sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Emancipação


Emancipação!
s. f.s. f.
1. .AtoAto ou efeito de emancipar.
2. Estado daquele que, livre de toda e qualquer tutela, pode administrar os seus bens livremente.
3. Libertação.
4. Alforria.”
Eu sou uma mulher emancipada, ou seja, sou livre, basicamente.
Livre!
"adj. 2 g.
adj. 2 g.1. Que goza de liberdade.
2. Independente.
3. Que não tem peias.
4. Que pode dispor de si.
5. Que está em liberdade. = SOLTO ≠ PRESO
6. Salvo (do perigo).
7. Isento.
8. Desimpedido, desobstruído.
9. Desembaraçado.
10. Que não está ocupado. = DESOCUPADO, DISPONÍVEL, VAGO, VAZIO ≠ OCUPADO, PREENCHIDO
11. Não comprometido ou obrigado.
12. Que não está ligado por vínculos matrimoniais.
13. Não proibido.
14. Não monopolizado.
15. Espontâneo.
16. Licencioso.
17. Descomedido.
Não. Não vou escrever um dicionário ou criticá-lo, apenas me contextualizo dentro de uma situação significativa e significante de um estado, supostamente, de graça.
Olho para mim e, tento encontrar em mim, o significado de emancipação e livre.
Sou Mãe de três filhos, divorciada, trabalhadora por conta de outrem, filha e irmã. Vivo numa casa sem empregada.
A minha vida está sitiada pelo tempo e necessidades dos meus filhos, do meu trabalho, dos meus pais, da minha casa e eu pergunto: sou livre?
Como mãe tenho que ser uma “intelectual” sempre que dá jeito aos meus filhos para, em vez de lerem jornais, ouvirem rádio, irem ao dicionário, etc. poderem perguntar e pedir ajuda à mãe e ela poder dar resposta cabal.
Sempre que têm fome, que querem roupa lavada, trazer amigos a casa, tenho que virar a doméstica e trabalhar como uma “sopeira”.
Emancipada!
No trabalho, tenho que ser diligente, dinâmica e proactiva. Sempre de sorriso nos lábios, pois tristezas não pagam dívidas e, acima de tudo, no meio desta crise, tenho que dar graças a Deus por ter um trabalho. Pese embora, não evoluir em termos de carreira, apesar de nela ter investido, não me lembrar de ser aumentada, não ser reconhecida, apesar de ser um excelente profissional, porque há cotas na avaliação e, não dão para toda a gente, me estarem constantemente a tirar “regalias” que, fui adquirindo ao fim de tantos anos de trabalho, tenho que me “sentir” motivada acima de tudo, para produzir estatísticas que possam justificar… só Deus sabe o quê. Não posso faltar se um filho estiver doente, porque é mau em termos de carreira (que não tenho), pedir reuniões de pais em horário pós-laboral o que quase nunca acontece…
Livre!
Tenho que ser mulher de preferência, com bom aspeto e bem apresentada, pois numa sociedade em que o visual é a coqueluche do momento, é meio caminho para… no mínimo prover as necessidades básicas. Endividar-me, para poder suster um barco com 3 filhos a estudar, a comer, a crescer e, pagar tudo a tempo e horas senão, fico sem casa, sem filhos e sem honra.
Tenho que pagar os excessos que outros fizeram por mim, dívidas que outros contraíram, em nome de um pseudo-patriotismo.
Tenho que ser sexy, bem disposta, inteligente q.b., para encontrar um sapo que me idolatre durante 2 segundos e me despreze o resto do tempo.
Emancipada!
Mas tenho acima de tudo que dar graças a Deus por ter tudo isto que, a maior parte dos portugueses não têm. Tenho que, acima de tudo, ter sempre presente que há quem esteja pior. Tenho que pôr a fasquia bem em baixo, para me sentir com direito à vida. Acima de tudo, tenho que dar graças por ser uma mulher livre e emancipada!  

