domingo, 30 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fora do tempo

Eu sempre disse que nasci fora do meu tempo. Este tempo em que existo não é o meu. Adoro o início do século XX. Sem falar nas duas guerras mundiais porque seria um assunto para outro momento, o início do século teve momentos que fizeram jus à nossa condição de Humano. No entanto não quer dizer que o meu tempo também não possa ser o futuro. Tenho mais dificuldade em imaginar o futuro porque acredito que estamos a dar cabo dele em todas as frentes. Também pode ser pelo facto de ter nascido no país errado. Se bem que o Sr. Dr. Mário Soares não goste das pessoas que falam mal segundo ele, a torto e a direito, vá-se lá saber o que isso quer dizer e a quem se poderá não referir... ou então é mesmo uma autocrítica... Enfim qualquer coisa deve ser. Mas dizia eu que o futuro, pelo menos do prisma de moi, portuguesinha de gema, não é interessante. Somos tão pequeninos e mesquinhos e apesar das lições que a vida nos vai dando continuamos... gostaria de usar um termo que definisse bem a situação mas... a pactuar com os medos, os compadrios, os pequenos feudos, a falta de visão (e não me refiro a cegos) a corrupção, a leviandade, o egoísmo e acima de tudo a maldade, apenas porque...sim. Dizem que é, porque enfim, estamos em crise e não sabemos de que lado vêm os ataques, ou então porque não queremos ter o destino daquela nossa colega incómoda que de incómoda apenas teve o facto de querer andar para a frente, saber um pouco mais e não se deixar acomodar a situações perfeitamente ignóbeis e ofensivas para qualquer condição humana digna. Enfim o país sofre desde os que estão mais acima na cadeia “alimentar” (designação para: grande chulice) até aos mais abaixo, de uma falta de carácter, de dignidade, de honestidade e de inteligência que é de bradar aos céus. E eu tenho tanto bradado que, o mau tempo e o tempo deprimente não nos deixam...

Claro que falando no tempo também existem aqueles que já passaram do tempo mas cristalizaram, por artes do demónio, (eu diria mesmo bruxaria ali no Senhor da Pedra para os lados de Miramar beach not bitch... se bem que também pudesse ser) um élan à sua volta que, apesar de já cheirarem mal de tão passados estarem, fazerem asneiras atrás de asneiras, ainda assim se mantêm de pedra e cal no seu estúpido tronozinho de papel. Enfim tão culpados são eles como aqueles que não vêm, não querem ver ou, afins.
Enfim não estou mesmo no meu tempo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Percurso

Não tenho dúvidas que uma das razões da vida advém do percurso que cada um de nós faz e daquilo que vai aprendendo ao longo desse percurso. Chamarei AMADURECIMENTO!

Acredito que a partilha é instrumento fundamental para podermos potenciar os momentos, a experiência e a aprendizagem. Nem sempre parece assim. Há momentos que gostava de não partilhar e há momentos em que não aprecio a partilha de outros e no entanto não quer dizer que, independentemente da minha vontade e desejo, essa partilha não seja importante e profícua… mais cedo ou mais tarde.
 
Conseguirmos aprender neste percurso mais ou menos longo (para mim é sempre menos) é um desafio enorme e nem sempre conseguido. Nesses momentos precisamos de nos despojar da auto comiseração, do egoísmo, da arrogância, descermos do pedestal absurdo em que todos nos encontramos (uns mais que outros) e tentarmos passar para o nível seguinte. E é o mais difícil. Esses momentos são quase sempre aqueles que raiam a fronteira da dor e da insanidade. Aqueles momentos em que o mundo está contra nós e só conseguimos sentir, ver e ouvir a nossa dor. Aquele momento de total cegueira existencial o que dificulta a entrada de qualquer instrumento “não-óbvio” que permite aliviar a dor.


Como diz Milan Kundera em “A imortalidade”: «Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente.»
É a incapacidade que temos de perceber o momento e o projectar para o futuro imediato, é a falta de fé no que não é factualmente ou empiricamente explicável, é o não aceitarmos que a vida é sermos felizes e gostarmos uns dos outros, que a vida é efectivamente simples.
As comunidades tenham o tamanho que tiverem, podem ser terrivelmente tóxicas e poluidoras do que em nós pode haver de melhor.


É difícil encontrarmos o desequilíbrio que nos permite absorver e transformar polos negativos em positivos. Desequilíbrio porque o equilíbrio é o comum. Mas há seres que o conseguem fazer e para mim são esses os verdadeiros seres superiores (se assim se pode falar) que atingiram já um patamar de evolução acima do comum mortal!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Morte

Tantas questões e nenhuma resposta.


Bem escrevo, para espantar as sombras que me turvam a vida…

Gostaria de ter um botão on/off e utilizá-lo acima de tudo para poder descansar. Descansar de tanta interrogação infértil e infinita.

Gostaria que em todos os momentos menos bons, maus ou terríveis eu percebesse o humor e desatasse a rir da tragi-comédia que é a vida. Ou melhor, NÓS somos os tragi-comicos, porque sofremos, fazemos sofrer, torturamos, matamos, e ainda assim o nosso final está escrito: MORREMOS!

Sejamos realistas a MORTE é a única e verdadeira democrata, aliás a MORTE é a única verdade que existe. Não interessa onde nascemos se em berço de ouro ou num palheiro, que caminhos percorremos, o nosso fim está ali e não há corrupção, padrinhos, amigos, filhos, pais, dinheiro poder, que valha, ela leva-nos façamos o que fizermos, sejamos quem for, ela não selecciona leva-nos um por um sem distinção, não decepciona.

Ainda assim existem aqueles CÓMICO-TRÁGICOS que julgam poder enganá-la ou retarda-la.

Nem o nascimento consegue ser tão democrata, puro e imparcial porque muitos daqueles que podiam nascer não nascem, como tal o nascimento não é para todos.

A mão manipuladora do homem não consegue NADA com a MORTE.

Gostava então de me rir da pobreza e ignorância espiritual do ser humano, mas tristemente abano a cabeça e em vez de me rir só tenho vontade de chorar…

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dói-me a ALMA!

Dói-me a alma!
Presa nesta âncora material que é o meu corpo
Sufoca, asfixia …
Matéria pesada que me arrasta na angústia e tristeza
Tal qual mergulhador que em vão tenta alcançar a superfície
Por um lado fascinado com o espectáculo incrível que se lhe depara
A força mágica e bela da natureza que o hipnotiza e o puxa mais e mais
E a necessidade de ar de oxigénio…
Quando deixa de lutar torna-se livre!
Livre sem âncoras, sem amarras e a alma vai solta,
Sem dor nem angustia nem tristeza
Serena vai…
Mas depois a necessidade de ar…
impele-me numa luta injusta de decisão e opção…
Já só me arrasto como um verme
Sem amor nem desejo nem esperança ……..
Exausta de mim própria……..
Ir!
Único desejo e objectivo!