quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Corrs and Bono


Keb' Mo'


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Berny

Às 4 da manhã acordei o Manel! 
“Que se passa?” disse num murmúrio. “Tens que ir embora!” Disse-lhe baixinho. Amanhã tenho um compromisso cedo. 

Olhou para mim com um olho aberto e outro fechado “E?” Quis parecer natural “Preciso que vás embora. Quero descansar…sozinha” 

Sentou-se na cama “Que se passa? Berny?” Que irritante... “Manel, quero descansar e dormir sozinha, pode ser? Não vamos discursar a esta hora…” 

Ele fixou.me estranhamente. Levantou-se, vestiu-se e antes de sair disse-me “Deixaste-me mal disposto. Obrigada.” 

Não reagi até ouvir a porta da rua bater. 
“uffffaaaa” Fiz um chá e adormeci.

Acordei tarde e bem-disposta. Já tinha uma chamada não atendida no telemóvel (tinha-o em silêncio) e um sms do Manel.



Fui tomar banho! Eram 14 horas e o dia estava esplêndido!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Berny

De volta à realidade!...

Dia um: trabalhar.

Dia dois: trabalhar.

Dia três… por ai fora.

Bom, a vida continuou na primeira semana sem grandes alterações. No fim de semana, recebo uma chamada do Manel.
“Olá forasteira! Como estás?”
Bem-disposto e esqueceu-se da nossa última conversa. 
“Olá Manel! Estou bem. Que posso fazer por ti?” Um silêncio de 2 segundos “Podes fazer tudo. Que tal jantarmos esta noite? Tenho saudades tuas.”

Às nove estava no restaurante como combinado. Entrei. Lá estava ele com o olhar fixo em mim e… sexy.
Sou uma fraca. Não resisto ao seu encanto… pelo menos enquanto não me consigo distrair com outra coisa…


Levantou-se e, claro, puxou a cadeira para me sentar. Sedutor, nos mais pequenos pormenores. Foi uma noite gloriosa! Boa conversa, bom vinho, muita sedução e a noite acabou no meu quarto.
É certo que o sexo é bom, mas quando juntamos um q.b. de sentimento, de cumplicidade e de amor, sim amor, o sexo é: DIVINAL! Com o Manel era assim. Se eu sabia que tinha que passar para outro plano, ainda me sentia frágil. 

Depois de Sean que foi delicious percebi que precisava de me afastar mais ainda. Afastar… cerebralmente… 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Anouk

Berny

Estava a passar uns dias em Punta del Este, mas, ao contrário de mim, em trabalho, disse. Era freelancer num jornal irlandês e estava a fazer uma investigação que não podia discutir comigo. 

Achei piada. Tão oportuno, o trabalho. Bom, falamos de muita coisa, não precisávamos de falar de trabalho, afinal eu ia embora daí a dois dias. Ele era um sedutor, com um sentido de humor fantástico. Por vezes pedia-lhe para falar mais devagar pois aquele sotaque tão carregado confundia-me. Ele sorria, e eu dizia-lhe que era como se estivesse a falar com espanhóis, ou eles falavam devagar ou eu não percebia nada.

Depois de um jantar delicioso e bem “regado” fomos dar uma volta. Quando chegamos ao hotel e à porta do meu quarto ele beijou-me. Não esperava outra coisa. Afinal estava ali para desligar dos problemas e divertir-me. Sendo um cliché é também o mais natural.

Os meus dois últimos dias foram passados dentro do quarto do hotel.

Despedi-me de Sean, era o seu nome, e voltei para Portugal. Curiosamente não fiquei com nenhum contacto, nem o nome do jornal onde era freelancer..


Ia ter saudades. Dois dias fantásticos, não só pelo sexo, mas por tudo. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Berny

O meu destino: Uruguai.

Instalei-me num hotel em Punta del Este. Lindo e calmo.
Seria aqui que iria limpar o meu disco rígido e instalar novo software, libertar-me de mim e renascer de mim.

Os dois primeiros dias foram calmos e serenos. Fui dando uns passeios para conhecer a cidade e as pessoas. Entregar-me a degustar vinhos e comida tradicional. Descansei muito. De tarde ia até à piscina levava um dos livros que trouxera para ler e normalmente, pouco depois, adormecia. Era a hora da sesta.

Hoje terceiro dia, estava deitada de costas junto da piscina a dormir. Mas a partir de um momento ouço alguém a falar demasiado perto e durante, o que me pareceu ser, uma eternidade. Parecia-me inglês, mas ao mesmo tempo não percebia nada. 

Acordei! Virei o rosto para o lado de onde vinha a voz e apercebi-me que estava alguém sentado na espreguiçadeira mesmo ao meu lado. O sol batia-me de frente e não conseguia ver a pessoa. Sabia que era homem.