domingo, 22 de janeiro de 2012

De volta pro aconchego

Aconchego


Adoro a palavra “aconchego”!
Para além de existir uma música maravilhosa cantada por Elba Ramalho “De volta para o meu aconchego” a palavra só por si é “aconchegante”!
Que sensação maravilhosa é aquela que, depois de dias fora e, não obstante o ter sido extraordinário, voltamos de novo «p’ro nosso aconchego». Lá diz o ditado “home sweet home” o que quer que isso seja, é sem dúvida verdade. Seja o nosso lar, casa, ou o mundo, é sem dúvida o sítio, o local, quiçá o momento, em que nos sentimos seguros, protegidos e aconchegados.
Adoro a palavra “aconchego”!
Que alguém, nos pode tirar isso? Por incrível que pareça qualquer um. Desde o momento que nos dizem que para sermos felizes e bem-sucedidos «temos que emigrar”, até ao momento em que contra toda a nossa vontade o temos que fazer.
Pergunto-me numa sociedade que me obriga a ser o que querem que seja para poder existir, o que efetivamente resta de mim? Sim questiono-me, porque já não sei mais o que poderei fazer, se meus gritos, minha indignação e minha revolta não são suficientes.
Esta sociedade que exalta a juventude e a beleza exterior, o culto do corpo… esta mesma que crítica a filosofia e a acha inútil… onde fica este meu refletir e este meu pensar?
Adoro as palavras e é assim que melhor me sei expressar. Acho que escritas e ponderadas, são potentes e extraordinárias. É aí que entra o refletir, o analisar, o observar e o escrever. Mas cada vez menos, existe lugar para isso.
Adoro a palavra “aconchego”!
Reflete quase tudo: carinho, amor, cumplicidade, partilha, saudade, vida!  

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ode à amizade

“Nem tudo é brilhante pelos meus lados. Nem tudo corre como devia correr e tenho de me segurar para não escrever e publicar textos derrotistas, afinal nesta vida vale tudo menos desistir de nós próprias.” In: http://mimilarose.blogspot.com/

Achei brilhante, ou não fosse de um blog chamado Pó De Diamante. Ao contrário, eu, quase sempre posto, não diria textos derrotistas mas bastante introspetivos e quiçá nada úteis… para os outros… para mim, é importante partilhar os meus “questionamentos interiores”.
Apesar de tudo, tenho momentos muito hilariantes na minha vida e momentos muito positivos também. Também creio que ainda não desisti de mim, ao contrário, se assim fosse não me questionava, não teria interesse partilhar e não teria esperança.
Mas na realidade o que mais me derrota, são as expectativas que crio e que saem goradas. Por mais que tente não consigo deixar de o fazer. Qualquer acontecimento por mais insignificante que seja na minha vida, tem sempre no meu inconsciente “ativo”, como diria uma amiga minha, um preview de possibilidades. Nesse momento gostaria de ter um botão “switch off” e não o fazer. Mas por qualquer razão que desconheço, visto as minhas sinapses cerebrais, serem um campo totalmente desconhecido para mim, criaram “algoritmos” que sabotam completamente a minha capacidade de controlo. Então surgem esses momentos “introspetivos” que preciso de partilhar.
Os momentos hilariantes são com as minhas e os meus queridos amigos. São momentos de partilha um tanto ou quanto sui generis e, por incrível que pareça, nada rotineiros. É nesses momentos que acredito que fiz e sou algo de bom (perdoem-me a imodéstia).
Acredito que ninguém tem e faz amigos, bons amigos, se não os merecer.
São eles que me dão força quando estou em baixo e, quando estou demasiado em cima, me fazem manter os pés no chão, trazendo-me sempre para o centro de gravidade. São eles que me fazem manter a esperança e a força para continuar. Se bem que os meus filhos o façam, mas mais por razões que não controlo nem eles (filhos), os meus amigos são cúmplices nos bons e maus momentos. Com eles posso efetivamente contar e sei que basta um telefonema e eles estarão lá para mim. É nas nossas diferenças que conseguimos encontrar o equilíbrio das nossas semelhanças, nos erros e nas virtudes, encontramos as virtudes e os erros de cada um e apesar de tudo, os aceitamos assim mesmo. É neste mix de "todos iguais todos diferentes" que reside a riqueza com que alimentamos a amizade.
“Quem tem amigos não morre na cadeia” é uma verdade popular completamente verdadeira. Acredito que mereço de alguma forma os amigos que tenho. Espero que eles me achem digna dessa amizade. Apesar de crer que quase ninguém lê o que tanto quero partilhar, inclusive a maior parte dos meus amigos, não posso deixar de lhes prestar a minha homenagem, simples e pequenina, mas verdadeira e sentida.
A todos vocês que me têm ajudado a crescer e a ser uma pessoa melhor, um bem hajam. Adoro-vos e vocês fazem a diferença! 

domingo, 15 de janeiro de 2012

grito da alma

Como Luc Besson diz e eu concordo aos 45-50 temos necessidade de fazer um ponto de viragem. Construir ou fazer algo que importe, que tenha em conta os outros, se bem que na realidade estejamos só a ter em conta nós próprios e a nossa “paz de espírito”. Mas precisamos de mudança ou, pelo menos alguns, precisam.

