sábado, 23 de abril de 2011

Diz o Povo...

Diz o povo “não metas a colher entre marido e mulher”.
Eu não sei como surgiu este ditado, nem o que tinha em mente quem disse a frase pela primeira vez. Mas realmente, na generalidade, ninguém sabe o que se passa entre portas e paredes. Porque nem sempre existem gritos, nem violência física que seja audível. Só mesmo os "protagonistas" sabem. Ou talvez não...
O mesmo acontece com cada um de nós. Quando vemos alguém a conduzir um carro topo de gama, pensamos “que injustiça! Como pode haver gente com tanto e outros com tão pouco”. Mas o que não sabemos é que essa pessoa vive num T1 quase sem mobília e bastante degradado. Quando vemos uma mulher bem arranjada, bem maquilhada, que espelha aquilo que vemos como sendo o sucesso nas revistas de moda ou as chamadas revistas femininas e pensamos “há pessoas realmente que julgam que são melhores que ninguém e só se exibem”. O que ninguém sabe é que essa mulher está totalmente sozinha, com imensas dívidas, todas as noites chora e pensa de cinco em cinco minutos na melhor maneira e menos aterradora de se suicidar.
Sim somos invejosos, críticos e carrascos uns dos outros. No entanto todos sabemos como é fácil enganarmo-nos e enganar. Sabemos que fazemos muitos juízos, críticas e sabemos também que nos enganamos. Todos vestimos uma máscara que impede as pessoas de saberem efectivamente quem somos fora e mesmo dentro de paredes e até muitas vezes nem nós sabemos muito bem quem somos e do que somos capazes...
Eu acredito que muitos acreditam (perdoem a redundância)que sabem perfeitamente quem são e quem são os outros. Aliás frequentemente ouço "Oh sei bem quem essa pessoa é!"
Pois, somos tão assertivos.
Eu sei de certeza que vou morrer!
Na realidade a teoria da relatividade é bastante generalista e engloba quase tudo. O ideal era mesmo mudarmos completamente, na essência, como seres humanos.
Quando alguém afirma que é visível a melhoria acentuada e a claridade de pensamento a evoluir… pergunto será que é?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A dor

A dor é tão egoísta e quanto mais intensa mais egoísta, narcisista e megalómana.
Quanto mais intensos são os sentimentos, mais sofremos.
Somos seres emocionais e é acima de tudo quando somos seres crentes no bem e no mal mas que aquele supera tudo e todos que mais sofremos. Acima de tudo porque somos seres genuínos, transparentes, sem premeditação nem jogos. Mas a vida encapsulada pelo viver em “comunidade” e “democracia” não nos permite sermos sequer SER!
Racionalidade, ambição, subserviência e acima de tudo adulação! Como quase todos os seres se rendem a esse advérbio quando verbalizado. Dá dó! Mas na realidade, tirando alguns casos excepcionais, são os ingredientes de… “sucesso”, “felicidade” e “inteligência”?
Nada é garantido apenas pequenas coisas como depois da noite vem o dia, que as chuvas vêm das nuvens e que nós, seres, estamos aparentemente vivos e que todos morreremos.
“A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento (…)”
Há seres iluminados e que conseguem de uma forma belíssima expressar aquilo que eu gostaria de fazer. Expor os meus sentimentos de forma perceptível, partilhá-los e provavelmente fazer deles a mensagem de seres iguais a mim.
Deus não me dotou de nenhum tipo de dom que me permita comunicar o que ferozmente me corrói no interior. Não me deu a possibilidade de falar gritando aos sete ventos o que está aprisionado no meu “coração” e de maneira nenhum “Sou o senhor do meu destino, sou o capitão da minha alma” talvez porque não cresci e porque não fui abençoada com a capacidade de ver além de mim própria, para além de outras bênçãos e as que tenho não as consigo valorizar como provavelmente mereciam.
Porque a dor seja qual for a razão tomou conta de mim… e me vem apagando lentamente.

A uma estrela

A uma estrela

Aprendi nos livros
que és grande,
brilhante,
poderosa.
Que atrais sobre ti outras forças menores.
Algumas das quais destróis,
devoras,
ou repeles em elípticas curvas.
Consegues dominar o fluxo do tempo.
Enganá-lo.
Estás já não estando.
Brilhando mas já não existindo.
Mas é esse mesmo tempo
que tu desafias, que tu enganas,
que te dá energia,
e te faz ressurgir de um negro buraco para uma nova vida,
aglutinadora de todas as energias
passadas.
E tu brilhas ainda mais intensa.
Mais forte.
Tão perto.
E tão distante!


António Silva
27-09-2010

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Dizem

Dizem-me… eu acho que me dizem muita coisa porque sou um ser humano perdido no tempo, no ser… acho que não sei ser. Daí que me dizem: tens que fazer assim, assado, agir deste modo… enfim procuram-me ajudar e eu tento, mas sem sucesso, seguir esses conselhos… provavelmente alguns dos poucos neurónios, que ainda funcionam, estão em curto-circuito. Como percebo o desassossego de Bernardo Soares e sou tão diferente… sou mulher. E apesar de se dizer que a mulher conseguiu um monte de coisas, o que eu sinto é que conseguimos encaixar no preconceito estipulado socialmente … senão estamos completamente ostracizados e à força toda temos que ceder, principalmente se temos quem dependa de nós. Embora digam também que temos sempre opções, obviamente sempre com um preço, mas efectivamente não temos. Querem-nos fazer acreditar que sim, mas não!
As nossas opções estão limitadas desde o momento que nascemos até ao momento que morremos. Os limites são impostos no ser social. E nos tornamos parte de um grupo ou cedemos perante as exigências do todo… ou seja, a nossa individualidade é sempre posta em causa, desrespeitada e controlada. A nossa “liberdade” é cerceada e nós procuramos a melhor forma de sobreviver nestes “bunkers” dominadores da “alma”.
O mais curioso é que apesar de nos debatermos com estas questões, de nos apercebermos dos problemas sob um outro ponto de vista, chamemos-lhe a contraluz, o que é facto que no fim somos apenas fiéis a nós próprios e a maior parte do tempo sofredores e lutadores contra os “moinhos de ventos” que o são porque não somos efectivamente suficientemente fortes e sim porque também somos muito ingénuos.
Considero-me um “Don Juan” na versão feminina. Chamaram-lhe paródia, alguém que perdeu o juízo e idealista. Curioso, sempre achei que primeiro temos que ser idealistas e depois iniciarmos a nossa luta, muitas vezes inglória, para tornar o ideal real… mas isso sou eu que continuo  a resistir há mudança que consideram importante ocorrer no meu processo de “crescimento”… Será que alguém sabe verdadeiramente o que isso é?
E apesar de tudo, se calhar por um absurdo estado de estupidez latente, acredito que a maldade, os jogos e a ambição desmedida e outros adjectivos próprios de um ser social de sucesso (não têm que fazer parte um mesmo pacote…) não são importantes. Acredito que um dia isso possa ser a LUZ para todos, ou pelos menos para a maior parte e que o meu ideal se torne real!