Levantei-me e sentei-me de frente para a piscina. Ia chamar o empregado quando “Sorry i woke you up?” Olhei e vi um homem, jovem, 32 no máximo, e muito interessante. Um olhar direto e uns olhos lindos. “hummm… no, no i was only resting…” balbuciei meia apardalada. O sotaque não era “british” era, mais tarde soube, “irish”. 
Ele continuou a falar e encetamos uma conversa longa pela tarde fora e acabamos a jantar juntos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Berny

Levantei-me e saí!

Se por um lado esperava que ele viesse atrás de mim, por outro preferia que não o fizesse. Eu não sei como é com os outros, mas comigo há sempre duas fações de mim, a que quer e a que não quer…

Eu era uma mulher de muita sorte! Neste emaranhado de emoções, de sentimentos, de situações, ainda assim eu tinha a possibilidade de me abstrair. Tinha algum dinheiro. Resolvi hibernar durante uma semana fora do país, sem dizer a ninguém. Férias obviamente mas, simplesmente “para descansar” o que não era mentira nenhuma.

Queria estar só! Fazer uma “purificação”. Limpar-me, das más escolhas, dos erros… daquilo que me fazia desejar o que não podia ter…Queria tanto tornar-me uma pessoa “normal”… Ser capaz de me resignar àquilo que realmente sou: um ser humano igual a todos os outros. Mas um insano pensamento e credo dava-me esperança de que eu era um pouco mais do que isso. Mas não era pretensiosismo, nem nenhum complexo de narciso…

Ainda assim, tudo contrariava a minha fé. Todas os sinais me diziam que eu era apenas mais uma aqui e nada, nadinha, fazia de mim diferente. Como eu, havia milhares! Aiiiii!

Podíamos ter um botão off/on. Era tão mais fácil!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Voltar atrás...

Se o tempo pudesse voltar atrás…
Se pudesse de novo sentir o que já senti.
Um filho crescendo no meu ventre,
O seu coração batendo dentro de mim
Com força e muito ritmo…

Já cá fora,
O olhar delicioso com que me brindava
O sorriso sempre que me olhava
A força com que me agarrava...

Conforme crescia
O amor entre mim e ele crescia também
A cumplicidade, a proteção,
A dor de não ser perfeita
Para tornar a sua vida perfeita
… delírios de mãe…
A parceria, a “idolatria” a que me habituou
Durante um longo período do seu crescimento!
Era a mulher mais fantástica e maravilhosa na face da terra.

Hoje ele cresceu.
Eu sou aquele que mais o dececionei:
Não sou perfeita!
Se o tempo pudesse voltar atrás
Sentir o que já senti:
Um amor cheio!
Mas o tempo não volta atrás.
E hoje fica apenas a imperfeição
A desilusão, a tristeza…

O vazio, enorme, profundo e absurdamente doloroso.
Se o tempo pudesse voltar atrás…


(Três vezes)







sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Berny

Enfim e a discussão continuava noite fora.

Mas nada disto me ajuda a pensar claramente… Tenho que me concentrar para que a conversa que vou ter com Manel seja calma e serena… e definitiva.

Estou dividida. Se por um lado gosto bastante do Manel, por outro ter a mulher dele, agora que já me conhece, a fazer-me emboscadas não é de todo o percurso que quero para a minha vida.

“Olá!” Sentei-me. Sorri. Nem sei bem se devia ter sorrido, mas… isto não é fácil.
“Olá!” Disse e olhou dentro de mim. Senti um arrepio e quis enfiar-me num buraco. Seguiu-se um silêncio, de 2 segundos, constrangedor.

“Manel, penso que tudo o que dissermos será inútil. Não quero continuar neste registo. Não é saudável, pelo menos para mim.”
“Achas mesmo que não há nada para dizer?” Olhei para ele expectante “Não pões a hipótese de eu me separar?” Fiquei atónita.

“Não! Nem é isso que quero, não quero essa culpa. Pelos vistos não é a tua primeira vez e provavelmente não será a última. E por favor Manel não insultes a minha inteligência. Este cenário é um cliché bem como tudo o que for dito neste contexto. Quero uma vida diferente, mas não é esta. Sinceramente Manel não estava à espera que fizesses isto.”

“Isto o quê?” Perguntou ele, com uma ingenuidade que me começava a revoltar.


“Que resistisses ao inevitável. Tenho que ir. Desejo-te tudo de bom e por favor, não me procures, não me telefones. Deixa-me ser feliz. Adeus!”

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Berny

Obviamente não podia, ou melhor não devia culpabilizar exclusivamente o Manel pela situação. Eu sou adulta e a partir do momento em que soube e aceitei que ele era um homem comprometido mas deixei “rolar”, era cúmplice da situação.

Em boa verdade era até um cenário bem confortável se não tivesse sido descoberta.
Várias vezes, em saídas com amigos, esse assunto vinha “à baila”. A infidelidade, a monogamia, etc.
Debatia-me sempre com os preconceitos de uma educação religiosa, as regras sociais e aquilo que no fundo eu penso que é efetivamente a minha convicção.
Muitas vezes estávamos até altas horas da noite a discutir.