Que acontece quando sabemos isso mas não sabemos para que lado nos devemos virar. Eu estou à espera que alguma luz me ilumine com um pensamento realizável e viável, sem ferir ou magoar quem mais amo.
Completa utopia. E se acredito que a utopia só o é enquanto não materializada, acredito também que as mudanças não se fazem sem magoarmos, sem espinhos, sem sofrimentos e sem dor. Eu quero mudança e não ter nada disso…
Não mudo, portanto. Deixo-me estar fingindo que tenho sonhos, que estou com expectativas, com esperança. Basicamente engano-me. Não mudo, nem me aceito… complicado…
Incrível é, que, racionalizando tão bem o problema, não consigo acabar com ele. Será uma atitude provável e digna de alguém inteligente?…ou supostamente.
O grito da minha alma é sempre: RESISTIR, no entanto acredito que cada vez mais se transforma de grito em sussurro.
E cá estou eu no 1º dia do resto da minha vida completamente perdida, sem saber o que efectivamente quero, o que será melhor e realmente como poderei encontrar a serenidade.
É um estado que me faz lembrar o maravilhoso filme “The curious case of Benjamin Button”.
Parece que estou novamente na fase da adolescência em que uma revolta surda toma conta de mim e uma necessidade de mudança também. Com um jeitinho, mais adiante, estarei na fase dos 10-8 anos em que só quero brincar e não me preocupar com nada. Se lá chegar, estarei depois na fase das fraldas e do choro que será a minha única forma de comunicar.
A vida é um círculo começamos e acabamos da mesma forma: começamos ignorantes, incapazes de comunicar na mesma língua com os outros, receosos e curiosos, carentes e afectuosos e acabamos da mesma forma com a agravante que visualmente não inspiramos nenhuma condescendência, nem amor. Apenas e eventualmente compaixão e comiseração.
Que triste círculo, nos qual somos aprisionados assim que respiramos, até ao momento em que o deixamos de fazer.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

?

De que vale mil reflexões? Análises? História? Tudo se repete sem alteração. As perguntas sem resposta são as mesmas. Os erros cometidos no passado repetem-se. A dor mantêm-se e o fim também. Tudo é perecível e se na "natureza nada se perde tudo se transforma", na natureza humana nada se transforma e tudo se mantêm inalterável.
"Hoje que tanto se fala em crise, quem não vê que, por toda a Europa, uma crise financeira está minando as nacionalidades? É disso que há-de vir a dissolução. Quando os meios faltarem e um dia se perderem as fortunas nacionais, o regime estabelecido cairá para deixar o campo livre ao novo mundo económico." Eça de Queirós.
Que evolução é esta? Que caminhos trilhamos e não questionamos?
Nada faz sentido nem amor, nem amizade, nem devaneio, nem hostilidade, nem violência, nem compaixão...
Tanto tempo e tão pouco tempo.. e no fim tudo se mantêm igual. Desaparecemos com as mesma dúvidas, as mesmas questões, as mesmas incertezas e com o mesmo sentido de revolta, de raiva, de impotência... Não há idade que nos dê sabedoria, não há serenidade que nos dê luz.
Há resignação! Quando há, já não resta mais nada.

domingo, 8 de janeiro de 2012

De que valem a experiência e o conhecimento na velhice?

De que Valem a Experiência e o Conhecimento na Velhice?«Envelheço aprendendo sempre» - Sólon, na sua velhice, repetia muitas vezes este verso. O sentido que esse verso possui permitir-me-ia dizê-lo também na minha; mas é bem triste o conhecimento que, desde há vinte anos, a experiência me fez adquirir: a ignorância ainda é preferível. A adversidade é, sem dúvida, um grande mestre, mas faz pagar caro as suas lições e muitas vezes o proveito que delas se tira não vale o preço que custaram. Aliás, a oportunidade de nos servirmos desse saber tardio passa antes de o termos adquirido.
A juventude é o tempo próprio para se aprender a sabedoria; a velhice é o tempo próprio para a praticar. A experiência instrui sempre, confesso, mas não é útil senão durante o espaço de tempo que temos à nossa frente. É no momento em que se vai morrer que se deve aprender como se deveria ter vivido?

De que me servem os conhecimentos que tão tarde e tão dolorosamente adquiri sobre o meu destino e sobre as paixões alheias de que ele é o fruto? Não aprendi a conhecer os homens senão para melhor sentir a desgraça em que me mergulharam e esse conhecimento, embora me revelasse todas as suas armadilhas, não me permitiu evitar nenhuma delas. Porque não permaneci nesse estado de confiança, insensata mas ditosa que durante tantos anos fez de mim a presa e o joguete dos meus ruidosos amigos, sem que tivesse a mínima suspeita de todas as tramas em que estava envolvido? Troçavam de mim e eu era vítima deles, é verdade, mas acreditava que me amavam, e o meu coração deliciava-se com a amizade que eles me tinham inspirado e pensava que sentiam por mim uma amizade igual. Essas doces ilusões estão destruídas. A triste verdade, que o tempo e a razão me revelaram, ao fazer-me sentir a minha infelicidade, permitiu-me ver que não havia remédio e que não me restava senão resignar-me. Por isso, para mim, na minha situação actual, todas as experiências da minha idade não têm utilidade presente nem proveito futuro.

