quarta-feira, 21 de março de 2012

Grândola

ADEUS!



Pode ser assustador dizer ADEUS.
Poderemos estar a despedirmo-nos para sempre de alguém por vários motivos: morte, separação, viagem, passado… enfim haverá com certeza uma infinidade de razões, que não me ocorrem, para dizer ADEUS.
Claro que ADEUS não será necessariamente uma coisa má. E mesmo quando inicialmente nos parece, mais tarde, poderemos perceber que tinha mesmo que ser e, eventualmente, aceitarmos esse ADEUS, que na altura, até foi bem penoso.
Mas há outros ADEUS que por mais que nos esforcemos não conseguimos perceber o lado positivo. Esse ADEUS é aquele que vivemos hoje em dia, na nossa sociedade em geral e, na portuguesa em particular.
O ADEUS aos direitos adquiridos, à liberdade de expressão, aos direitos à saúde e educação para todos, o direito à Democracia… Estes direitos, que nos têm vindo a tirar com, arrogância presunção, soberba, egoísmo, intolerância, tirania e todos os adjetivos que possam ornamentar o estado atual do nosso pequeno país, estes direitos aos quais dizemos todos os dias ADEUS, serena, e pacatamente, sem revolta, acreditando que nada mais há a fazer… Estes ADEUS são mortes horríveis e penosas de um pouco ou muito de cada um de nós, todos os dias.
Este ADEUS que nos tolhe no seu medo de perdermos ainda mais o pouco que nos vais restando, já não de, dignidade, orgulho e amor-próprio porque esses já perdemos, mas o ADEUS aos poucos bens materiais que ainda vamos conseguindo segurar: casa, comida, água e os filhos a estudar…
Este ADEUS é a morte. É a morte da liberdade conquistada no 25 de abril de 1974. É a morte de  todos os que foram mortos e torturados pela pide, polícia política antes da Revolução dos Cravos,  e que homenageamos pelo força e coragem com que lutaram para podermos usufruir de liberdade e democracia. Este ADEUS é a nossa resignação à prepotência, estupidez e mesquinhez de alguns covardes incapazes de criarem soluções benéficas para o povo.  Preferiram vender-se ou melhor venderem-nos, mantendo-se com o seu estatuto, nível de vida, sem um arranhão.
Falam da Grécia para incutir o medo e darem o panorama mais negro de uma luta injusta de um povo indefeso contra a tirania. Não falam da Islândia, nem da Irlanda e das soluções que tomaram para resolver questões INTERNAS.
É o ADEUS à discussão livre e ao livre conheci mento onde se filtra apenas o que se quer divulgar como arma psicológica contra a justa INDIGNAÇÃO!
Este ADEUS é ASSUSTADOR!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Coisas simples da vida...

“Deves aprender a gostar das coisas simples da vida “

“Como por exemplo?”
“….”
“Por exemplo quando entras no autocarro e o motorista é simpático… se as pessoas falam contigo sobre coisas de nada… assim, sei lá o teu dia já fica melhor”
“Mas eu nem olho para o motorista. Valido o passe e ando…”
“Pois, tu nem olhas. Tens que aprender a ver. Sair desse teu mundo fechado e olhar e ver.”
Palavras sábias. Mas como faço isso?
Então outro amigo perguntou-me:
“ Estás bem?”
“Sim claro. Tenho um vencimento ao fim do mês e outras coisas…”
“…. Bem se te contentas com tão pouco…”
“Tenho que contentar porque na realidade há quem nem este pouco tenha.”
A sério? Será que me consigo contentar com as coisas simples da vida? E as complexas? Quem as possui? E aquilo que é complexo e não é bom? Como a guerra, a injustiça nas suas variadas formas, a pobreza, a fome, o egoísmo, o racismo e tantas outras coisas? Não posso pensar nelas? Sim, quem sou eu e que posso fazer?
Quando passamos a vida a balançar entre o querer ser normal e o não conseguir. Quando passamos a vida a tropeçar em más escolhas porque a dita normalidade toma conta de nós, ou daqueles que amamos e temos que escolher entre manter os que amamos por perto na suposta normalidade e o darmos cabo da dita normalidade criando uma cadeia de anormais? Onde para então a nossa capacidade de encaixe? Quando não nos conseguimos decidir entre a normalidade e a anormalidade? Na realidade sou uma anormal a tentar conseguir ser normal…
“Tens que te aceitar assim como és. Tens que gostar de ti.”
Pois. Como fazemos isso quando percebemos que não nos encaixamos em lado nenhum e gostaríamos tanto que isso acontecesse? Como nos despimos do contexto e ficamos só nós? Ou como nos despimos de nós e nos encaixamos no contexto?
Sim tenho que aprender a gostar das coisas simples da vida. Tenho que aprender que só tenho o momento e que preciso de o viver… assim… sem expectativas. Depois vem o momento a seguir ao momento e o arrependimento porque não soubemos pensar no futuro… enfim… não é fácil.
“Sabes qual é o teu mal? Pensas demasiado!”
O meu botão de switch off estragou… e esta inquietude e desassossego que me caracterizam torna-se desagradável e extenuante para quem comigo convive. Até para mim. E depois tenho que gostar de mim… assim. Não é fácil. Para os outros ainda menos…
Tenho   que aprender a gostar das coisas simples da vida… 

terça-feira, 6 de março de 2012

Recomeçar

Recomeçar!
Parece simples. Apagamos tudo da nossa mente, ou arrumamos num cantinho para depois catalogarmos- boa recordação, má recordação… e começamos a planear a nossa vida quase… do nada.
Mas afinal porque não é fácil? Porque é que não conseguimos apagar nada e mesmo arrumadinhas as recordações não são usadas só quando queremos? Surgem assim do nada aleatoriamente nos momentos menos próprios e nós sem o menor controlo… quase como se de quando em vez, alguém assalta os ficheiros e mistura as fichas catalográficas todas.
Como conseguimos controlo das nossas emoções, recordações e sentimentos?
Não é fácil. Pelo menos para mim.
O esforço que se faz por recomeçar é tão grande, tão intenso que tudo nos dói: o corpo, a alma e até a própria dor! Mas quando já batemos bem no fundo e a única coisa que conseguimos é continuar a bater sem lugar para fugir, a dor transforma-se em qualquer coisa que nos obriga a sair do fundo e a emergir.
É quando recomeçamos!
Devagar. Com um medo que nos tolhe cada passo que damos, com os órgãos comprimidos num só, com a cabeça a latejar a cada gemido que sonorizamos, mas devagar… continuamos.
Segundo a segundo recomeçamos. Como um malabarista numa corda a 90 metros do chão. Cada passo pode ser o último, o que até seria libertador se não estivéssemos na fase do… RECOMEÇAR!
Recomeçar!