“Somos animais e não somos monogâmicos. Esta sociedade tenta ao máximo castrar-nos. Não é por acaso que há culturas, ainda, que um homem tem várias mulheres…” Mário sorriu porque já sabia que as mulheres se iriam insurgir com esta afirmação. “Se não sabes Mário também há culturas em que as mulheres têm mais que um homem…” Maria fez uma careta. “ Sim, sim, uma para aí. Lá está, é a exceção que confirma a regra!”

“Eu não sei se é nossa natureza ou não. Mas verdadeiramente isso não interessa” “Como não interessa?!” Rui olhou para mim inquisidor. “Também é nossa natureza matar, e fazer muitas outras coisas que não fazemos, porque se acredita que é no controlo da “nossa natureza” que reside a diferença entre nós, os Fantásticos, e os animais.” Apesar do ruído, pois todos queriam falar ao mesmo tempo, continuei “Quando queremos, achamos muito bem criar valores, regras, educação, etc., quando não nos interessa, estamos a  “castrar” a nossa natureza… Somos tão incongruentes, tão hipócritas.””Berny tens que admitir que as regras são necessárias e a educação também, senão seria a anarquia, o caos” Fiz um olhar perplexo enquanto fitava Mário. Sorri e disse “Caríssimo lá está, incongruência…” e pisquei-lhe o olho.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Berny

Fui tomar um banho. Demorei horas. Quando saí já estava mais calma… A raiva que sentia era por mim, só por mim, por ter sido tão estúpida para me deixar envolver nesta ridícula e “lugar-comum” novela…

Senti-me humilhada e vulgar.


Manel ligou-me várias vezes e eu não queria protelar algo que devia ser terminado sem mais demora, no entanto precisava ainda assim de me organizar internamente.
Tanto caminho percorrido, tanta estrada calcorreada, tantos cruzamentos, encruzilhadas, acidentes, quedas e ainda assim consegui meter-me na mais velha questão de todos os tempos no que diz respeito a relações: a infidelidade, a mentira, a omissão, a manipulação… Sim e vai continuar enquanto o homem for homem e a mulher mulher e estiverem completamente presos neste invólucro.

Mas eu era independente, não pretendia nenhuma relação dita tradicional, era inteligente e… nada disso importou. “Espalhei-me” completamente!

Bom, vamos lá terminar com as lamúrias e pôr um ponto final nesta história.

“Berny”
“Olá Manel, precisamos de conversar. Estás livre hoje às 19h?”
“Sim” A voz dele estava lenta e baixa.

“Podemo-nos encontrar no “Ritos” a essa hora?”

“Sim, combinado”

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Berny

Manel tinha mais 10 anos do que eu. Os mais novos já me achavam muito velha. Gostavam delas mais novinhas para aumentar a sua virilidade. Devia ser por questões “hormonais masculinas”. Provavelmente o Manel também… Eu gostava mesmo de desafios. Já tinha perdido a esperança em ser mãe, esposa, enfim ter uma família.

Estava eu (mais uma vez) no bar a rever alguns apontamentos e de repente “Berny?” Olhei e vi uma mulher madura, bonita mas… digamos normal. “Sim???” Sentou-se. “ Sou a mulher do Manel, Patrícia!” Fiquei perplexa a olhar para ela. Não sabia muito bem o que responder… “Já estou habituada aos “casos” do Manel. É professor e teve alguns. Eu sou o denominador comum. É para mim que volta sempre. Para mim e para o filho.”

Se houve algum momento em que me quis tornar invisível foi naquele momento. Por leves segundos.


“Patrícia certo? Eu não a conheço e parece saber mais de mim que eu de si. É sem dúvida uma situação constrangedora, mas creio que se tem assuntos por resolver com o Manel é com ele que deve falar.” Pequei nas minhas coisas, levantei-me e disse “Com licença, tenho trabalho para fazer”. Ela ainda disse um pouco alto “Vocês julgam todas que são muito boas, coitadas!”

Fiquei em estado de choque. Nem sei bem porquê. Sendo ele comprometido…
Cheguei a casa pousei a carteira, as chaves e fui à cozinha beber um copo de água. Acabei de o beber e fiquei parada, completamente paralisada a olhar para a parede da cozinha. De repente dei um grito e atiro o copo que se estilhaça contra a parede. Atiro com mais umas coisas e desato a chorar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Berny

Fiquei espantada. Ele tinha feito uma declaração de amor. Uma declaração de amor à minha pessoa.

Devia estar com uma tal cara de idiota pois ele de repente desata às gargalhadas.
“A tua cara!” E ria-se.

“Ainda bem que levas tudo com leveza e sentido de humor! Eu só soube muito depois que estás… SEPARADO, que me diz apenas que estás a dar um tempo… não me parece que possas fazer exigências e bradar aos sete ventos que tens sido claro e honesto. Mas isto sou eu, Mulher! Sinceramente Manel estou confusa… tem acontecido muita coisa que eu não tenho conseguido controlar.”

“Que diferença pode fazer o estar casado, separado, divorciado ou viúvo? Não vai mudar o que sentimos um pelo o outro…vai?”

