sábado, 27 de novembro de 2010

Mudança

Estou a mudar!

Não é aquela mudança soft fruto da acumulação de pequenas incursões ao “reino dos malditos”. É uma mudança “inside-out”. Apercebo-me por pequenas coisas que poderão até parecer supérfluas mas que me revelam, efectivamente, a mudança.
Passo a explicar. Fui a uma perfumaria não com o objectivo de comprar o que quer que fosse mas porque tenho que aproveitar os momentos em que o meu “faro” funciona e poder assim escolher um cheiro que me agrade e a espelhe a pessoa que sou, ou que penso que sou. Tenho alguma dificuldade de gostar verdadeiramente de uma variedade de cheiros, melhor dizendo, que me traduzam. Já o uso um há bastante tempo e embora continue a gostar dele penso que está na altura de mudar “Ange ou Demon – Le Secret”.
Uma característica dos cheiros que me seduzem é o serem frutados. Para os que estão menos a par deste lado da vida do “olfacto”, os frutados são perfumes que possuem na sua essência cheiros de fruta e há variadíssimos, depois há os florais, os frescos, enfim uma panóplia de cheiros inebriantes que nos tocam, mal ou bem, mas afectam-nos.
Isto para vos fazer entender então a mudança.
Estava eu na perfumaria e cheiro daqui e cheiro dali e, curiosamente, aqueles que em tempo gostei já não exerciam sobre mim, nenhum poder.
Fiquei estupefacta e pensei “Minha nossa que se passa comigo? Nada me agrada?” Estava realmente preocupada pois, os comentários mais populares que recebo são, a criticar o facto de, segundo os que me criticam, ser muito esquisita, exigente e inflexível. Portanto pensei “isto está a tornar-se uma doença. Será que há medida que envelheço me vou tornar numa daquelas pessoas muito, muito chatas que só elas e só no tempo delas é que era bom?”
Depois de muitos cheiros descobri finalmente um que me agradou especialmente. Mas e já não falando no facto de ser só um (óbvio que não experimentei todos, não há nariz que resista), este não era frutado e sim floral. Nunca gostei muito de cheiros florais. No entanto este seduziu-me completamente.
Claro que não o comprei. Por acaso era bastante caro. Saí da perfumaria a pensar “que estranha coisa… estou mesmo a mudar”.
Esta mudança tem-se vindo a insinuar em algumas situações da minha vida. Esta foi uma passível de ser descrita, tranquila e pouco relevante, mas outras há que o não são. No entanto eu sinto a mudança e isso assusta-me. Assusta-me ser uma estranha para mim própria e não perceber que reacções poderei ter em relação a muitas coisas, que gostos poderei revelar que até agora desconhecia. Sair do lugar de conforto e do habitual e transformar-me de forma a revelar-me o meu próprio e grande desafio.
Por outro lado não deixa de ser interessante. Afinal queixamo-nos todos da monotonia da vida, da rotina, do não-surpreendente, e eu em pleno “Outono existencial” a querer transformá-lo novamente na Primavera!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Coisas simples

As coisas simples da vida são aquelas que nos dão mais prazer sem mesmo nos apercebermos.

Ontem fui almoçar com dois amigos e colegas. De repente estávamos os três a reviver bons velhos/recentes tempos em que andávamos a estudar. Como colegas tínhamos um grupinho habitual de partilha, discussão de conhecimento e “borga”.

Vai daí estava eu num momento de flashback com a minha amiga e dizia-lha “lembras-te no 1º ano que cada palavra cada palavrão? Agora estás bem melhor!” Afirmei com um sorriso de missão cumprida e ao mesmo tempo de Parabéns.

Quinze minutos mais tarde saímos os três para almoçar. No caminho fomos recordando alguns troços desse passado recente e do qual tínhamos saudades. Nem a propósito a minha amiga estava super, mega soft, nas palavras que escolhia. Eu pensava bem não há nada como um banho longo e demorado de cultura conhecimento e bom convívio.

Chegamos ao snack sentamo-nos a comer e a falar. Surgiram assim os planos para o próximo ano e claro que a ideia era fazermos algo que pudéssemos fazer juntos. Eu e a minha amiga já tínhamos conversado sobre o assunto e estávamos decididas a fazer o mestrado.

Com um copito de cerveja começou a minha amiga a trazer algumas situações da sua vida peculiar. Uma delas prendia-se com um “encontro imediato” que teve num supermercado.