Ao nascermos, iniciamos uma luta que só termina com a morte. De que serve aprender a conduzir melhor o seu carro quando se está no fim da estrada? Então, já não resta senão pensar em como sair dele. O estudo de um velho, se é que ainda tem algo a estudar, consiste unicamente em aprender a morrer, e é precisamente o que menos se faz na minha idade, em que se pensa em tudo menos nisso. Os velhos estão mais agarrados à vida do que as crianças e saem dela com mais má vontade do que os jovens. É que, como todos os seus trabalhos se destinaram a essa mesma vida, ao chegarem ao fim, vêem que os seus esforços foram inúteis. Todos os seus cuidados, todos os seus bens, todos os frutos das suas laboriosas vigílias, tudo abandonam quando partem. Em vida, não pensaram em adquirir algo que pudessem levar consigo quando morressem.
Jean-Jacques Rousseau, in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Quem sou eu?


Quando foi que adormeci? Já acordei? Onde estou?
Onde estou? Que aconteceu ao tempo? Adormeceu?
Que tempo foi esse cuja memória insiste em aprisionar?
Como acordei aqui neste tempo em que tudo parece terminado?
Neste tempo em que a esperança parece sucumbir à amnésia imposta.
Só eu sinto o peso de um tempo passado e não vivido?
Do tempo que não volta atrás e parece que não vai para a frente?
Como cheguei aqui cheia de tudo e nada?
Em que encruzilhada me enredei e me perdi?
Como posso voltar ao caminho que me levará a algum lado?
Como posso ter tropeçado em tantas pedras e buracos e nunca ter percebido?
Quem sou eu?

Porque continuo com um fio de esperança quando tudo parece perdido?

Porque não sucumbo perante a minha incapacidade de viver?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Estranho o facto de quase sempre me ver refletida em poesia escrita por
mão masculina. De perceber que eles mais que ninguém parecem me entender e
contudo... ser incapaz de manter uma boa relação com eles... ser incapaz de me
aproximar... Não percebo o que sou e efetivamente "...tantas vezes alegre, tantas
vezes contente, estou sempre triste!..." quem sou eu?

Desassossego

"E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou."
"Verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste."
"Não vejo, sem pensar."
"Não há sossego - e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter."

Bernardo Soares

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ponto de situação


Critico a minha mãe veemente porque acho que se fechou num estranho mundo que julgo não entender. No entanto, há medida que o tempo vai passando, cada vez mais, entendo melhor esse “autismo” auto infligido.
Entendo melhor porque a idade nos vai fazendo pagar caro os nossos julgamentos, as nossas certezas e as nossas dúvidas. Entendo melhor porque, infelizmente, sigo essa postura e forma de estar: a desistência!
Sei que há muitos momentos ao longo da nossa vida em que nos questionamos sobre a mesma, o nosso objectivo, sobre o que gostaríamos de ser e, sobre aquilo que somos, mas a idade, a frustração, a auto comiseração, a solidão agravam mais essas questões e esses momentos. É aí que a desistência ganha terreno e nos começamos a fechar ou a abrir para um mundo só nosso ou, pelo menos, a vivê-lo solitariamente. Viramos “autistas”.
Apesar de constantemente “gritar” para não sucumbir à inércia, à nostalgia e ao medo, o cansaço e o desencanto empurram-me para esse abismo. Percebo finalmente que nada sou, apenas uma castradora da minha própria vida e eventualmente da vida daqueles que me são queridos. Pior ainda não percebi como fazer para não passar esse testemunho aos meus rebentos. Melhor, sei que devia ter uma atitude positiva, sorrir e dar graças por tudo aquilo que fui conseguindo, mas…
Creio que a diferença entre a mulher que eu crítico e eu, é que de uma  posso tirar férias e da outra não. E como gostaria de fugir de mim própria, dos meus pensamentos, sonhos e deceções…
Ou então chegar a esse plano em que a inteligência nos leva: alcançar a SERENIDADE, aceitando-me assim, com defeitos e poucas virtudes, assim… Aceitar os outros na sua condição de humanos incompletos… aceitar em pleno!