terça-feira, 31 de agosto de 2010

André (um conto - cont.)

Raul era um excelente puto, daqueles que qualquer mãe gosta que seja amigo do filho. Raul tinha mais um ano que o André, lembro-me perfeitamente que quando o conheci achei que ele e o meu irmão se iam entender, sei lá, daquelas coisas que se sentem. Tinha muitos gostos iguais aos do André mas era muito menos tímido, eu achei que podia dar resultado. Como o André volta e meia, meia volta andava comigo para aqui e para acolá conheceram-se. Credo! Parece que estou a falar de um encontro amoroso. Mas não, é que no caso do André arranjar-lhe um amigo era quase a mesma coisa. Eu sei que os mais velhos (os pais e afins) dizem que a amizade não se arranja, conquista-se, enfim é mais uma das suas teorias e eles têm tantas e para quê?. No nosso caso, juventude, dava para perceber quem podia ser amigo de quem e, na verdade eu tinha razão. E desde que se conheceram têm sido bons amigos.... até agora.
André lá foi até à praia. Quando chegou a primeira pessoa que viu foi o João. O João era da turma do André, já tinha repetido algumas vezes, tinha 15 anos e era completamente “marado”. Já fumava uma “ganzas” e com alguma frequência apanhava umas bebedeiras. Era um sujeitinho já com bastantes problemas. O meu irmão tinha, não sei bem, se pena ou admiração por ele, no entanto alguma coisa tinha. O André possuía algo que a minha mãe chamou de “consciência social”, uma apetência para se sentir atraído por situações e pessoas complicadas, com problemas de inserção social, e sentia sempre necessidade de se envolver com essas pessoas e situações. Isso, segundo a mãe, fragilizava-o, pois, continuava a mãe, ele não conseguia gerir emocionalmente a frustração de não ver soluções para resolver os problemas. E as situações de injustiça social e não só, tornavam-no uma pessoa revoltada e instável. Essa instabilidade era perigosa, pois podia levá-lo a passar de “revoltado” a “vítima”, esse, era o grande receio da mãe. Eu... acredito que o meu irmão é suficientemente inteligente para não se deixar levar...no entanto é muito novo, não sei...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sara (um conto - cont.)

A mãe calava-se, obviamente sentia-se culpada e achava que a filha tinha razão. Sabia-lhe tão bem, fazer a mãe sentir-se culpada. Durante umas horitas não a ia chatear. Portanto, era a altura certa para lhe fazer alguns pedidos que tinha vindo a adiar para um momento melhor. Era agora.
- Sabes mãe, aquele concerto dos “System of a Down”? - Olhou de soslaio para ver qual era a sua expressão.
- Sim?...
- Bom, tinha pensado que me podias deixar ir com o Pedro e o tio dele, que já tem 50 anos – volta de novo a olhar para a mãe. Esta faz uma expressão de perplexidade.
- Então não te importas de ir com um sujeito de 50 anos, que não conheces de lado nenhum, para não ires com o teu pai?
- É que com o pai não me sinto tão à vontade...
- Não? Que engraçadinha! Realmente não te sentes nada à vontade com o teu pai. Não, Sara. Tens duas opções: ou vais com o teu pai, ou não vais. Ok?
- E se o pai não quiser ir?
- Vais comigo. – Disse a mãe, fazendo um esgar de horror.
- Contigo? Ah! Ah! Assim é que não vou estar nada à vontade, nem cantar vou poder.
- Pois não. Nunca cantas comigo por perto! Quantas vezes tenho que te mandar calar?
- Tá bom! Mas aquelas músicas mais...
- Que têm palavrões? Olha Sara, já te disse quais são as tuas opções e ponto final.
Era sempre assim. A vontade deles sempre imperava. Era desesperante. Aliás a mãe era daquele tipo de mulheres que, “ou estás comigo ou contra mim”, isto, segundo disse o pai, numa das muitas discussões que tinham. Estava Sara nestes feed-backs e a Beatriz noutros.

domingo, 29 de agosto de 2010

Sara (um conto - cont.)

