segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013


Adoro o filme As Pontes de Madison County!

Acho que há momentos que devemos agarrar e viver sem olhar nem para trás nem para a frente.

A vida é demasiado curta. Para além disso perdemos demasiado tempo com irrelevâncias, aliás considero, a minha vida, um somatório de irrelevâncias, não só, mas também. Portanto quando nos surge a possibilidade de vivermos algo que instintivamente sabemos que será bom para nós, no entanto com riscos, devemos, se realmente acharmos que vale a pena, correr esses riscos, porque o que fica da vida não são as rotinas, pelo menos numa primeira fase da velhice, são exatamente esses momentos em que fugimos dela.
Um dia mais tarde o que recordamos com prazer são os momentos menos comuns e mais curtos que tivemos. A rotina que criamos com alguém dá-nos a segurança e nessa altura, talvez sim ou talvez não, já perdoamos os erros do outro e só queremos paz e amor se possível.

A vida é uma jornada cansativa e desgastante. É natural que para o fim apenas queiramos paz e sossego e é sem duvida um direito, se bem que isto de direitos nos tempos que correm seja uma pintura muito rebuscada. Ainda assim perdemos, no trajeto, demasiado tempo e força com a mesquinhice que caracteriza o ser humano.

Os meus votos para o novo ano são: LIBERTEM-SE, VIVAM enquanto podem. Sejam CORAJOSOS se necessário e nunca percam o SENTIDO DE HUMOR.
Repudiem o egoísmo, a calúnia, o ostracismo, a inveja, a luxúria, a ambição desmedida e acima de tudo a ESTUPIDEZ de quem nos governa. 
Provoquem a rotina, saiam do conforto e segurança. ARRISQUEM!

Votos sinceros de novas descobertas e de banhos de luz!

Silent Night


domingo, 23 de dezembro de 2012

Natal


Há muitos momentos de nostalgia. Mas este particularmente, os festejos do Natal e Ano Novo, deixam-me sempre nervosa, ansiosa, alterada … não sei bem porquê. Claro que este fenómeno ocorreu subtilmente ao longo desta minha caminhada nesta vida. Também já o considerei, noutras alturas, o mais importante do ano e da qual eu mais gostava.
A vida é sem dúvida o que há de mais rotineiro e circular que eu conheço. Não digo o círculo mais perfeito porque acredito que algures de tempos a tempos alguém fura o círculo.
Apesar de a fé que me foi imposta da desde miúda e que hoje não é de todo o que sinto em relação à fé, acredito no entanto no Jesus Cristo.
Acredito que existiu alguém que acreditava num poder superior, que acreditava no amor, que acreditava que acreditando, as pessoas podiam ser melhores. Acredito que esse homem se calhar era bem mais igual a qualquer um de nós, mas muito mais fiel as suas crenças sem cair no fundamentalismo e deu efetivamente a vida por nós. Infelizmente as mudanças ocorreram e muita coisa mudou em alguns sítios noutros nem tanto. Ira, violência, tortura, ditadura, prisão, fome, guerra… e sei lá que mais atrocidades existem e me escapam há imaginação e, há experiência de vida.
Agora o significado do Natal, como cristã que sou, é mesmo uma festa que celebra a vida de alguém especial. Tem os seus rituais próprios das crenças que para mim cada ano que passa é menos relevante. Acredito que todas as pessoas acreditam em algo que nos transcendes: se Deus, Alá, Buda, deuses, energias, forças o que sejam, há sempre algo em que acreditamos para  além daquilo que conseguimos percecionar, verbalizar, identificar e qualificar.
O sagrado para mim é o amor em todas as suas formas; o profano é a maldade em todas as suas vertentes.
O Natal? Apenas uma boa razão para estarmos em família e festejarmos a vida!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Natal!



«...Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade !
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade...»



terça-feira, 20 de novembro de 2012

"Candle in the wind"


Que fazer quando a nossa vontade foi domada?

Não me perguntem porque é que quase sempre os caminhos que nos levam à escrita são momentos gerados por um percurso mais ou menos tortuoso, mais ou menos instável, mais ou menos dramático… mais ou menos...

Mas quando atingimos um patamar de … posso chamar resignação, aceitação ou quem sabe será esse estado tão almejado (pelo menos por mim): A SERENIDADE, parece que já não há muito para falar, talvez mais escutar...

A partilha, o diálogo, o monólogo dá lugar ao silêncio. Será um momento de puro egoísmo?

Não sei. Não deixa de ser estranho, calmo e estranho.

A “musa” que me inflamava tem-se vindo a desvanecer e aos poucos tenho perdido a vontade de escrever.

Não sei se é apenas uma fase… se é um sintoma de pura domesticação… se é apenas desistência…

Por vezes tenho saudades de mim. Outras não.

Creio que este Outono espelha claramente a entrada do “Outono” da minha vida. Neste momento, simplesmente, deixo a folha cair e vou-me despindo das roupas pesadas de um passado para, espero eu, poder florescer discretamente na Primavera, leve e com renovada energia.

O percurso que fazemos e todas as etapas que superamos ou não, são sem dúvida, a vida!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

De volta!






De volta!

Com o outono em todo o seu esplendor como moldura do meu novo “rentrée”, cá estou para mais uma viagem convosco.
Sei que normalmente esta estação é mais associada a tristeza e depressão, mas para mim, é a estação das cores fabulosas que encontramos nas árvores e no chão como um tapete infinito; é o aconchego dos agasalhos, das bebidas quentes e da nostalgia.
Sem promessas nem grande expectativas, procurarei também, trazer os sentimentos e emoções como um manto aconchegante de cores.
Este espaço tem uma nova “ roupa”, onde se realçam as suas páginas, que já existiam, mas que vou tentar dar-lhes nova vida.
Agradeço a todos que me acompanham nesta viagem e como tal serão bem-vindas sugestões de partilha de assuntos, de melhoria do espaço, ou outra que vos pareça importante, pertinente ou interessante.
Até já!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

EM REMODELAÇÃO

 
Caros leitores,
companheiros de percurso, peço-vos desculpa, mas durante umas 2 a 3 semanas não "postarei" nada. Preparo algumas mudanças que, espero, valorizem este espaço.
Certa da vossa infindável compreensão, desejo-vos muita luz e até breve!
bem hajam!
Maga
 
 
 

domingo, 16 de setembro de 2012

Beleza...


