terça-feira, 30 de setembro de 2014

Berny

Hoje acordei com a sensação melhor do mundo. Relaxada, vazia daquele cheio incómodo que abrange o nosso corpo e, pesa. Leve.

Mas há medida que penso no assunto algo me incomoda. Será que sou lésbica? Será que já não gosto de pêlos, músculos e pénis? Não! Penso nisso tudo e sinto desejo. Não entendo o que foi aquilo por um lado, pelo outro entendo porque me deixei levar pelo prazer sensual dos sentidos. Sim, o “império dos sentidos” tomou conta de mim.
Já me ligou e eu… não atendi. Não sei o que fazer e o que dizer. Encontro-me novamente com ela? Não? Que faço? E ouvir de novo a sua voz…

Olhei para o telemóvel a vibrar e o nome que aparece “Manel”. Não acredito. Está uma confusão a minha vida. Não atendi.

Refrescava-me no quarto de banho, quando senti as suas mãos macias. Era imparável, tinha uma sede de toques e contacto interminável. Eu não a conseguia acompanhar. Estava cansada e continuava confusa. Era excelente naquele momento em que me sentia profundamente carente. Fechava os olhos e imaginava o Manel a tocar-me com aquelas mãos macias e lábios quentes no interior das minhas coxas, enquanto as mãos me acareciavam os seios. Eu ia soltando gemidos de prazer intenso sempre imaginando o Manel ali comigo até ao momento em que subia e eu lhe sentia a cabeleira farta e comprida... ela sentia o meu estremecer, não de prazer mas de receio e, descia, descia como não tinha subido e, obrigava-me a esquecer quem era quem. 

"Tenho que ir". "Não vás! Dorme cá!". Olhei para ela, sorri. Nunca me passaria pela cabeça que aquela mulher pequena bonita de traços suaves e corpo delgado, fosse lésbica. E pensei em mim. Nem no mais recôndito canto do meu ser me imaginei naquela situação. Vesti-me e despedi-me.

Não tenho estado com ela. Tem-me ligado todos os dias. O Manel às vezes. Não quero estar com ninguém. Tenho que perceber o que quero e definir-me. Tenho usado demasiado as pessoas e tenho sido demasiado usada.

sábado, 20 de setembro de 2014

Berny

Conversa puxa conversa e criou-se logo uma grande empatia. Ela ia-me tocando suavemente. No braço, na perna, no rosto encontrando sempre uma razão para o fazer. Sem me aperceber comecei a querer que me tocasse mais e mais. Olhei para ela desesperada.

Levantou-se, despediu-se pelas duas, agarrou-me e fomos porta fora até ao carro dela. "Entra" disse. Entrei.

Beijou-me mal me sentei. Foi a sensação mais intensa e estranha que senti... prazer enorme, beijada pela primeira vez como sempre desejei e ninguém ainda tinha conseguido. Loucura, quando percebi que era uma mulher que me fazia sentir assim. Pânico, porque nunca me imaginei a poder gostar do toque de uma mulher...

Ligou o carro e fomos para casa dela.

Entramos no apartamento com as mãos dela a percorrer todas as partes do meu corpo. Sem violência, imprimindo sensações inimagináveis. Foi-me despindo devagar, beijando à medida que a minha pele ficava a descoberto e eu meia tonta pelo álcool e pelo sabor das carícias, deixei-me levar.


A boca dela colou na minha enquanto as mãos acariciavam os meus seios, cheios e excitados. Levou-me para a cama e desceu com a boca até ao infinito perdi a consciência e entrei no paraíso.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Berny

Tenho procurado encontrar algo que me preencha ao longo da vida. Quando digo "preencha" não é "limite" pois uma coisa não obsta outra, suponho eu, porque não a encontrei ainda. Mas limites sim, creio que é o que tenho encontrado constantemente. Duma forma ou de outra, as energias que me rodeiam tendem sempre a tentar conter-me, limitar-me... creio que tenho algo em mim de verdadeiramente irritante, não sei... parece que tudo que quero atingir está fora de prazo e faz confusão aos "pequenos planetas que fazem parte da minha constelação".
Esta relação é mais uma. É a prova de que atraio as estrelas mais decadentes e menos iluminadas para o meu núcleo, no entanto procuro insistentemente e continuamente.

Hoje quero amar sem amarras, sem culpa, sem medos e sem preconceitos. Aceita-me assim, como sou, respeita-me...por favor!

Sim foi isto que o afastou, por isso ontem fui ter com uns amigos e... voltei a cometer uma loucura, penso eu.


Encontramo-nos todos num bar. O ambiente estava sereno e acolhedor e eu, muito carente (pelo menos sentia uma grande necessidade de ser acarinhada, seja carência ou não...). Conhecia alguns, outros não. O ambiente foi começando a aquecer, a conversa boa e muita bebida. E sim comecei a relaxar. 