Queria tanto lembrar-se de como tudo tinha acontecido. Tinha uma vida para viver, pelo menos era o que sempre lhe diziam: “tens uma vida pela frente”, mais os compromissos com os seus amigos, os únicos de quem gostava a maior parte das vezes. Estava a perder tempo. Não aprendia nada, não que tivesse muito interesse em aprender, era uma seca. A mãe passava o tempo todo, a dizer-lhe que a vida é um processo de aprendizagem, que produz uma energia, que nos faz evoluir e, tornarmo-nos seres melhores e maiores, quando estamos receptivos ao conhecimento. A mãe era uma filósofa, só dizia chanfradisses que Sara quase nunca entendia. Claro que o facto dela não perceber patavina desses discursos fantásticos, motivava a mãe a dizer mais uma série de palavras para expressar o que pensava da incapacidade de Sara, para a entender. Dizia-lhe: “tens os neurónios, supostamente para funcionar”. Pronto. Lá vinha ela falar caro, para que Sara pusesse então os seus neurónios a trabalhar. Mas Sara não estava nem aí.

- Ó mãe, deixa-te disso. Sabes bem que eu não gosto de pensar, cansa-me. Não tenho que ser como tu, que aliás, se fosse, também andava sempre cansada, porque, ao contrário de mim, tu pensas demais e isso, também deve ser cansativo. Portanto pára de me chamar estúpida. Achas que te fica bem como mãe? Não, claro que não.

sábado, 28 de agosto de 2010

André (um conto - cont.)

Agora estou mesmo preocupada! Eu sei que o André, está naquela fase que a mãe chama “complicada”. Já passei por isso. Mas isto, é muito estranho.

A porta da rua bateu. 19h, era a mãe.

Fez aqueles gestos diários de arrumar compras, pousar carteira, tirar os sapatos calçar uns chinelos e vestir uns calções. De seguida foi ter com o André. A mãe, ainda esteve no quarto algum tempo, saiu de lá talvez 3 quartos de hora depois. Vinha com um olhar triste e foi directo para a cozinha. Eu fui ter com ela.

- Estou muito preocupada com o teu irmão. Eu sei que ele tem por vezes comportamentos menos lineares, mas desta vez está mesmo a assustar-me.

- Também não é nenhuma tragédia, mãe. Realmente ele anda estranho, mas o André é assim mesmo. Eu vou procurar saber se os colegas sabem de alguma coisa. Entretanto não stresses .


- Ouve Sara eu sei, sinto que algo de muito mau se está a passar com o teu irmão. Tenho andado a pensar... será droga?

O meu ar estupefacto, com uma cara apalermada, fez a minha mãe esboçar um sorriso.


- Sara acredita que é uma realidade pela qual eu dispensava de novo passar. Mas pode ser bem possível. De qualquer forma prefiro que não te envolvas. Tenta saber se os colegas se aperceberam de alguma coisa que depois eu tratarei do resto.
A mãe tinha tido graves problemas à volta dessa questão, mas falarei disso noutra altura.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sara (um conto - cont.)

Num jogo... quantas vezes Sara tinha pedido que a vida fosse um jogo, simples e fácil. Jogava-se, uma, duas vezes e pronto, era só ganhar. No entanto encontrava-se numa encruzilhada. Há dois anos tinha “virado” mulher, como dizia a mãe, e a vida tornou-se muito mais complicada. Complicada não, UM INFERNO! Tão depressa queria crescer, sair dali para fora, como tão depressa se queria aninhar num cantinho e brincar com as suas barbies. E pior, tão depressa não sabia o que queria.
E agora encontrava-se num jogo da “PlayStation” do irmão. Desejava ardentemente sair dali, era tudo tão estranho e assustador, mas não conseguia. E lá estava a tal Beatriz a olhar para ela. Com aquela cara de quem diz “coitadinha olha p’ra ela, tá completamente perdida”. Detestava aqueles olhares. Aliás nesta altura da vida, detestava quase tudo. A maior parte do tempo detestava a mãe, o pai, o irmão, os professores, os adultos, as crianças, enfim detestava quase sempre tudo e todos. De uma maneira geral detestava a vida... a maior parte das vezes:
- Então se és minha amiga, tira-me daqui. Quero voltar para o meu quarto!
- Claro que te vou ajudar. Só temos que dar um passeio.
- É longo?
- Não. Vai passar num instante. Vamos.
Começaram a andar num caminho de luzes e estrelas, de vez quando surgiam personagens que lhe eram familiares dos jogos do André. Entretanto Beatriz falava, falava “e lembras-te disto e lembras-te daquilo, blá, blá” uma infindável enxurrada de palavras que para ela não faziam sentido nenhum. Falava de um passado recente, uma vez que Sara era ainda uma criança. Das peripécias e aventuras, pelas quais tinham passado. Alucinava com toda a certeza.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