A importância da beleza na sociedade atual é deprimente.
Porquê? Porque como se diz sendo uma sociedade em que somos todos diferentes nos seja imposto o sermos todos iguais. Que cada um de nós se transforme, que há individualidade se imponha a igualdade no pior dos sentidos, ou seja, que nunca nos aceitemos como somos, mas que queiramos ser como os outros acham que devemos ser.
Que a beleza seja algo instituído.
Tendências sempre houve ao longo dos séculos e de alguma forma marcaram sempre as pessoas. No entanto era suposto alo longo dos tempos essas diferenças se diluírem o que veio a acontecer de alguma forma até aos dias de hoje.
Mas hoje, mais que nunca, somos escravos da imagem, de marcas, da publicidade e marketing.
Quando ouvimos, e eu vou usar como chalaça, que “as mulheres gostam de homens de farda” a mim parece que seria a solução para muitas más situações. Se usássemos farda independentemente do trabalho (obviamente com exceções) e tivéssemos ao nosso dispor um tipo único de roupa, com certeza as nossas preocupações, os nossos interesses, os nossos pensamentos, seriam desviados para algo muito mais importante como, nós e os outros em “pé de igualdade”.
Desengane-se quem pensar que eu não sou como os comuns mortais “vítima” da moda, da vaidade e do consumo imediato. Felizmente começo a ficar cansada de tanta dependência e de procurar ser igual a todo o mundo, quando eu sou efetivamente diferente e atípica e tenho tido dificuldade em me aceitar como tal na mesma proporção em que tenho tido dificuldade em me tornar igual.
Este desejo de encaixarmos em estereótipos leva-nos por vezes a tomar medidas desesperadas, a incorrermos em caminhos perigosos muitas vezes minando a nossa saúde física e mental.
Como fugirmos deste ciclo e desta “prisão social”?
Hoje quando nos impõem determinado “look” para respondermos a empregos, até nos impõem o caráter e personalidade. Sites em quantidade q.b. que nos “educam” como fazer e estar para respondermos a este ou àquele tipo de emprego; revistas e não só, que nos dizem que tipo de homem ou mulher estão em voga; que tipo de vida, desporto, restaurantes, locais etc, devemos frequentar para estamos “in” e não “out”. Como manter a nossa individualidade, a nossa originalidade e o nosso carisma?
Não é fácil mas não é impossível. Acima de tudo temos que parar, olhar para nós e, começarmos a gostar do que vemos. Aceitar o que temos, melhorar-nos como pessoas e sentirmo-nos bem na nossa “pele”. Acima de tudo aceitarmos a diferença como uma mais-valia do ser humano.
Procurarmos a beleza das pessoas e não a beleza nas pessoas!

sábado, 8 de setembro de 2012

Escrevo porque...


Ainda e a propósito do último post, posso dizer, que momentos há, em que me sinto feliz só pelo facto de poder escrever. Momentos há, também, em que sinto verdadeiro prazer por o fazer. No entanto nem sempre escrevo por esses motivos. Escrevo, porque preciso de verbalizar de forma comedida, pensada, o que me assalta como receio, ansiedade, dúvida, paixão… enfim, que possa transmitir, partilhar e comunicar sem mostrar totalmente o meu lado mais selvagem e impulsivo. Não quero com isto dizer que não escreva de forma apaixonada, impulsiva e até selvagem, mas ao contrário da palavra oral, posso parar, ler, reler e… modificar, corrigir…
Posso controlar o descontrolo em mim!
Posso criar o mundo que eu entender, dar vida, alma, às personagens que eu inventar. Posso inclusive viver nesse mundo sempre que o crio. São momentos de felicidade.
Posso e vou para a realidade sempre que me encontro num cruzamento imaginativo.
Páro, escuto, olho e volto. Volto de novo para esse mundo que estou a criar com novas ideias, com subtilezas adquiridas e emoções para oferecer.
Sou uma “imitadora” de Deus!
Procuro naquilo que escrevo criar caminhos que me ajudem a chegar ao meu destino… porque posso sempre voltar atrás e tentar não fazer os mesmos erros… posso ler a minha história exatamente como a vivi no momento e, fazer dela a minha bíblia para o futuro. Posso fazer aquilo que os homens não fazem: ter em conta a história para que ela não se repita nos erros…

Extravaso a dor, a alegria, as lágrimas, o riso, a frustração, o sucesso, enfim dou de mim nas palavras e às palavras escritas. 