Olhei para ele. Irritava-me a lógica dele e os meus preconceitos morais…


Era verdade! Já tinha tido vários tipos de atração, mas sem dúvida esta era diferente… era mais como… um todo! Completa e saciável! Ele estimulava-me física e intelectualmente o que tornava o prazer… inigualável. Eu diria que seria aquilo que um dia, uma amiguinha minha me disse ser, «uma sedução mental»: rouba-nos o físico e preenche-nos a “alma”!

Resumindo acabamos por fazer as pazes!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Berny

Era quase inevitável encontrar o Manel mais cedo ou mais tarde.
Ficou parado a olhar para mim, intensamente com um leve trejeito de censura e deceção.

Apesar de constrangida enfrentei aquele olhar e sorri. “Olá!” disse.
“Olá!” respondeu surdamente. “Precisamos de falar. Vem comigo!” “Sim precisamos, mas agora não posso, tenho…” Não me deixou terminar. Aproximou-se e disse-me, baixo, firme e claro “Agora Berny, agora!” E afastou-se. Ainda hesitei, mas achei melhor segui-lo, pelo sim, pelo não, preferia que não houvesse testemunhas de uma eventual discussão.

Entramos numa sala. Fechou a porta à chave e ficou parado com a mão no puxador. Eu não sabia muito bem como era o Manel nestas situações, era a primeira e provavelmente a última, portanto estava apreensiva.

“Manel eu sei que estás chateado, mas tem acontecido…” Virou-se. Não sei como descrever o olhar, as feições naquele preciso momento. Não sabia muito bem se devia continuar. Caminhou em direcção à secretária que estava sala. Eu entretanto deixei de falar. “Estou a ouvir-te. Continua.”


“Estas-me a incomodar com essa atitude, não sei se deva ter medo…” Ele olhou-me supreso “Tens medo de mim??? É isso??? Porquê?” “Não não é isso. Há muita coisa a acontecer e preciso de um tempo para pôr as ideias em ordem. Eu também tenho uma vida para além de ti.” “Nunca duvidei. Mas ao contrário de mim tu sabes e sempre soubeste como era a minha vida. Não te escondi nada. Sempre que acho que alguma coisa deve ser falada, falo.” Não viro costas e deixo de dar notícias ou de atender chamadas, enfim… Ouve Berny, seja o que for que se passa mereço e exijo que me digas em que pé estamos. Não quero parecer um garotinho apaixonado e ansioso por notícias da amada.”

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Berny

Hoje acordei com a sensação melhor do mundo. Relaxada, vazia daquele cheio incómodo que abrange o nosso corpo e, pesa. Leve.

Mas há medida que penso no assunto algo me incomoda. Será que sou lésbica? Será que já não gosto de pêlos, músculos e pénis? Não! Penso nisso tudo e sinto desejo. Não entendo o que foi aquilo por um lado, pelo outro entendo porque me deixei levar pelo prazer sensual dos sentidos. Sim, o “império dos sentidos” tomou conta de mim.
Já me ligou e eu… não atendi. Não sei o que fazer e o que dizer. Encontro-me novamente com ela? Não? Que faço? E ouvir de novo a sua voz…

Olhei para o telemóvel a vibrar e o nome que aparece “Manel”. Não acredito. Está uma confusão a minha vida. Não atendi.

Refrescava-me no quarto de banho, quando senti as suas mãos macias. Era imparável, tinha uma sede de toques e contacto interminável. Eu não a conseguia acompanhar. Estava cansada e continuava confusa. Era excelente naquele momento em que me sentia profundamente carente. Fechava os olhos e imaginava o Manel a tocar-me com aquelas mãos macias e lábios quentes no interior das minhas coxas, enquanto as mãos me acareciavam os seios. Eu ia soltando gemidos de prazer intenso sempre imaginando o Manel ali comigo até ao momento em que subia e eu lhe sentia a cabeleira farta e comprida... ela sentia o meu estremecer, não de prazer mas de receio e, descia, descia como não tinha subido e, obrigava-me a esquecer quem era quem. 

"Tenho que ir". "Não vás! Dorme cá!". Olhei para ela, sorri. Nunca me passaria pela cabeça que aquela mulher pequena bonita de traços suaves e corpo delgado, fosse lésbica. E pensei em mim. Nem no mais recôndito canto do meu ser me imaginei naquela situação. Vesti-me e despedi-me.

Não tenho estado com ela. Tem-me ligado todos os dias. O Manel às vezes. Não quero estar com ninguém. Tenho que perceber o que quero e definir-me. Tenho usado demasiado as pessoas e tenho sido demasiado usada.

sábado, 20 de setembro de 2014

Berny

Conversa puxa conversa e criou-se logo uma grande empatia. Ela ia-me tocando suavemente. No braço, na perna, no rosto encontrando sempre uma razão para o fazer. Sem me aperceber comecei a querer que me tocasse mais e mais. Olhei para ela desesperada.