André (um conto - cont.)

- Então André vens connosco? Estamos a pensar ficar até tarde, acender uma fogueira e levarmos qualquer coisa para mastigarmos. Que dizes?

André não respondeu logo. Não lhe apetecia ir, mas também não queria ir para casa.

- Ok!

Depois via se ficaria até tão tarde. Com a marcação cerrada que lhe andavam a fazer em casa, se não fosse jantar era razão para ter 1 ou 2 horas de drama.

Ele sabia o quanto a mãe gostava dele e se preocupava, mas era tão insuficiente esse amor. Tinha tão poucas respostas paras as mil e 1 dúvidas que lhe afogavam o cérebro. Apetecia-lhe tanto ir pelos caminhos mais tortuosos e difíceis, afinal os mais fáceis e comuns, tão partilhados, não tinham levado as pessoas a nenhum lugar fabuloso e, todas elas continuavam sem as respostas que ele tanto procurava. A afinidade que sentia com estes sujeitos não era quase nenhuma, mas eles percorriam o caminho menos linear, neste momento era disso que precisava.

- André queres vir até minha casa, vamos jogar um novo jogo que comprei?

- Desculpa lá Raul, mas já tenho outra coisa para fazer.

Raul olhou-o e disse-lhe:

- Meu, andas estranho... a tua irmã já me veio fazer perguntas... não sei... tu vê lá no que te andas a meter, meu... essa malta com quem tens andado é ... estranha.

- Ouve Raul eu vou falar com a Sara para não te chatear, ok? Quanto ao resto não precisas de te preocupar.

- Então pá, somos amigos ou não?

André parece que de repente acordou.

- Desculpa meu, somos amigos claro. Mas a sério não precisas de te preocupar.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sara (um conto - cont.)

Sara lembrava-se apenas dessa amiga que, segundo a mãe, foi algo que arranjou para superar os seus medos. Fantástico! Estava a enlouquecer! Tinha 15 anos e a mãe tinha-lhe dito que, quando era mais nova, inventou algo para superar os seus medos – Beatriz! Já era na altura genial ou louca? Era suposto ter medos? E agora encontrava-se ali passado, sei lá, 6 anos? Com aquilo que tinha inventado para superar os seus medos no passado. Sabia que havia miúdos que “arranjavam” esses amigos imaginários, já tinha ouvido falar disso algures, provavelmente nalguma treta psicológica, até já tinha visto filmes sobre o assunto. Mas esta Beatriz não era de maneira nenhuma imaginária, era bem real, estava ali à frente dela. Bolas! Não conseguia lembrar-se do que aconteceu. E ela continua... blá, blá. Pára! Que foi que ela disse?

- Que disseste? “Agora que te aconteceu isto”, isto o quê?  

Sorri benevolamente. Meu Deus, como a detestava!

- Já vais perceber. Vamos continuar a nossa viagem.

Continua blá, blá. Socorro!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Auto-estima

Por vezes há conversas que nos levam a pensar e a ponderar hipóteses que inicialmente nem tínhamos pensado.

Há uns dias atrás estava eu na conversa com um amigo e, como muitas das vezes, o nosso diálogo foi recair sobre o tema: auto-estima.