domingo, 2 de setembro de 2012

Felicidade


Felicidade.
Explicar o que é a felicidade, para mim, foi o desafio que me lançaram.
Eu não creio entender bem o conceito de felicidade. Quando o pesquisei percebi que nos remete para sinónimos ou palavras da mesma família. Mas se quiser dizer simplesmente: estar bem, creio que é como tudo: um momento.
Para mim, felicidade são momentos na vida em que na maior parte das vezes só consigo ver o lado positivo das coisas e encontrar razões para sorrir, rir e divertir-me. Quando penso mais profundamente nisso acho que foram sempre momentos em que me distanciei de alguma forma da realidade do dia-a-dia. Que me esqueci, por momentos, das contas, dos problemas dos filhos, do trabalho em suma daquilo que parece ser minha responsabilidade. Provavelmente, e isto ocorre-me há medida que vou pensando sobre este assunto, foram momentos em que pensei mais em mim. Não sei se isto significará que para eu ser feliz terei que ser egoísta, mas a verdade é que na maior parte das vezes em que não estou nesse momento, é frequente dizerem-me “tens que pensar mais em ti; fazeres mais aquilo que gostas; sair divertir-te, estar com outras pessoas”…
Eu acho que para ter momentos de felicidade preciso de estar ocupada com algo que me prenda a atenção, o pensamento, o corpo. Pode ser de mim, pode ser dos outros, conquanto e acima de tudo não tenha tempo para pensar, analisar, questionar e debater-me com as coisas do dia-a-dia.
E sim o dinheiro pode ajudar sem dúvida, mas também a saúde, os amigos, a família, o trabalho, a sociedade, o país…e eu! É muita coisa da qual pode depender a felicidade. Talvez por isso, sejam apenas momentos.
Momentos que podem ser mais longos mais curtos, mas momentos. Aliás é disso que a vida é feita. É preciso aprender a lidar com esses momentos os melhores e piores, e não nos extasiarmos com os bons para que depois os maus não nos pareçam tão maus.
Alguém me disse há muito pouco tempo, que precisava de encontrar a felicidade dentro dela, que não queria que a felicidade dependesse dos outros. Achei isso fabuloso! Questiono-me no entanto e sem querer ser cínica, como é que se chega aí, sem virarmos autistas ao mundo que nos rodeia, às responsabilidades que fomos acumulando, aos hábitos que fomos adquirindo, mas acima de tudo ainda mais difícil é como conseguir isso presentemente e no contexto de uma vida, supostamente, normal ou vulgar.
Provavelmente a felicidade é um conceito que existe em nós. Cada um de nós utiliza-o como achar melhor.
Neste momento felicidade para mim é um conceito vazio como qualquer outro, ou apenas um momento que ainda não chegou…

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Eu


Tenho escrito sobre assuntos que são comuns a todas as pessoas, de uma forma geral, o que muda é o “jeito” de os viver e sentir. É aí que “a porca torce o rabo” e que acabamos por achar que experimentamos momentos diferentes, os sofremos ou os apreciamos como ninguém.
Pois bem desta vez não vou falar do geral. Vou falar de mim. A minha vida tem sido rica de experiências, de emoções, de sentimentos, tudo em quantidades que não consigo mensurar nem tão pouco a percentagem positiva e negativa. Sei que em muita coisa tenho mudado, mas há algo de qual eu tenho tido dificuldade em me livrar: da esperança. Por mais fino que seja o fio com que me agarro a ela, ela está lá. No entanto quanto mais fino mais o sofrimento se prolonga e eu nem sei bem porquê. Tento na maior parte das vezes racionalizar os meus sentimentos e emoções, identificar a origem, as causas e procuro equilibrar-me. Este processo acontece em qualquer situação, boa, má ou assim assim, mas é efetivamente na má, que eu tenho mais dificuldade em atingir o ponto de equilíbrio.
Sei que de uma maneira geral as fases de transição de idades provocam sempre um tsunami de emoções: a passagem dos 20 para os 30, dos 30 para os 40, dos 40 para os 50 e por ai fora. Claro que quanto mais distante dos 20, o tsunami atinge graus elevadíssimos. Faz parte da vida.
Então se faz, porque nos sentimos tão em baixo?
Quando estou mais “down”, “blue”, “sad”, enfim podia continuar com estrangeirismos, que aprecio tanto usar, mas, quando estou mesmo à beira do precipício, para além de outras ferramentas, algo que me dá algum alento e me faz agarrar o fino fio da esperança, é saber que há outras pessoas que conseguiram superar os problemas mais comuns e deram a volta por cima. Passo a explicar: quando penso no falhanço do meu casamento “olho” sempre para aqueles casais que conheço e que têm conseguido apesar das dificuldades, gerir e ultrapassar as barreiras, sempre juntos; quando olho para o espelho e vejo aquilo que não quero ver, penso nas pessoas que conheço com dificuldades e incapacidades que os limitam de alguma forma, mas que mantém uma “joie de vivre” fabulosa; quando me lamento, sozinha a meio do mês que não tenho dinheiro para nada, penso que tenho uma casa, um trabalho, comida e o passe do autocarro…
Claro que mentiria se dissesse que, fico logo fantástica e caminho para longe do precipício, mas momento a momento vou-me afastando. Mas… o que acontece quando esses exemplos começam também eles a dar parte de “fracos”?
Eu sei o que sinto. Sinto-me um jarro de água a atingir o ponto de ebulição. Grave, pois ninguém se consegue aproximar de mim e nem eu consigo querer que o façam.
Esta jornada que fazemos dia após dia é a mais solitária que conheço de tanta solidão que já experienciei.
Acredito que eu sinto assim, outros sentirão de outra maneira, mas no fim estamos mesmo sozinhos!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Revolução feminina.....


Questionaram-me há pouco tempo sobre a revolução feminina ou feminista e o que eu considerava ter trazido para a mulher.

Mais uma vez considero que não se pode falar de maneira nenhuma do geral. Primeiro porque na nossa linda Terra, existem muitas culturas que veem a mulher de formas perfeitamente distintas bem como o seu papel na cultura, na sociedade, na família, etc. Posso eventualmente falar sobre a minha realidade, minha como mulher, e de todo o contexto em que me insiro bem como das partilhas que tenho com outras mulheres.

Creio acima de tudo que aqui em Portugal e, dado que estamos inseridos na Europa, estamos ainda muito atrasados. Não no que respeita ao facto de a mulher ter uma profissão, mas acima de tudo no que isso representa para ela. Excluindo como é de “bom-tom” as exceções, a mulher portuguesa conseguiu acima de tudo uma carga de trabalhos. Acumulou as tarefas domésticas, a educação dos filhos, a profissão e todo o desgaste que isso acarreta física, mental e emocionalmente. Sim a legislação hoje já permite ao pai “usufruir” de algumas situações que lhes permite partilharem as responsabilidades da paternidade, mas para que isso aconteça é preciso que o pai queira “desfrutar” das ditas e, por outro lado, que a entidade patronal o permita e, sabemos que não é preciso de dizer que “não”…                               

Depois aquilo que me é dado a sentir é que o papel da mulher no casamento estará, quase sempre, muito mais ligada à vida doméstica, do que o homem. Se bem que se vai constatando algumas alterações nesse padrão, a maior parte das vezes é mesmo por força das circunstâncias, como por exemplo, o homem ficar desempregado, que o romper de preconceitos se vai fazendo sentir. Acima de tudo o que eu sinto como mulher são as ideias e preconceitos profundamente enraizados na nossa educação e cultura que mudam pouco. Quando me refiro à mudança de ideias, estou a falar da mudança de mentalidades que é terrivelmente lenta na sociedade portuguesa, e não falo só em relação aos homens também nas mulheres ela se vai fazendo lentamente.

