chegou a casa de Eva carrancudo. Madalena veio abrir a porta.
“Olá Madalena. Como está Eva?”

“Está bem… dentro do possível” Carlos passou por ela e Madalena fez uma careta. No sofá da sala Eva estava com o comando da televisão na mão a fazer zapping. Olhou sobre o ombro e sorriu.




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

"Na forja"





“Pois… é fantástico mas a capacidade de recuperação é muita mais lenta e por vezes é emoção demais… mas pronto…”
Entretanto Madalena ainda ficou mais um tempo à conversa até que se foi embora e Eva ficou novamente sozinha.
Quinze minutos depois o telefone toca. Era Carlos a saber como ela estava. Falaram um pouco e desligaram. Eva acabou por adormecer.

Carlos e Mário estavam a vasculhar as pistas que tinham encontrado. Mário tinha um informador com quem iam falar sobre o grupo russo que atuava nas acompanhantes de luxo do qual fazia parte Olena.

“Então Rui. como vai isso?”
Rui tinha um ar vulgar, magro e pálido.
“Procuraste o que te pedi?” Rui acenou com a cabeça. Pegou na garrafa de cerveja que estava no balcão, deixou um papel em troca e saiu.
Mário pegou no papel, acabou de beber o café, pagou a despesa e saiu.
Cá fora Carlos esperava-o no carro.

“Então? Disse alguma coisa que interessasse?”
Mário entregou-lhe o papel

“Górki Volkov” 
Carlos olhou surpreso e interrogativo.
“É o nosso contacto. Se queremos algumas informações temos que falar com ele. O meu informador diz-me quando e onde. Para já podemos tentar saber mais alguma coisa sobre ele… Que dizes?”
“Parece-me bem. Vamos lá ver se conseguimos deslindar o que aqui se passa.”

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"Na forja"



Ainda teve que esperar um pouco pois Eva não conseguia parar de rir.

“Desculpa, Madalena, mas porque é que achas que umas cuequinhas sexis me podem animar? Eu não vou a lado nenhum. E maquilhagem? Sério?”

Madalena franziu o sobrolho chateada.

“Madalena eu agradeço-te muito. Não fiques chateada, quando muito valeu porque me fez rir e bem que estou a precisar. E… bem… tudo isso vai ser ótimo para quando eu sair daqui.” 
Compôs Eva. Realmente estava a ser parva com a amiga. Afinal ela só a queria ver mais animada.

“Bolas Eva, consegues desmoralizar-me e sabes que isso não é fácil.”

Eva pegou nas mãos da amiga e puxou-a para si abraçando-a.

“Tens razão. Obrigada por tudo e por seres minha amiga.”

Madalena fez um gesto como se estivesse a enxotar moscas

“Diz-me como conseguiste ter polícias à porta do teu quarto e ainda por cima tão jeitosos e novos…”


“Ah! Carlos acha que corro perigo e quer assegurar-se que nada de mal acontece.”

“Oh minha nossa! Alguma vez pensaste isto acontecer na tua idade? Não é formidável?”  E abraçou a amiga.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"Na forja"

À medida que o tempo passava, Eva ia-se sentindo com mais forças. Ao mesmo tempo procurava também rever os últimos acontecimentos da sua vida que a levaram até ali àquele lugar e àquele momento. Nunca imaginou que ela, uma pessoa normal, com uma vida regular de repente estivesse num mundo que ela só imaginava pelos filmes que via. Se por um lado era fantástico porque obviamente saía do seu lugar de conforto e experimentava novas sensações, numa altura da vida que parece mais uma curva descendente que outra coisa, por outro sentia que estava a pisar terreno movediço e a “curva descendente” podia acontecer mais depressa do que ela supunha. Sentou-se na cama, abanou a cabeça e ligou a televisão para deixar de pensamentos idiotas que em nada ajudavam.

“Olá doentinha.” Madalena com a sua fantástica boa disposição, entrou pelo quarto a dentro, trazendo alguns sacos.