Levantou-se, despediu-se pelas duas, agarrou-me e fomos porta fora até ao carro dela. "Entra" disse. Entrei.

Beijou-me mal me sentei. Foi a sensação mais intensa e estranha que senti... prazer enorme, beijada pela primeira vez como sempre desejei e ninguém ainda tinha conseguido. Loucura, quando percebi que era uma mulher que me fazia sentir assim. Pânico, porque nunca me imaginei a poder gostar do toque de uma mulher...

Ligou o carro e fomos para casa dela.

Entramos no apartamento com as mãos dela a percorrer todas as partes do meu corpo. Sem violência, imprimindo sensações inimagináveis. Foi-me despindo devagar, beijando à medida que a minha pele ficava a descoberto e eu meia tonta pelo álcool e pelo sabor das carícias, deixei-me levar.


A boca dela colou na minha enquanto as mãos acariciavam os meus seios, cheios e excitados. Levou-me para a cama e desceu com a boca até ao infinito perdi a consciência e entrei no paraíso.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Berny

Tenho procurado encontrar algo que me preencha ao longo da vida. Quando digo "preencha" não é "limite" pois uma coisa não obsta outra, suponho eu, porque não a encontrei ainda. Mas limites sim, creio que é o que tenho encontrado constantemente. Duma forma ou de outra, as energias que me rodeiam tendem sempre a tentar conter-me, limitar-me... creio que tenho algo em mim de verdadeiramente irritante, não sei... parece que tudo que quero atingir está fora de prazo e faz confusão aos "pequenos planetas que fazem parte da minha constelação".
Esta relação é mais uma. É a prova de que atraio as estrelas mais decadentes e menos iluminadas para o meu núcleo, no entanto procuro insistentemente e continuamente.

Hoje quero amar sem amarras, sem culpa, sem medos e sem preconceitos. Aceita-me assim, como sou, respeita-me...por favor!

Sim foi isto que o afastou, por isso ontem fui ter com uns amigos e... voltei a cometer uma loucura, penso eu.


Encontramo-nos todos num bar. O ambiente estava sereno e acolhedor e eu, muito carente (pelo menos sentia uma grande necessidade de ser acarinhada, seja carência ou não...). Conhecia alguns, outros não. O ambiente foi começando a aquecer, a conversa boa e muita bebida. E sim comecei a relaxar. 

Ela sentou-se ao pé de mim. Apresentou-se e sorriu olhando fixamente para mim. Sorri. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Berny

Estava a sair de uma aula e lá estava ele à minha espera. Não me abordou de imediato pois eu estava acompanhada. Mas o encontro era inevitável. Aconteceu enquanto me dirigia para o carro. Chamou, chamou e eu ignorei e quando me estava a aproximar da porta para a abrir, sinto-me a ser puxada e ele, com uma voz irritada “Podias ao menos deixar-me explicar! Não me vires costas Berny, não, depois de tudo o que aconteceu.” Fiquei de frente para ele sem saber exactamente o que fazer, o que dizer… de olhos postos no chão.

“Berny?”

“Mentiste-me, usaste-me e, vais explicar o óbvio. Não Manel, não estou interessada. Não nasci para ser uma figurante na vida de ninguém! Neste momento preciso de tempo para lidar com tudo isto.” Abri a porta do carro e entrei.

Hoje foi um dia desgastante. Ando cansada, nervosa e triste. Nunca me devia ter envolvido numa relação… não assim.


Sinto que parte de mim deseja ardentemente sujeitar-se à sua vontade e deixar as coisas correrem sem querer saber das consequências. Não posso dizer que Manel é a minha alma gémea, porque a nossa “coisa” é muito física… a alma aqui, se calhar, nem existe… não sei… sei que ele me faz sentir de uma maneira que mais nenhum o fez até agora.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Berny

“honestamente? Como podes pronunciar essa palavra se não sabes o significado? Seria menos…? Isso dá-te o direito de omitires algo tão importante como isso?” Levantei-me verdadeiramente chocada com a revelação.

Pensei sempre que Manuel era diferente em muitos aspetos. Frontalidade e honestidade, fariam parte deles. E quando falo em honestidade, não é dizer, como muitos pensam:

“Bem aconteça o que acontecer, vamos ser sempre amigos e sabemos que isto não quer dizer nada!”

Brrrrrr. Detesto quem faz isto. Primeiro, porque estão a tentar limpar a sua imagem, dando uma falsa ideia de honestidade. Porquê? Porque uma mulher adulta se tem um caso tem um caso, não precisa de pseudo discursos e de pseudo honestidade. E depois ninguém, mas ninguém pode prever o que vai acontecer quando, duas pessoas se envolvem e finalmente, não se deve partir de pressupostos o que é, segundo a minha experiência, algo que os homens fazem facilmente. Claro que a minha opinião poderia levar a “discussões” sobre os pressupostos da mulher, os do homem, etc., etc. Mas como mulher, aqui o importante é não só a minha visão mas acima de tudo, a minha experiência.