A mulher conseguiu muita coisa. O ensino superior está pejado de mulheres e segundo estatísticas, das quais eu “desconfio” sempre, até em maior número que os homens, se bem que não me parece ser muito difícil, uma vez que também são em maior número... Têm vindo a ocupar cargos, considerados até há pouco tempo, só de homens. Têm estado mais em destaque na vida política, publica, etc., mas, espelha efetivamente a realidade das mulheres portuguesas? E isso quer dizer que o homem está a perder relevância? Não me parece. Não, na sociedade portuguesa.

Como já referi, o que eu creio que está a ser demorado é mesmo a mudança de mentalidade. Digo isto, porque tenho tido o privilégio de conhecer pessoas de outros países e apercebo-me da diferença brutal, genericamente falando, da forma como homens e mulheres se relacionam de outras nacionalidades em comparação com a nossa.

Claro que existe hoje em dia muita mistura e parece-me, não tendo a certeza, que os jovens serão diferentes no futuro, até porque vivemos uma época muito conturbada e de grandes mudanças e incertezas. Mas ainda temos um grande caminho a percorrer. O que me assusta é que as pessoas estão tão estafadas de tentar adaptar-se a novas versões de Homem e Mulher, que estão nitidamente a desistir... não sei ao que isso poderá levar...

Acresce, a tudo isto, as diferenças culturais existentes no planeta. Assim temos os muçulmanos, os asiáticos, os latino-americanos, etc., que são uma mescla cultural em que o papel da mulher está, para nós europeus, escravizado, humilhado, amordaçado, violentado, etc. Então o que conseguiu a mulher?
Para além de “muita areia para a camioneta”, um infindável rol de dúvidas, de culpas, de receios e… uma maravilhosa sensação de “EU SOU CAPAZ”!
 
 

domingo, 19 de agosto de 2012

generalizações à parte


É interessante que independentemente, da idade, sexo, profissão, educação, etc., as generalizações só servem mesmo para mote de discussões e nada mais. Há padrões comuns consoante os casos, mas no meu entender só no que realmente é básico.
Há uns tempos atrás falava com uma amiga sobre homens e sobre os seus gostos pelas mulheres. Era uma típica conversa de mulheres que procuravam teorizar e generalizar os homens, neste caso.
A conclusão, salvaguardando as exceções e segundo a nossa parca experiência, foi de que os homens na facha dos 30 gostavam e interessavam-se por mulheres mais maduras, os de 40 e 50 gostavam delas bem novinhas.
Curiosamente pouco tempo depois, falei com um conhecido meu que rondava os 35 e, o assunto namoradas veio “à baila”. Então, inexoravelmente contra a conclusão a que eu e a minha amiga tínhamos chegado, ele preferia-as bem novinhas, vinte e poucos, loiras, morenas, inteligentes e magras.
Em contrapartida achava que as mulheres da idade dele eram ou umas acomodadas ou maradas. As mais velhas nem eram generalizadas. Às tantas dizia-me que já não havia mulheres equilibradas, ou pelo menos não se encontravam facilmente.
Eu falei-lhe da conclusão que tinha chegado com a minha amiga, que devo referir é bastante mais nova do que eu, e ele não concordou de todo. Pelo contrário alegava que as mulheres amadureciam muito mais depressa e como tal preferiam homens mais velhos porque, mais atrasados na questão do “maduro” só os mais velhos estavam no mesmo patamar dessas jovens.
Não pude de deixar de sorrir, internamente, pela forma díspar com que víamos situações semelhantes e como podíamos se quiséssemos justificar infindavelmente com um monte de clichés as nossas ideias.
Isso fez-me pensar no que assenta efetivamente as relações: no visual, na idade e pouco mais. E fiquei feliz por ser uma senhora já com um “bom amadurecimento” que me permite, sorrir perante as escolhas limitadas e pobres de cada um de nós.
E achei que o envelhecimento é mesmo muito mal tratado nesta sociedade tão hipócrita. De tal forma que se parássemos para pensar saberíamos que assim que nascemos estamos a envelhecer. E que esse processo, não fosse a educação castradora, mesquinha e triste que a sociedade e cada um de nós “impingimos” uns aos outros, é um processo maravilhoso de conhecimento e aprendizagem. Se cada um de nós pensar um pouco perceberá que momentos há em que as coisas parecem não fazer sentido nenhum, mas mais tarde perceberemos que faz todo o sentido. Eu diria que é aquilo a que o povo chama de “caminhos insondáveis de Deus!”
Sim perdemos o vigor físico, a beleza tal qual está instituída, como sendo a juventude a sua “chama olímpica”, mas ganhamos muito mais… se quisermos. A aceitação, a serenidade, o conhecimento…. Enfim, creio verdadeiramente, que ganhamos bem mais do que perdemos. Infelizmente não é isso que esta sociedade evoluída nos diz. Obviamente nada se consegue simplesmente. É preciso querer crescer, aprender e aceitar, e nem todas as pessoas o conseguem.
O meu conselho simples é o mesmo que alguém muito jovem me deu a propósito de um outro assunto: Desfrutem da viagem e sejam fortes! 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Informação?