“Então minha querida, como estás?”

“Vou ficando melhor todos os dias, não se nota?” Eva sorriu e olhou para os sacos.
 “Foste às compras?”

“Nota-se que estás melhor e sim fui. Precisas de algumas coisas para te animares e recuperares mais depressa.”

Madalena foi tirando dos sacos o conteúdo e descrevendo a sua utilidade para Eva.
Sem conseguir mais esconder a vontade de rir, Eva desata às gargalhadas.
Madalena olha para ela estupefacta e interrogativa sem perceber o que se estava a passar.


Inexpectável



“Devíamos deitar-nos vazios, abertos e sem exigências, como a praia - à espera de um presente do mar. “

Anne Morrow Lindbergh



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

"Na forja"


“Como conseguiste?”

“Também tenho os meus conhecimentos.” E sorriu “Mas não foi fácil”

“Mário, precisamos de um tradutor de russo. Tu tens conhecimentos nesta área, certo?”

“Sim. Eu trato disso. Que estás a pensar? Máfia russa?”

“Pois não sei.” 
Puxou Mário para dentro de um gabinete e mostrou-lhe o conteúdo da pen.

“Isto para já vai só ficar entre nós Mário. Não sabemos em quem podemos confiar e há muita gente à venda, infelizmente.”

Mário estava estupefacto a olhar para o conteúdo da pen.

“Eu tenho o tradutor certo para isto. Deve-me uns favores e tem feito tudo para se integrar na nossa comunidade”

“Trata disso, mas depois ele vai a minha casa fazer a tradução.”

“Onde arranjaste isto Carlos? Não me digas que era a Eva que tinha esta pen?”

Carlos acenou com a cabeça.

“Foi por isto que foi atropelada? como é que ela tinha a pen?”

“Depois falamos sobre isso. Tem que estar um polícia a guardar o quarto do hospital onde está Eva, ainda corre perigo. Eles levaram-lhe a bolsa mas quando virem que não tem nada, voltarão.”

"Vou tratar disso."



sábado, 1 de agosto de 2015

"Na forja"




“Calma Eva. Vais ter tempo de me contar tudo. E eu nunca disse que a mochila não existia. Disse que nós não a encontramos. E a pen?”

“Na minha carteira…?”

“Não foi encontrada, Eva. Lamento, mas não te preocupes, vamos resolver isto.”

Eva ficou em silêncio pensativa e de repente uma luz iluminou o seu olhar.

“Não Carlos guardei-a no bolsinho das moedas das minhas calças. Procura, deve estar lá.”

Carlos pediu a roupa que ela trazia na altura em que deu entrada no hospital.
Lá estava a pen. Mínima muito fácil de perder.

“Já a encontrei Eva. Agora acalma-te, vê se descansas que mais logo passo por aqui.”
Deu-lhe um beijo na face e saiu.

Introduziu a pen no seu computador. Havia uma pasta que abriu e que continha vários ficheiros. Abriu o primeiro. Não conseguiu perceber nada. Estava tudo em alfabeto cirílico. Precisava de um tradutor fiável. Não sabia muito bem como ia fazer sem levantar suspeitas.

“Carlos estive a ver alguns clientes da Olena e é gente poderosa.”


Mostrou-lhe o papel que trazia. Carlos assobiou.

sábado, 25 de julho de 2015

"Na forja"

Carlos estava a rever novamente o depoimento de algumas “colegas” de trabalho. Todas tinham referido que Olena Zabujko, assim se chamava o “corpo”, uma ucraniana de 23 anos, vivia sozinha. Era estranho uma vez que todas viviam com outra colega ou até com duas. Havia muitas discrepâncias nos depoimentos. Estas imigrantes normalmente tinham alguém por trás delas, normalmente um grupo de mafiosos, no entanto todas diziam que não havia ninguém e que só estavam cá a estudar. Se calhar era a única verdade dos depoimentos, todas estavam efetivamente a estudar.