Saí do restaurante e nessa noite fartei-me de chorar. Manuel ligou-me várias vezes, deixou mensagem mas, não me sentia capaz de ouvir de novo a sua voz. Deixei passar uns dias. Faltei a algumas aulas. Até que pensei que tinha que sair daquele estado, pois só me prejudicava a mim própria. Levantei cabeça, enxuguei as lágrimas e lá fui novamente às aulas.

Berny

Nas nossas noites, quase sempre optávamos por andar de táxi, embora ambos tivéssemos carro.

Apanhamos um táxi e fomos até ao hotel X. Foi simplesmente divinal. O quarto era maravilhoso moderno e minimalista, as luzes podiam-se regular de forma a ter a intensidade de luminosidade própria para cada tipo de ambiente. Mandou vir champanhe e morangos. Entretanto começou a beijar-me e a acariciar-me, primeiro o rosto, deslizou para o pescoço e finalmente passa a mão pelo meu seio. Quando me toucou aí soltei um gemido murmurado de prazer. Começamos a intensificar as carícias e eu fui também acariciando o seu corpo. Batem à porta, somos interrompidos num momento de intensidade profunda e essa interrupção criou-nos ainda mais desejo.

A química, a ligação, o que quiserem entre nós, é qualquer coisa indescritível.

A faculdade começou a ter para mim um duplo significado e uma dupla importância.
Estávamos a jantar no restaurante Segunda Casa em Matosinhos. Um restaurante muito acolhedor, com um serviço personalizado, agradável e discreto. Bastante animados, pois já estávamos na sobremesa quando ele “dispara” “Berny, tenho que te falar de algo que evitei mas, não o posso fazer mais.” Disse-o com um tom grave e dramático. Olhei para ele apreendida, sem saber exactamente o que viria a seguir. “Sou casado!” Estupefacta cravei os olhos nele sem conseguir articular nenhuma palavra.

“Eu sei que te devia ter contado logo mas honestamente nunca pensei que as coisas tomassem estas proporções. Seria algo menos…” 

Berny

Sábado, não tenho aulas. O meu telemóvel toca, olho e não reconheço o número. “Sim?” do outro lado ouço uma voz que me fez arrepiar dos cabelos aos pés “Olá!” era ele. Não respondia “Imagino que deves estar espantada, eu estou. Tive que vir à faculdade e pensei que podíamos tomar um… cappuccino. Ah! Desculpa fala Manuel Y”. Finalmente lá consegui pronunciar alguns sons “sim, ah… sim… claro… teria todo o gosto”. Marcámos então o local e lá nos encontramos. Foi o cappuccino mais fantástico que alguma vez tomei.

Depois desse encontro, ouve mais e mais até nos começarmos a envolver.

A primeira noite que passamos juntos foi… inesquecível. Nunca sabemos o que vamos encontrar quando pela primeira vez trocamos carícias íntimas com um homem. Na realidade, as primeiras vezes podem ser, quiçá constrangedoras, frustrantes e mesmo bastante más.

Com o Manuel, e confesso que nunca me tinha envolvido com um homem bastante mais velho do que eu, foi simplesmente cinematográfico. Se não tivesse sentido tudo diria que alguém retirou aquilo de um filme lamechas com cenas “erótico-românticas” e fez de conta que se passou com ela.


Tínhamos ido beber um copo e o nosso envolvimento físico era muito grande. Aquela noite tinha que ser a noite em que passávamos à cena seguinte. “Vamos embora” disse quase num sussurro mas assertivo. Não pediu, afirmou. Levantou-se puxou-me a mão, sem brutalidade, e foi pagar. Eu estava num estado de deslumbramento e excitação, desejava há muito, praticamente, desde que me beijou, que me levasse logo para a cama, embora por outro lado, tenha gostado que não o fizesse. Eu sei que parece complicado, mas é mesmo assim.

Berny

Estive alguns dias sem o ver e sem saber quem era. Curiosamente voltamo-nos a encontrar no mesmo bar num intervalo de uma aula.

Não referi que apesar de estar na faculdade me mantive a trabalhar, como aliás já não podia deixar de ser, uma vez que era uma mulher autónoma, independente e, com responsabilidades financeiras.

Como estava a dizer, encontramo-nos novamente no bar. Tinha pedido um cappuccino e ao virar-me entornei parte dele na pessoa que estava atrás de mim. Soltei um pequeno gemido de horror, e antes de olhar para a pessoa comecei a desfazer-me em mil desculpas e a tentar limpar alguma coisa no casaco dele. Fiquei paralisada, e corei logo de seguida quando ouvi aquela voz grave “pronto! Está tudo bem. É só roupa, vai à máquina e fica bem”. Olhei para cima e lá estava ele com aquele olhar poderoso e um sorriso maroto pertinho de mim. A empregada “despertou-me” daquele estado hipnótico quando exclamou “Prof. Manuel, é um café?” ao qual ele respondeu “Sim por favor, Maria”.