“Boom” tecnológico! Internet!
Informação? Conhecimento? Acessibilidade? Privacidade?
Poderão co-existir ou serão simplesmente antagónicas?
Parece-me, ser tudo possível.
A privacidade é um conceito que como muitas outras coisas, está a mudar.
Hoje qualquer um de nós tem conta numa rede social, mas mesmo aqueles que não as possuem porque, acreditam que de alguma forma a sua privacidade está mais guardada, enganam-se.
Quase todas as empresas públicas e privadas têm sites, muitas vezes com informação dos funcionários, responsáveis por isto ou por aquilo, o contacto eletrónico, etc., e quase todo o tipo de informação que considerem relevante para a empresa como forma mais fácil de chegar até ao público em geral. Muitas (empresas e instituições) optam também por ter conta nas redes sociais. Cada vez mais, é através da Internet que fazemos os pagamentos dos nossos impostos e das nossas dívidas, que enviamos a declaração, de IRS de IRC, etc. Cada vez mais optamos por ter telemóvel para podermos estar sempre “contactáveis” e, através dele, também e, cada vez mais, podermos aceder a qualquer tipo de informação, inclusive utilizá-lo como GPS. Assim parece-me inevitável a entrada de cada um de nós no mundo virtual, bem como a nossa informação dita privada. A privacidade está a mudar ou a deixar de existir?
Claro que como tudo, depende sempre do uso que se faz das ferramentas a que temos acesso.
Como sociedade cheia de interesses que não são, acima de tudo o ser humano, todas as coisas boas têm um lado mau e se for rentável não há como fugir há parte má.
A história está cheia de exemplos cujos inventos partiram de ideias positivas e acabaram quase sempre, a ser utilizadas de forma negativa, nomeadamente, a bomba atómica, a morfina, até o papel…
Como controlar o rumo das coisas? Porque parece sempre destacar-se o lado pior das coisas?
Numa sociedade em que prevalecem interesses “transcendentes” ao comum mortal, é muito difícil controlar o que quer que seja, contudo, não é impossível. Quanto à privacidade ou falta dela, também depende da escolha de cada um de nós.
Para mim é preferível podermos optar a não termos escolha e, como informação é poder, devemos, sem dúvida nenhuma, ter acesso a ela.
Os caminhos sinuosos que entretanto teremos que contornar, serão também eles uma aprendizagem que nos farão mais fortes… ou talvez não. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Amor é...

“O número de divórcios em Portugal registou uma diminuição de mais de 500 casos face a 2010, o que acontece pela primeira vez em 11 anos, indica a Direcção-Geral da Estatística de Justiça (DGEJ).” (in: http://www.publico.pt/Sociedade/numero-de-divorcios-baixa-apos-11-anos-sempre-a-crescer-1556800)
A crise será um fator positivo para a diminuição do número de divórcios em Portugal?
Se assim é porque não se regista o mesmo na Irlanda ou Itália?
De uma maneira geral o casamento foi sempre um acordo entre as partes, por esta ou por aquela razão, nunca foi, generalizando, o amor, a única razão que mantinha as pessoas casadas.
O casamento era até há bem pouco tempo uma “obrigação” social, intrinsecamente misturada na nossa educação e nas nossas necessidades básicas.
Hoje, se bem que ainda exista a questão cultural, o casamento está a mudar, ou pelo menos a forma como o entendemos, ou melhor como eu o entendia, e claro refiro-me ao conceito de casamento na sociedade ocidental, mais precisamente europeia e, ainda mais concretamente latina.
Daquilo que eu tenho conseguido perceber e apreender o casamento faz-se cada vez mais tarde, geralmente e acima de tudo, porque se planeia tudo supostamente até à exaustão: um trabalho “seguro”, algum dinheiro de reserva, uma casa, um carro, enfim um rodo de questões materiais supostamente essenciais ao sucesso de um casamento. Depois casam-se e divorciam-se como quaisquer outros. Porquê? Eu não possuo, de forma nenhuma uma teoria para um casamento de sucesso, até porque como muitos outros falhei, sou divorciada, mas creio poder dizer que efetivamente amor e uma cabana é uma ideia absurda, mas o contrário também. Ou seja, a questão, para mim e nunca será demais dizê-lo, tem muito mais a ver com os dois que se casam, o amor, a cumplicidade, a convergência e a vontade de querer levar esse compromisso a bom termo. Não é nada fácil. É uma “luta” diária contra o egocentrismo, comodismo, a bagagem social e cultural que levamos, e contra todas as forças que de uma maneira ou outra nos vão tentando noutras direções.
Claro que nem sempre valerá a pena travar essa luta, até porque singularmente, cada um de nós é resistente às mudanças e por vezes são mudanças bastante radicais que são exigidas. Aqui questionamos se existirá algo entre essas duas pessoas que valha a pena insistir, persistir…
A questão muda de figura com a vinda de filhos. Tudo muda! A mudança é avassaladora e nada nos prepara para isso. Se tudo aquilo com que tínhamos de lutar sem filhos, com filhos a luta vira uma guerra. Aliado a todas estas questões, temos o tempo que passa, a rotina que se instala, o cansaço… Mas nada disto é trágico, pelo contrário é normal. Mas depois estamos inseridos num meio em que o que parece é que é bom mesmo podendo não ser. Então somos bombardeados com entrevistas de casais fantásticos, amigos que parecem ser o casal maravilha, amigos de amigos que são um sucesso e… claro o sexo que está mega híper falsificado. Porquê? Quanto mais não seja porque basicamente  sexo é a coisa mais natural num casamento e quando tudo o resto funciona isso também funcionará e com uma qualidade que me parece muito mais interessante que aquela que se dá ao mesmo feito apenas por “necessidade básica”. E somos então apenas “coisinhas” constantemente programadas de acordo com interesses que nos transcendem, a nós, comum, para sermos aquilo que é interessante que sejamos para os mesmos cujos interesses que nos transcendem.
Não estou a ser puritana, nem pouco mais ou menos. O sexo é bom, vende, e se eu tivesse um blog a falar da minha experiência sexual, real ou não, se calhar já tinha escrito um livro e até já estaria em filme… Quem sabe até financeiramente confortável. Mas o sexo também pode ser mau, péssimo, nojento... depende de muita coisa e, acima de tudo depende de cada um de nós.
Mas a vida é bem mais que isso. O casamento é o assumir daquilo que somos: seres animais, que acasalam, que sentem necessidade de fazer o ninho mas com uma grande diferença dos outros animais, ou pelo menos deveria ser IMENSA essa diferença: ser inteligentes, emotivos e racionais.
Depois com o divórcio existem as segundas, terceiras e, por aí fora, de oportunidades. O que acontece passado um tempo, obviamente existem exceções, é que: “vira o disco e toca o mesmo” com música diferente e interpretes também. Onde fica a aprendizagem?
E temos os casais homossexuais a quererem casar. Porque não? Amam-se, são cúmplices, querem partilhar uma vida e querem dar amor. Como os outros também descasam… então porque não?
Casamento é assumir um compromisso e honrá-lo, senão porquê fazê-lo "até que a morte nos separe, na tristeza e na alegria, na doença e na saúde...", basta alugar uma casa e juntarmos os trapos e pronto. Hoje temos essa alternativa, fácil e descartável.
As razões culturais/sociais para um casamento tem a ver com tudo menos com aqueles que o vão realizar e viver.
Mais uma vez, supostamente, os divórcios diminuíram pelas razões erradas, interesses meramente materiais. É triste não é? Evolução para quando?