Pronto! A partir do relato desse encontro foi palavra, palavrão, depois palavrão, palavrão, palavra, palavrão, palavrão, palavrão, palavrinha. Às tantas e apesar de estar a achar piada disse-lhe “bem querida estragaste o elogio que te fiz. Afinal para cada palavra continuas a ter vários palavrões para a enfeitares”. Logo me responde “olha nem a propósito. Aqui há tempos estava eu com umas colegas minhas (tinha feito uma formação para formadores) e até falei de ti. Disse-lhes que tinha uma amiga que sempre que eu dizia vou mi… me dizia ai não digas isso diz antes vou ao W. Então eu na vez seguinte disse-lhe olha M vou ao W e ela toda contente sorriu e eu logo de seguida disse mi… Lembras-te” Eu desatei a rir e percebi que há coisas que não mudam.

São as coisas simples da vida. São aquelas que nos dão mais prazer sem mesmo nos apercebermos e as que permanecem.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Angústia...para todas as refeições

Não sei quem pode partilhar desta minha angústia…


Mas cheguei a um patamar em que me vejo obrigada a repensar o eu-eu, o eu-outro e o eu-outros. Percebo que não é muito “normal” a meio do percurso VIDA mantermo-nos rebeldes, atípicos e inconformados. Porquê? Depois de galgados quilómetros, milhas, etc., de apanharmos lambada, coça, decepções, estaremos suficientemente domesticados, domados para finalmente baixarmos os braços e sucumbirmos ao sistema.

Depois temos o “Grilo Falante” que nos grita “Vais desistir? Vais deixar de ser quem és? Quem sempre foste?” E pensamos que se por um lado ele tem razão por outro, este caminho que temos vindo a percorrer deve-nos ter ensinado qualquer coisa que nós temos obrigação de ter assimilado, aprendido e apreendido. Mas será que a mudança tem que ser para nos tornarmos iguais aos outros, sucumbirmos ao sistema?




Ao ouvir e ver alguns vídeoclips de música da minha juventude e de ver esses que tão diferentes eram e que hoje estão total e completamente absorvidos pelo global, penso, que aconteceu? Onde estão esses que me inspiraram a ser como sou hoje? Que lhes aconteceu? Porque se existem pessoas capazes de fazer a diferença valer a pena são aqueles que são visíveis… mas isto é o que vejo do lado de fora.

E assim percebo! Percebo que chegado a este patamar a maior parte já não tem forças para continuar e ninguém já tem paciência para nos aceitar com o nosso inconformismo, o nosso idealismo que caracterizam de ingénuo e imaturo. Assim é muito mais fácil sucumbir, desistir engolfarmo-nos na aceitação social. Porque o outro lado da moeda é a solidão, as críticas, a incompreensão, a exclusão. E tudo isso vem com o peso acrescido da idade e dos fantasmas que fomos acumulando, também, nesta longa-curta caminhada.

Continuo a chafurdar na angústia de perguntas sem respostas e respostas que me deixam angustiada…

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cartaz que representou a licenciatura de LCI 2007/2010 no BOBCATSSS -
a Library and Information Science Conference

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pergunto quem são os Régios, Torgas, Agostinhos da Silva...

Pergunto quem são os Régios, Torgas, Agostinhos da Silva, etc., deste tempo? O tempo só dá tempo para o imediato e acima de tudo para o materialismo… a velocidade do tempo não dá tempo para olhar para o céu, para mim e para ti… 

O amor! Não há tempo para o amor. Tempo há, para o sexo imediato, para as relações flash ou convenientes. O tempo escapa-se-nos entre os dedos e os intervalos da chuva.
Não há tempo a perder, só perdemos tempo com a volatilidade das coisas que são no momento e no momento deixam de ser. 

Preservamos a memória colectiva, o conhecimento (?) mas onde está ele? Que preservamos há pelo menos 2000 anos? Que tempo nos deu? O tempo… os homens…
Não há tempo a perder. Perdemos com o tempo a salvação de sermos nós com os outros e os outros connosco… Sucesso, visibilidade, poder, dinheiro tempo há para tudo isto.
Diz-se que o tempo cura todas a feridas mas o tempo não dá tempo ao tempo de tornar isso uma realidade. Assim as feridas não são curadas e o tempo não tem tempo para perceber que é preciso ter tempo para ter tempo.

E assim onde param os Régios, Torgas e Agostinhos da Silva do nosso tempo?

Não há tempo a perder e pensar é uma perda de tempo. Tempo, temos que ter para agir, não para pensar. É o tempo que temos: o imediato, o agora. E o tempo do futuro, dizem, é-nos assegurado pelo tempo de agora. E tempo há para lavar cérebros e cordeiramente encaminhá-los no tempo sem tempo. Não há é tempo para pensar, reflectir, sonhar…
O tempo não dá tempo ao tempo.