Ela sentou-se ao pé de mim. Apresentou-se e sorriu olhando fixamente para mim. Sorri. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Berny

Estava a sair de uma aula e lá estava ele à minha espera. Não me abordou de imediato pois eu estava acompanhada. Mas o encontro era inevitável. Aconteceu enquanto me dirigia para o carro. Chamou, chamou e eu ignorei e quando me estava a aproximar da porta para a abrir, sinto-me a ser puxada e ele, com uma voz irritada “Podias ao menos deixar-me explicar! Não me vires costas Berny, não, depois de tudo o que aconteceu.” Fiquei de frente para ele sem saber exactamente o que fazer, o que dizer… de olhos postos no chão.

“Berny?”

“Mentiste-me, usaste-me e, vais explicar o óbvio. Não Manel, não estou interessada. Não nasci para ser uma figurante na vida de ninguém! Neste momento preciso de tempo para lidar com tudo isto.” Abri a porta do carro e entrei.

Hoje foi um dia desgastante. Ando cansada, nervosa e triste. Nunca me devia ter envolvido numa relação… não assim.


Sinto que parte de mim deseja ardentemente sujeitar-se à sua vontade e deixar as coisas correrem sem querer saber das consequências. Não posso dizer que Manel é a minha alma gémea, porque a nossa “coisa” é muito física… a alma aqui, se calhar, nem existe… não sei… sei que ele me faz sentir de uma maneira que mais nenhum o fez até agora.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Berny

“honestamente? Como podes pronunciar essa palavra se não sabes o significado? Seria menos…? Isso dá-te o direito de omitires algo tão importante como isso?” Levantei-me verdadeiramente chocada com a revelação.

Pensei sempre que Manuel era diferente em muitos aspetos. Frontalidade e honestidade, fariam parte deles. E quando falo em honestidade, não é dizer, como muitos pensam:

“Bem aconteça o que acontecer, vamos ser sempre amigos e sabemos que isto não quer dizer nada!”

Brrrrrr. Detesto quem faz isto. Primeiro, porque estão a tentar limpar a sua imagem, dando uma falsa ideia de honestidade. Porquê? Porque uma mulher adulta se tem um caso tem um caso, não precisa de pseudo discursos e de pseudo honestidade. E depois ninguém, mas ninguém pode prever o que vai acontecer quando, duas pessoas se envolvem e finalmente, não se deve partir de pressupostos o que é, segundo a minha experiência, algo que os homens fazem facilmente. Claro que a minha opinião poderia levar a “discussões” sobre os pressupostos da mulher, os do homem, etc., etc. Mas como mulher, aqui o importante é não só a minha visão mas acima de tudo, a minha experiência.


Saí do restaurante e nessa noite fartei-me de chorar. Manuel ligou-me várias vezes, deixou mensagem mas, não me sentia capaz de ouvir de novo a sua voz. Deixei passar uns dias. Faltei a algumas aulas. Até que pensei que tinha que sair daquele estado, pois só me prejudicava a mim própria. Levantei cabeça, enxuguei as lágrimas e lá fui novamente às aulas.

Berny

Nas nossas noites, quase sempre optávamos por andar de táxi, embora ambos tivéssemos carro.

Apanhamos um táxi e fomos até ao hotel X. Foi simplesmente divinal. O quarto era maravilhoso moderno e minimalista, as luzes podiam-se regular de forma a ter a intensidade de luminosidade própria para cada tipo de ambiente. Mandou vir champanhe e morangos. Entretanto começou a beijar-me e a acariciar-me, primeiro o rosto, deslizou para o pescoço e finalmente passa a mão pelo meu seio. Quando me toucou aí soltei um gemido murmurado de prazer. Começamos a intensificar as carícias e eu fui também acariciando o seu corpo. Batem à porta, somos interrompidos num momento de intensidade profunda e essa interrupção criou-nos ainda mais desejo.

A química, a ligação, o que quiserem entre nós, é qualquer coisa indescritível.

A faculdade começou a ter para mim um duplo significado e uma dupla importância.
Estávamos a jantar no restaurante Segunda Casa em Matosinhos. Um restaurante muito acolhedor, com um serviço personalizado, agradável e discreto. Bastante animados, pois já estávamos na sobremesa quando ele “dispara” “Berny, tenho que te falar de algo que evitei mas, não o posso fazer mais.” Disse-o com um tom grave e dramático. Olhei para ele apreendida, sem saber exactamente o que viria a seguir. “Sou casado!” Estupefacta cravei os olhos nele sem conseguir articular nenhuma palavra.

“Eu sei que te devia ter contado logo mas honestamente nunca pensei que as coisas tomassem estas proporções. Seria algo menos…” 

Berny

Sábado, não tenho aulas. O meu telemóvel toca, olho e não reconheço o número. “Sim?” do outro lado ouço uma voz que me fez arrepiar dos cabelos aos pés “Olá!” era ele. Não respondia “Imagino que deves estar espantada, eu estou. Tive que vir à faculdade e pensei que podíamos tomar um… cappuccino. Ah! Desculpa fala Manuel Y”. Finalmente lá consegui pronunciar alguns sons “sim, ah… sim… claro… teria todo o gosto”. Marcámos então o local e lá nos encontramos. Foi o cappuccino mais fantástico que alguma vez tomei.