Everybody hurts

When your day is long
And the night, the night is yours alone
When you're sure you've had enough
Of this life, well hang on

Don't let yourself go
'Cause everybody cries
And everybody hurts sometimes

Sometimes everything is wrong
Now it's time to sing along
When your day is night alone (Hold on, hold on)
If you feel like letting go (Hold on)
If you think you've had too much
Of this life, well hang on

Everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hand, oh no

Don't throw your hand
If you feel like you're alone
No, no, no, you are not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much of this life to hang on

Well, everybody hurts sometimes
Everybody cries
Everybody hurts sometimes
And everybody hurts sometimes

So hold on, hold on
Hold on, hold on, hold on, hold on, hold on, hold on
Everybody hurts


R.E.M

terça-feira, 31 de julho de 2012

Legal vs Moral


Legal e moral!
Dois termos que frequentemente ouvimos e utilizamos, mas, que quererão dizer? Um implicará o outro? Ou pelo contrário, onde existe um não existe o outro? Ou poderão coexistir mas nem sempre…?
Depois de muito pesquisar percebi como era um assunto deveras complexo. Pese embora a árdua tarefa em que me vi envolvida, decidi que desistir não era o caminho.
Então cheguei a uma conclusão: Legal, lei, direito, justiça e até verdade eram termos que não levavam a lado nenhum pois sempre que o tentava deslindar mais emaranhado se tornava o seu significado, redundante e circular.
Vejamos: legal - que está consoante a lei; lei - preceito ou regra estabelecida por direito; direito - o que pode ser exigido em conformidade com as leis ou a justiça; justiça - Conformidade com o direito; verdade - Coisa certa e verdadeira.
Ou seja, qualquer significado leva de um para o outro que por sua vez nos levam aos que promovem as leis que numa sociedade moderna, democrática seriamos todos nós o povo, representado pelos nossos eleitos. Pois!
Moral - Conjunto dos princípios e valores morais de conduta do homem; Que procede com justiça = correto, decente, honesto, íntegro, justo, probo.
Aqui deparamo-nos com termos que nos fariam continuar a andar numa montanha russa, completamente intrincada e arriscar-me-ia a fazer uma pseudo dissertação filosófica. Não é essa a minha ideia.
Foi aí que percebi que efetivamente estas questões são todas elas peças de uma feira de diversão. Com carrosséis, montanhas russas, algodão doce, farturas e claro, carrinhos de choque.    
Não passam de engodos com os quais nos enganam, manipulam, iludem, ludibriam, obrigam. Neste mundo onde a riqueza está tão mal distribuída, onde uns têm tanto e outros nada (e não me venham dizer que os que têm muito é porque trabalharam para o ter e os que nada têm nada fizeram), onde uns têm direito à vida e outros não…onde ficam estes supostos valores da justiça, moral, legal, verdade, direito?
E a propósito da questão do Sr. Relvas: é legal (parece) mas é moral? É um direito de um ou de todos? É justo? É um direito?
E tudo o resto? Não falo de Portugal, falo do mundo!
Parece-me que vamos continuar na feira de diversões com a “pequena” diferença que não tem piada nenhuma e a diversão é só para aqueles que ficam do lado de fora a… “observar”!
Não é fácil  isto do legal e moral!



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Cordão umbilical


Nada nos prepara para a vida!

Ou pelo menos o conceito que eu tinha do que poderia ser, não é.

Eu sei que fui lenta e continuo a sê-lo no que respeita às lições que vou retirando dos tropeções nas surpresas, armadilhas, ratoeiras da vida.

A luta que travo diariamente entre aquilo que me foi ensinado, transmitido e partilhado como valores, responsabilidade, caráter e até personalidade e, aquilo que me vai sendo injetado, incutido, induzido, manipulado, por essa coisa da informação global, dos média, da publicidade, da Aldeia Global, é avassaladora!

Perante o cansaço de luta inglória, do esforço de manter a minha dignidade como ser igual mas diferente, eis que mais uma derrocada se abate sobre mim, deixando-me completamente inerte, ferida, impotente…

A maternidade foi e é sem dúvida o maior desafio como qual me tenho debatido desde a minha primeira gravidez até ao momento presente. É o mais fantástico e o mais frustrante. Consegue criar picos de bom e mau tão grande e tão opostos que se torna impossível mantermos a sanidade na constante montanha russa emocional na qual somos envolvidos a maior parte da nossa vida.

Felizmente (espero) a maior parte dos pais não partilhará deste meu desequilíbrio em relação à maternidade/paternidade.

Mas só posso falar por mim. É então que pergunto neste percurso que tenho feito, que tenho através dos factos, acima de tudo, procurado mostrar que devemos ser honestos, transparentes, trabalhadores, amigos, generosos, humildes q.b., etc. a uma dada altura tudo isso se transforma em: mãe, acomodada, sem ambição, triste, depressiva…

E para contrariar essa herança “genética” a tua filha transforma-se numa jovem com um sentido exacerbado e pouco realista de ambição, querendo mostrar a todo o custo que não cede perante “heranças genéticas” e vê-se assim alvo fácil de seres execráveis que abundam, sempre à espreita da fragilidade, imaturidade, insegurança, lirismo e ambição.