Carlos chegou à porta do quarto de Eva e um médico e uma enfermeira estavam à volta dela. Eva parecia um pouco melhor. 

Olhou para Carlos e sorriu. Ele aproximou-se e segurou-lhe a mão.

“Então como te sentes? Como é que ela está, doutor?”

O médico sorriu e disse:

“O pior já passou. Ainda vai ficar aqui neste hotel 5 estrelas mais algum tempo, mas vai ficar bem.”

“Eu ia ter contigo porque encontrei uma pen na carteira quando encontrei o corpo e não era minha. Dei voltas à cabeça e pensei que só podia ser dela. Quando tropecei e caí em cima da mochila que tu dizes não existir e…”


Carlos pôs-lhe o dedo nos lábios.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

"Na forja"




Eva estava irreconhecível. Chegou-se junto da cama e agarrou-lhe a mão.

Eva não reagiu. Estava toda inchada, cheia de hematomas, com a cabeça ligada e um tubo a ajudá-la a respirar.

Levantou-se e saiu do hospital. Chegou à judiciária e foi ter com Mário.

“Mário tens mais alguma novidade para mim sobre o acidente de Eva?”

“Estamos a tentar descobrir o carro e o dono. Pedimos as imagens das câmaras de filmar à direção geral de viação. Devem estar a chegar”

“Assim que tenhas alguma coisa diz-me por favor” 

“Não te preocupes, direi. E tu o que vais fazer?”

“Continuar com o homicídio de que sabemos tão pouco. Tenho um pressentimento que este atropelamento está ligado.”

“Porquê?”

“Foi algo que Eva disse. Mas se eu souber de algo também te digo.” Olhou para o amigo e esboçou um sorriso triste. “Ao trabalho!”


Eva acordou. Doía-lhe o corpo todo, desde a ponta dos pés à ponta dos cabelos. Olhou à sua volta e soube que estava no hospital. Uma janela sem cortinas e um quarto assético, com mais uma cama vazia.

Fechou de novo os olhos e adormeceu.

sábado, 20 de junho de 2015

"Na forja"

Carlos chegou ofegante ao hospital. Foi ter com Mário e olhou para ele numa tentativa de ver esperança no seu olhar.

“Está viva, mas frágil. Calma Carlos.”

Mário viu que o colega e amigo estava como já não o via há muito, em sofrimento e pálido como um cadáver.

“Onde está?”

“Está com médicos e inconsciente. Não podemos ir lá, ainda, mas asseguraram-me que  estão a fazer o melhor, o possível e impossível para que Eva fique bem.”

Carlos deu duas voltas agarrado à cabeça.

“Que aconteceu? Tentaram matá-la?”

“Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões. Sabemos que foi atropelada e o condutor fugiu. Ficou gravemente ferida. Não sabemos se foi apenas um acidente ou algo premeditado. Aguardemos!” 

Mário foi perentório. Carlos sentou-se, claramente desesperado.

Havia uma agitação fora do vulgar no hospital. Pessoas corriam de um lado para o outro como se não soubessem muito bem o que fazer. Carlos levantou-se como se tivesse sido atingido por um raio. Agarrou a primeira pessoa que passou por ele.

“Que se passa?”

“Explodiu um edifício no centro e há muitos feridos e mortos”


Carlos respirou profundamente. Dirigiu-se ao quarto onde Eva se encontrava. Com a agitação não estava ninguém por perto. Entrou. Havia duas camas, uma estava vazia na outra Eva.


domingo, 14 de junho de 2015

"Na forja"

Eva preparou-se para sair.                                                       

“Eva, tens uma chamada.”

“Sabes quem é?” Perguntou surpreendida.

“Desculpa não se identificou, mas a voz era masculina…”

“Ok! Obrigada”

Dirigiu-se novamente para o seu gabinete. Levantou o auscultador.

“Estou?” Sem resposta. Insistiu mas continuou sem resposta.