Depois desse encontro, ouve mais e mais até nos começarmos a envolver.

A primeira noite que passamos juntos foi… inesquecível. Nunca sabemos o que vamos encontrar quando pela primeira vez trocamos carícias íntimas com um homem. Na realidade, as primeiras vezes podem ser, quiçá constrangedoras, frustrantes e mesmo bastante más.

Com o Manuel, e confesso que nunca me tinha envolvido com um homem bastante mais velho do que eu, foi simplesmente cinematográfico. Se não tivesse sentido tudo diria que alguém retirou aquilo de um filme lamechas com cenas “erótico-românticas” e fez de conta que se passou com ela.


Tínhamos ido beber um copo e o nosso envolvimento físico era muito grande. Aquela noite tinha que ser a noite em que passávamos à cena seguinte. “Vamos embora” disse quase num sussurro mas assertivo. Não pediu, afirmou. Levantou-se puxou-me a mão, sem brutalidade, e foi pagar. Eu estava num estado de deslumbramento e excitação, desejava há muito, praticamente, desde que me beijou, que me levasse logo para a cama, embora por outro lado, tenha gostado que não o fizesse. Eu sei que parece complicado, mas é mesmo assim.

Berny

Estive alguns dias sem o ver e sem saber quem era. Curiosamente voltamo-nos a encontrar no mesmo bar num intervalo de uma aula.

Não referi que apesar de estar na faculdade me mantive a trabalhar, como aliás já não podia deixar de ser, uma vez que era uma mulher autónoma, independente e, com responsabilidades financeiras.

Como estava a dizer, encontramo-nos novamente no bar. Tinha pedido um cappuccino e ao virar-me entornei parte dele na pessoa que estava atrás de mim. Soltei um pequeno gemido de horror, e antes de olhar para a pessoa comecei a desfazer-me em mil desculpas e a tentar limpar alguma coisa no casaco dele. Fiquei paralisada, e corei logo de seguida quando ouvi aquela voz grave “pronto! Está tudo bem. É só roupa, vai à máquina e fica bem”. Olhei para cima e lá estava ele com aquele olhar poderoso e um sorriso maroto pertinho de mim. A empregada “despertou-me” daquele estado hipnótico quando exclamou “Prof. Manuel, é um café?” ao qual ele respondeu “Sim por favor, Maria”.


Eu afastei-me um pouco pois o bar era um local pequeno e estava atulhado. Ele foi servido e chegou-se para mim. Voltei a desfazer-me em desculpas e ele começou a rir-se e desviou a conversa. Fez-me perguntas – como me chamava, qual o curso etc., – de tal forma me envolveu que me esqueci que tinha uma aula. Acabei por ir só a uma hora.

Berny

A Faculdade.
Digamos que está a ser um percurso fluído; há altos e baixos. Quando acabei o liceu preferi conhecer o mercado de trabalho. Há pouco tempo resolvi que era o momento de dar um salto qualitativo. Concorri à Faculdade e cá estou eu.

Não sou das mais jovens evidentemente, mas tenho a idade certa para saber o que quero e como quero. Estou a meio ( estou lá, mas convém sempre dizer que estou a…) caminho dos "novos 20".

Talvez por isso é que a faculdade tem sido um "campus" de descoberta e conhecimento a todos os níveis.

Sim vou falar de uma relação que iniciei com alguém comprometido, porque agora vou aproveitar a vida. Não vou parar de descobrir e aprender.
Conhecemo-nos por acaso e sim,   é professor mas não meu, por enquanto.
Num dos dias em que tive que almoçar na faculdade fui ao bar comer qualquer coisa. Na fila, enorme, havia já muita gente e as mesas estavam todas ocupadas.

Finalmente, com o almoço na mão procurei avidamente um local para me sentar. Vi um lugar numa mesa de dois. A pessoa já não era um jovem, com cabelos grisalhos e sem ser bonita tinha qualquer coisa. Isto foi uma análise de segundos que verbalizada parece eterna. Corri e perguntei se me podia sentar, ele respondeu que sim sem praticamente olhar para mim. Pedi desculpa mas que realmente era o único lugar livre e, que seria rápida. Olhou finalmente para mim. Tinha um olhar intenso e algo "matreiro" há falta de melhor expressão... disse que não tinha importância numa voz grave mas suave e... quente. Sorri timidamente, um pouco constrangida pelo olhar que me fitava tão intensamente.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014


Berny voltará brevemente!
Ocorreu um erro de ordem técnica que será reparado o mais rapidamente possível!
Grata pela compreensão!



Berny back soon! 
An error of a technical nature has occurred and it will be repaired as soon as possible!
Grateful for the understanding!




Berny reviendra bientôt! 
Une erreur de nature technique eu lieu qui sera réparé dès que possible! 
Reconnaissants pour la compréhension!