Quando se deu essa mudança? Desses seres que amamos até à exaustão, que gostamos deles de qualquer forma, cada milímetro deles, que temos presente, SEMPRE, o cheiro de bebé, o olhar de amor e segurança com que nos brindavam… Quando passamos a ser o inimigo número 1 e como lutamos contra o poder que é exercido neles na “Aldeia Global”? 
Saudades...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Vazio de nada


Não sei o que fazer. Eu sei que é mais um dia atrás do outro, mas sem nada a acontecer. Uma imensa e dolorosa tristeza que não desaparece. Nem escrever me apetece… a minha única forma de expulsar os fantasmas que me assombram.
É um vazio cheio de nada!
Não sei o que fazer. Um dia atrás do outro, mas sem nada acontecer.
Fora de mim tudo acontece. Coisas boas, coisas más… coisas graves e muito graves. Eu na pequenez da minha existência, vivo sufocada pela auto comiseração e mesquinhez de caráter e já não sei lidar com nada.
Fecho-me a cada minuto à contradição da pequenez da minha existência e à grandeza do universo.
 
Sinto-me só numa pequena ilha por mim criada. Já não sei fugir dela, mas também já não tenho vontade…
Fecho os olhos e já não sonho.
Não sei o que fazer. Um dia atrás do outro, mas sem nada acontecer.
Já não consigo respirar…




sábado, 9 de junho de 2012

Mudança....




Quando penso que já se escreveu tudo e que mais nada há a dizer, eis que se me aflora algo nos meus pensamentos que creio nunca ter visto, nem verbalizado, nem escrito.

Sei que um destes dias vou dar de caras com este “meu” pensamento escarrapachado algures por aí e escrito há uma porrada de anos. Não há originalidade, que o tempo não apague. A vida é um “dejá vu” momento a momento, vivido por mim, por ti, por todos… Cíclico e triste porque não há nada mais triste do que estarmos presos numa roda imensa onde as imagens, as sensações, as emoções, os acontecimentos se vão repetindo, mudando os atores, as cores do contexto, as estações do ano, mas… estupidamente iguais.

Vivo aprisionada na pergunta sem resposta: “Que faço aqui?”

Se não há resposta porque me fixo nela? Porque faço dela a base da minha existência? Se não há resposta…

Faço, porque a resposta estaria, quando muito, na mudança. Na mudança de paradigma. Seria a mudança do eu para nós, de mim para ti, seria de um para muitos e de alguns para todos.

2000 anos depois de Cristo existindo ou não, é um marco do tempo que nos permite perceber que nada mudou: continuamos a atirar pedras, a julgar, a cobiçar, a adorar falsos deuses, a matar, a adulterar, a furtar… Acima de tudo não sabemos AMAR!

Nada aprendemos e tanto nos foi ensinado neste tempo e eu não sei como fugir às garras desse demónio que me deixa paralisada na ignorância … É como se fosse uma toxicodependente que sai da reabilitação e volta a cair nas malhas da desgraça.

O tempo vai passando e as forças vão faltando, esmorecendo a vontade e o desejo ficamos zombies dentro da nossa própria incoerência, incongruência e cobardia. Assim caminhamos… no tempo que nos resta…

Estranhamente inquietos mas… quietos! 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Baralhada

E se as nossas memórias puderem ser alteradas?
Faria toda a diferença? Alguma? Nenhuma? Continuaríamos a ser nós?
Se já se pode induzir uma pessoa em coma, fazer transplantes de coração, escolher o sexo do nosso bebé, porque não mudarmos as nossas memórias?
Pergunto-me: se mudasse as minhas memórias e, em vez de me lembrar dos meus pais me lembrasse de outros, e de outra infância e de outros irmãos, provavelmente não seria quem sou neste preciso momento. Claro que teria que lidar com as memórias recentes… era capaz de me dar um nó… não sei… No entanto é curioso como afinal o cérebro apesar de ainda ser um enigma, ser ao mesmo tempo, tão manipulável, quase como um mecanismo analógico em que as ligações de um fio podem alterar todo o seu funcionamento ou, se quisermos mais atual, como um computador com um novo software, ou um novo sistema operativo e depois tudo muda, comandos, teclas enfim…é só reiniciar!
Começo a preocupar-me com a possibilidade de ninguém ser verdadeiramente alguém.
Já somos fruto da educação, do social, da televisão, dos média, da publicidade… como não bastasse podemos ser fruto de novas programações.
Por mais que me questione sobre este assunto realmente não consigo chegar a lado nenhum. Não, que não entenda, que a manipulação é a melhor forma de ter poder, mas para quê? Num sítio em que tudo é efémero e que nada nem ninguém parece já ser quem parecem ser, que valor pode ter isso, da manipulação?
Pois, é um nó! Porque me questiono sobre estas coisas? Nem eu sei bem! Será que com o prazo de validade a esgotar-se, os fios começam a desligar e, eventualmente, começo a ser quem era? Ou será, simplesmente que com os fios a desligar, estou a baralhar? 

domingo, 20 de maio de 2012

Eu e o meu sofá

Eu e o meu sofá.

Somos como unha e carne. Adoro o meu sofá.
Ao contrário daquilo que as pessoas dizem, eu acredito que não teremos tempo nenhum para o descanso nem para coisa nenhuma, quando chegar a hora. Por isso aproveito o meu sofá para ter uma cumplicidade única. Descanso fisicamente, mentalmente, choro, falo, como, bebo, enfim faço quase tudo no meu sofá. Criticam-me por isso. Dizem que devia passear, sair, estar com pessoas… Isso é o que faço normalmente e do qual descanso junto do meu sofá.
Ali posso ser simplesmente eu. Partilhar o bom e o mau, sem críticas, acusações… posso viajar sem sair do sítio, ou porque vejo um filme, ou porque ouço uma canção ou porque simplesmente sonho… acordada ou a dormir.
Ah! O meu sofá. 
Posso sempre trocar de sofá, que não há despedidas dramáticas, nem saudades estúpidas, nem arrependimentos. Não há choro, apenas o que tem que ser quando tem que ser.
Levo para o sofá o que quero. Um livro, o verniz, o telemóvel, o computador e entrego-me a essas tarefas sem culpa, sem stress, simplesmente….
Eu e o meu sofá.
Sim, eu e o meu sofá somos como aquelas frações em que há sempre um denominador comum: Eu, e o numerador que vai mudando: o sofá. Há melhor relação? Uma em que podemos ser nós próprios, sem dor, sem emoção, sem sentimentos para enublar a vontade, sem repressões de preconceitos instituídos… Livre, livre!
Ah! Eu e o meu sofá.

sábado, 12 de maio de 2012

DeProfundis

Já há algum tempo que me demiti (temporariamente) da escrita e da leitura.