Eu afastei-me um pouco pois o bar era um local pequeno e estava atulhado. Ele foi servido e chegou-se para mim. Voltei a desfazer-me em desculpas e ele começou a rir-se e desviou a conversa. Fez-me perguntas – como me chamava, qual o curso etc., – de tal forma me envolveu que me esqueci que tinha uma aula. Acabei por ir só a uma hora.

Berny

A Faculdade.
Digamos que está a ser um percurso fluído; há altos e baixos. Quando acabei o liceu preferi conhecer o mercado de trabalho. Há pouco tempo resolvi que era o momento de dar um salto qualitativo. Concorri à Faculdade e cá estou eu.

Não sou das mais jovens evidentemente, mas tenho a idade certa para saber o que quero e como quero. Estou a meio ( estou lá, mas convém sempre dizer que estou a…) caminho dos "novos 20".

Talvez por isso é que a faculdade tem sido um "campus" de descoberta e conhecimento a todos os níveis.

Sim vou falar de uma relação que iniciei com alguém comprometido, porque agora vou aproveitar a vida. Não vou parar de descobrir e aprender.
Conhecemo-nos por acaso e sim,   é professor mas não meu, por enquanto.
Num dos dias em que tive que almoçar na faculdade fui ao bar comer qualquer coisa. Na fila, enorme, havia já muita gente e as mesas estavam todas ocupadas.

Finalmente, com o almoço na mão procurei avidamente um local para me sentar. Vi um lugar numa mesa de dois. A pessoa já não era um jovem, com cabelos grisalhos e sem ser bonita tinha qualquer coisa. Isto foi uma análise de segundos que verbalizada parece eterna. Corri e perguntei se me podia sentar, ele respondeu que sim sem praticamente olhar para mim. Pedi desculpa mas que realmente era o único lugar livre e, que seria rápida. Olhou finalmente para mim. Tinha um olhar intenso e algo "matreiro" há falta de melhor expressão... disse que não tinha importância numa voz grave mas suave e... quente. Sorri timidamente, um pouco constrangida pelo olhar que me fitava tão intensamente.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014


Berny voltará brevemente!
Ocorreu um erro de ordem técnica que será reparado o mais rapidamente possível!
Grata pela compreensão!



Berny back soon! 
An error of a technical nature has occurred and it will be repaired as soon as possible!
Grateful for the understanding!




Berny reviendra bientôt! 
Une erreur de nature technique eu lieu qui sera réparé dès que possible! 
Reconnaissants pour la compréhension!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

James Arthur

Ser como estou

Não sei como fazer para parar de ser como estou.
Dizem que posso, basta querer.
Eu quero!
Mas…
Não sei como fazer para parar de ser como estou…
Acredito quando queremos muito,
Conseguimos!
Eu quero… não sei que quantidade…
Pensei que queria muito…
Parece que não!
Não sei como fazer para parar de ser como estou!
Dói!
Sei que dói a outros, e não quero.
Quero parar de ser como estou mas…
Não sei como fazer.
Já não nem sei se quero… se quero estar aqui.
Não sei como parar de ser como estou!



sábado, 5 de abril de 2014

Sentir

O que há em mim é sobretudo tristeza.
Cansaço também… muito.
Mas tristeza é aquela que me assola sempre…
Amor, já me disseram mas sentir….
Senti o egoísmo, a cobrança, a arrogância, a ira, o ódio…
Senti acima de tudo a impotência, a deceção e o medo…
O Amor já me disseram mas sentir…
Sinto a incapacidade de entender os outros
de compreender o sentido das coisas
Sinto que nunca consegui deixar de sentir…
Tristeza
Sinto que já não sei o que sinto
Sinto que não me quero sentir… assim
Sinto que o cansaço de sentir me derruba
Sinto que quase nunca senti
Falar sim
Quase tudo é falado mas sentir?
O Amor, já me disseram mas sentir…

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ondas de iluminação...