Desligou, sentido um desconforto estranho e irracional. Pegou nas suas coisas e dirigiu-se à saída. O tempo estava péssimo. Chovia torrencialmente e estava muito frio. Correu em direção ao seu carro. De repente aparece um carro a alta velocidade e sem conseguir fugir Eva é colhida, sendo projetada a alguns metros de distância. O carro desaparece no meio da chuva. Eva jaz imóvel na estrada molhada. Ninguém se apercebeu do sucedido. Ainda não eram 16.30 e não havia praticamente ninguém no parque.

Carlos esperou 1 hora após aquela que tinham combinado. Já tinha ligado várias vezes para o telemóvel de Eva, mas ia sempre para a gravação de mensagens. Estava a ficar preocupado.

“Carlos?”

Era Mário o seu colega de trabalho com o qual ele partilhava quase tudo.

“Sim Mário, que se passa?”

“Estou no Santo António. É melhor vires cá ter comigo. Houve um acidente.”

“Mas com quem?” Um silêncio de segundos que lhe pareceram eternos e finalmente…


“Eva!”

domingo, 7 de junho de 2015

"Na forja"

Eva estava em casa a mudar de carteira. De repente apercebeu-se que estava alguma coisa presa no velcro da alça da carteira. Era uma pen. Não era dela. Que estranho…

Estava perplexa. Não fazia ideia de como tinha ficado presa à sua carteira. Sentou-se em cima da cama e tentou perceber como aquilo tinha chegado até ela.

Lembrou-se de repente que tinha aquela carteira no dia em que descobriu o corpo. Poder ter a ver com isso???? Estava deveras intrigada.

Não quis ver logo o que a pen continha pois podia infetar o seu pc com vírus. Ia à biblioteca assim que saísse do trabalho.

Introduziu a pen num computador e ela abriu. Eva viu que continha uma lista de nomes e mais alguma coisa mas tudo escrito em alfabeto cirílico.

 “Carlos?”

“Sim Eva, como estás?”

“Precisava de me encontrar contigo. Tenho algo que te quero mostrar e que creio que pode ser importante”

“Ok. Posso passar em tua casa daqui a 15 minutos?” 

“Daqui a uma hora se não te importares. Ainda demoro a chegar”


“Combinado!”

segunda-feira, 1 de junho de 2015

"Na forja"

Eva andava mais calada, mais séria. Ninguém lhe perguntava nada pois todos sabiam que se ela precisasse de falar fá-lo-ia.

Madalena achava que tinha o direito de questionar a amiga, não só porque se preocupava com ela mas também porque queria saber o que estava a acontecer na vida dela que a transtornava…

“Então vais-me contar o que se passa?” Eva fixou Madalena. 

“ Madalena” disse Eva em tom grave “Não me apetece falar sobre isso. Já sabes que quando sentir vontade falo.”

“Eva eu sei disso. Mas tu andas estranhas há algum tempo, mais calada, cada vez nos encontramos menos e isso preocupa-me. Sei que se passa algo… estás mais magra e andas mais triste, alguma coisa te preocupa… Eu sou tua amiga!”

Eva suspirou profundamente.

“Sim existe alguém na minha vida neste momento.” Madalena abriu a boca num sorriso sincero.

“Mas isso é fantástico! Porque andas triste então?”
“É complicado…”
“Claro que é! É sempre. Homens e mulheres nunca é simples, mas e daí?”

Eva sorriu e começou a contar a Madalena como tudo aconteceu.

Há medida que a história ia sendo relatada Madalena fazia todo o tipo de expressões mas acima de tudo um ar de pura incredulidade.

“Mas isso é extraordinário. Tens vivido tudo isso e não tens partilhado nada comigo… isso é mesmo muito egoísmo!” Abraçou a amiga e sorriu.

“Eva só tens mesmo que deixares rolar. Não temos idade para deixar passar ao lado estas emoções! Vive o momento!”