Finalmente  consegui ter um fim de semana! Apesar do muito trabalho doméstico acumulado pela falta dos mesmos, entre esperar que o chão seque e a próxima tarefa, um livro esquecido no tempo e que o meu filho mais novo  tirou da estante, chamou-me a atenção: De  Profundis – valsa lenta, de José Cardoso Pires.
Eu já sabia da razão de ser deste livro, ou o que lhe deu origem. José Cardoso Pires sofreu um acidente vascular cerebral bastante grave, mas que segundo ele, graças à inteligência e profissionalismo da equipa médica conseguiu recuperar maravilhosamente, de tal forma, que escreveu na primeira pessoa esse tempo que como ele tão bem ilustra “Sem memória esvai-se o presente que simultaneamente já é passado morto. Perde-se a vida anterior. E a interior, bem entendido, porque sem referências do passado morrem os afectos e os laços sentimentais. E a noção do tempo que relaciona as imagens do passado e que lhes dá luz e o tom que as datam e as tornam significantes, também isso. Verdade, também isso se perde porque a memória, aprendi por mim, é indispensável para que o tempo não só possa ser medido como sentido.”
Há medida que a leitura fluiu as perguntas vão assolando a minha mente… minha mente, será? Minha? Mente?
Depois desta leitura questiono-me para onde vamos quando algum fio desconecta no cérebro? Onde esteve Ele quando o Outro tomou posse? Que fragilidade e precaridade de ser… Esta viagem em que nos leva Cardoso Pires é fascinante pelo facto de alguém que “…a desmemória não só o isolou da realidade objectiva como o destituiu, pode dizer-se de sentimentos. Perdeu os estímulos de aproximação porque sem consciência da identidade que nos posiciona e nos define num framework de experiências e de valores, ninguém pode ser sensível à valia humana do semelhante.” Ter voltado a ser quem era e ter podido partilhar com os demais essa sua aventura.
Depreendo que só do desprendimento das coisas e de nós próprios poderemos encontrar a serenidade, pois de outra forma a vida torna-se angústia, tormento, dor… se tivermos consciência de quão precária e frágil a vida é. Por outro lado, se não houver essa consciência, a serenidade nem é precisa e a “felicidade” pode existir.
Não creio contudo que nos caiba a nós decidir qual dos caminhos percorreremos. Afinal parece ser tudo uma questão de, aquando do «nosso fabrico» termos sido bafejados por bons materiais e uma boa equipa. E ao longo do tempo da nossa «validade» os materiais terem tido uma boa resistência e, eventualmente, nas «revisões» que fizemos terem sido detetados atempadamente pequenas falhas. Parece que afinal, o destino, existe mesmo!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Grândola

ADEUS!



Pode ser assustador dizer ADEUS.
Poderemos estar a despedirmo-nos para sempre de alguém por vários motivos: morte, separação, viagem, passado… enfim haverá com certeza uma infinidade de razões, que não me ocorrem, para dizer ADEUS.
Claro que ADEUS não será necessariamente uma coisa má. E mesmo quando inicialmente nos parece, mais tarde, poderemos perceber que tinha mesmo que ser e, eventualmente, aceitarmos esse ADEUS, que na altura, até foi bem penoso.
Mas há outros ADEUS que por mais que nos esforcemos não conseguimos perceber o lado positivo. Esse ADEUS é aquele que vivemos hoje em dia, na nossa sociedade em geral e, na portuguesa em particular.
O ADEUS aos direitos adquiridos, à liberdade de expressão, aos direitos à saúde e educação para todos, o direito à Democracia… Estes direitos, que nos têm vindo a tirar com, arrogância presunção, soberba, egoísmo, intolerância, tirania e todos os adjetivos que possam ornamentar o estado atual do nosso pequeno país, estes direitos aos quais dizemos todos os dias ADEUS, serena, e pacatamente, sem revolta, acreditando que nada mais há a fazer… Estes ADEUS são mortes horríveis e penosas de um pouco ou muito de cada um de nós, todos os dias.
Este ADEUS que nos tolhe no seu medo de perdermos ainda mais o pouco que nos vais restando, já não de, dignidade, orgulho e amor-próprio porque esses já perdemos, mas o ADEUS aos poucos bens materiais que ainda vamos conseguindo segurar: casa, comida, água e os filhos a estudar…
Este ADEUS é a morte. É a morte da liberdade conquistada no 25 de abril de 1974. É a morte de  todos os que foram mortos e torturados pela pide, polícia política antes da Revolução dos Cravos,  e que homenageamos pelo força e coragem com que lutaram para podermos usufruir de liberdade e democracia. Este ADEUS é a nossa resignação à prepotência, estupidez e mesquinhez de alguns covardes incapazes de criarem soluções benéficas para o povo.  Preferiram vender-se ou melhor venderem-nos, mantendo-se com o seu estatuto, nível de vida, sem um arranhão.
Falam da Grécia para incutir o medo e darem o panorama mais negro de uma luta injusta de um povo indefeso contra a tirania. Não falam da Islândia, nem da Irlanda e das soluções que tomaram para resolver questões INTERNAS.
É o ADEUS à discussão livre e ao livre conheci mento onde se filtra apenas o que se quer divulgar como arma psicológica contra a justa INDIGNAÇÃO!
Este ADEUS é ASSUSTADOR!