Caro Pedro
Custou-me tomar a iniciativa de lhe escrever, acima de tudo pelo desprezo com que me trata e a todos os portugueses, ou melhor, quase todos.
No entanto como nada tenho a perder e me sinto tão mal, tão triste, tão violentada e tão impotente, não me resta senão dizer-lhe o que me apetece…
Não acredito que para si vá fazer alguma diferença ou que algo vá mudar, não só pela razão que enuncio acima mas também pelo facto do Pedro ser um daqueles seres que realmente se acham “especiais e iluminados”. Fico SEMPRE estupefacta quando o ouço ou leio algo que disse. Sempre com a mesma convicção, com a mesma seriedade (que a mim, inicialmente, ainda me fazia rir, mas que agora só consigo sentir um PROFUNDO desdém, desprezo e revolta) de que realmente é um ser superior e que está a fazer o correto (vá-se lá saber para quem e o quê). A qualquer outra pessoa chamar-lhe-ia ESTÚPIDA, a si penso que não é essa palavra que o pode descrever, pois creio verdadeiramente que os estúpidos somos todos nós que permitimos que esteja aí nesse poleiro “a cantar de galo”.
Também lhe posso garantir que eu não sou dos casos piores… no entanto aqui vai.
Sou mulher, portuguesa, tenho 50 anos e comecei a trabalhar aos 16. Vim de uma família que posso considerar de classe média sendo que a classe média também se divide numa trilogia (sabe?). Adiante… veio o 25 de Abril, tinha 10 anos e só aos poucos ao longo dos anos fui percebendo a importância desse dia e o que representou para os portugueses. Posso no entanto afirmar que senti que era um dia muito importante, se calhar porque os meus pais me transmitiram aquela sensação de que algo bom estava a acontecer.
Apesar disso a minha família ressentiu-se financeiramente e eu tive que começar a trabalhar aos 16, sem contudo deixar de estudar totalmente. Nunca me senti violentada por ter que o fazer tão cedo, foi quase natural. Fiz de tudo, vendi livros, fui babysitter, empregada de balcão, etc. . Como referi continuei a estudar e tirei o que na altura era considerado um curso profissional, que dava acesso a uma carreira que só existia na função pública. O meu destino estava traçado. Só podia ser funcionária pública. (Não fazia ideia da perseguição, violentação, violação ostracização que iria sofrer pelo simples facto de querer trabalhar numa biblioteca e beber cultura sempre que pudesse!)O curso chamava-se “Curso de técnico auxiliar de bibliotecas, arquivos e serviços de documentação”. O meu destino: uma biblioteca, um arquivo ou um serviço de documentação.
Quando terminei fiz um estágio de 6 meses na Biblioteca Pública Municipal do Porto que adorei. Depois fui concorrendo a concursos públicos abertos para a área. Convém dizer que não se entrava para bibliotecas, arquivos ou serviços de documentação se não se possuísse esta especialização. Entrei finalmente para a Faculdade de Medicina da UP para auxiliar técnica de BAD (biblioteca, arquivo e documentação) estive lá pouco mais de um ano. Concorri de seguida para técnica para a Faculdade de Letras da mesma universidade para a biblioteca central, onde estou há 26 anos. Nesse tempo tive 3 filhos, fiz uma licenciatura, várias formações, workshops, “upgrades”, sempre com o intuito de me manter atualizada e à altura dos desafios que se vinham constantemente a desenvolver. A minha carreira entretanto passou de especializada para uma coisa sem especialização se bem que a necessidade de especialização se mantenha e passou de técnica profissional especialista de bd (biblioteca e documentação) para assistente técnico. O meu ordenado tem vindo a baixar escandalosamente, as dívidas que contraí (comprei uma casa quando casei e que mantenho depois do divórcio uma vez que fiquei com três filhos) e que hoje se torna insuportável, pois sustentar 3 filhos uma casa e tentar não estupidificar ao longo de todos estes anos tem sido difícil.
Quando investi numa licenciatura com o objetivo de melhorar a minha situação profissional, financeiramente e desenvolver novas habilidades com as ferramentas que a mesma me ia dar, não sabia que passado 4 anos iria estar bem pior do que quando entrei para Medicina para assistente técnico de bad em 1987.
Apesar de não ser muito mais novo Pedro, acredito que nessa altura andava ainda à procura do que podia fazer para se divertir, não Pedro?
Veja lá onde está! Veja lá onde estou!
Quero dizer com tudo isto que estou cansada de lutar por manter a minha sanidade, a minha integridade, a minha família com algum conforto. No entanto com a brutalidade dos cortes que está a fazer e que tenho a certeza de que são ilegais, com a perseguição que faz aos pequenos funcionários públicos como eu, vai ser difícil sequer manter um teto onde poder aquecer-me e aquecer os meus filhos que apesar de 2 deles serem adultos, com o país “fantástico” que está a criar nem empregos vêm num horizonte próximo.
De certeza que vai ficar na História, pelas razões piores mas também me parece que um homem que não faz ideia do que é a vida lhe possa interessar pouco as razões pelas quais fica na História.
O seu desprezo é o meu desprezo por si e pelo seu “trabalho”.

Só mais umas palavras para todos aqueles que por medo, por maldade, por arrogância, por estupidez o têm ajudado a delapidar o que ainda restava de alguma dignidade social neste país da treta: o futuro não é vosso!


“Entre nós tem-se visto governos que parecem absurdamente apostados em errar, errar de propósito, errar sempre, errar em tudo, errar por frio sistema. Há períodos em que um erro mais ou um erro menos realmente pouco conta. No momento histórico a que chegámos, porém, cada erro, por mais pequeno, é um novo golpe de camartelo friamente atirado ao edifício das instituições; mas ao mesmo tempo tal é a inquietação que todos temos do futuro e do desconhecido que cada acerto, cada bom acerto é uma estaca mais, sólida e duradoura, para esteiar as instituições. Toda a dúvida está em saber se ainda há ou se já não há, em Portugal, um governo capaz de sinceramente se compenetrar desta grande, desta irrecusável verdade.”

Eça de Queirós, in 'Últimas Páginas'