É comum falarmos sobre esse assunto, uma vez que, ambos sofremos dele, ou melhor, da falta dele. Ele, por umas razões, eu, por outras, mas estou em crer que nenhuma delas com verdadeiro valor de verdade verdadeiro.

No decorrer da conversa fomos ter ao encontro de uma pessoa conhecida de ambos e da sua fantástica auto-estima. Tendo sido o meu amigo que direccionou a corrente de encontro a essa pessoa porque, no entender (aqui estou eu a distender as razões, que acredito serem efectivamente reais) do meu amigo, ela teria pelo menos algum motivo para ter uma menor auto-estima porque padece de um handicap que é... digamos “vizinho” do handicap de que padece o meu amigo (e não estou a menosprezar nenhum problema). Começamos então a perguntar ao outro porque razão tinha baixa auto-estima e, realmente cada um, não via no outro verdade nas suas razões.

Na realidade isso fez-me pensar na razão que nos faz ter mais ou menos baixa auto-estima, que nunca é razão satisfatória para o outro, mas para nós têm uma dimensão alucinante… porque as nossas razões são de alguma forma influenciadas pela nossa costela social e do que é aceitável, seja lá isso o que for. E a razão que se me aprouve verificar foi única e exclusivamente a presença do outro, outros e muitos, na nossa fátua vida. Os dois lados da moeda, o bom e mau, o preto e o branco são inexequívelmente ligados… não existe um sem o outro, os contra-sensos, os opostos enfim, temos que criar o equilíbrio onde ele não existe e onde parece impossível ocorrer… são energias que temos que encontrar no fundo do mais fundo de cada um, pois a nossa tarefa parece acima de tudo a descoberta desse equilíbrio ou pelo menos do caminho que leva até ele.

Outra dúvida me surgiu deste questionamento interno e dos “esclarecimentos iluminados” a que fui chegando: será que aqueles que têm uma excelente auto-estima são aqueles que já encontraram esse caminho ou esse equilíbrio? E fui buscar muitos daqueles que “padecem” de auto-estima em excesso e a resposta é Não! Aqueles que sofrem desse tormento são almas perdidas nas montanhas da ignorância, da pobreza espiritual e da falta de opostos.

Sobraram os que “padecem” de auto-estima q.b.. E procurei, procurei e procurei e… lá fui encontrando um ou outro… mas encontraram o caminho? Diria que encontraram uma forma de transformar os opostos em sinergias positivas que, colmatam as atracções dos opostos que geram conflito; digamos que encontraram um atalho…

André (um conto - cont.)

Naquele dia o André chegou a casa estranhamente diferente. Eu notei e a mãe também, mas não dei importância. A mãe enfim, com aquela “suplesse” característica, resolveu sondar o filho. Errado! O André fechou-se “em copas” claro está, e respondeu que não era nada.
Às vezes “I wonder” porque é que as mães nunca aprendem. Bem a minha diz que está sempre a aprender com “os erros que vai cometendo na vida”, até hoje ainda não percebi muito bem o que é que efectivamente aprendem: passam o tempo todo a cometer os mesmos erros. Eu bem me esforço por perceber esta lógica, dizem eles, madura, mas é bem complicado, e eu já tenho tanta coisa para compreender. Mas isto tudo a propósito do André andar hiper estranho. Eu resolvi então falar com ele, talvez se abrisse comigo.
- Então André como vai a vida? Já há algum tempo que não conversamos. Queres falar?
- Sobre o quê Sara? Foi a mãe que te pediu?
- Sim, sim, eu agora sou a intermediária da mamã. Achas? Mas a verdade é que estou mesmo preocupada. Prefiro-te um verdadeiro chato, do que assim… que nem sei muito bem como és neste momento. Eu….
- Sara, não me apetece conversar contigo, ok? Deixa-me em paz! Sai do meu quarto… por favor.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

André (um conto - cont.)

O André há uns anitos (dois ou três) atrás teve uns problemazinhos de... Diz a mãe, “auto-estima”. Então, andou numa psicóloga e, segundo a mãe «fez muito bem a todos nós pois» continua ela «os pais quando têm um filho, este, não traz manual e como tal, não sabemos tudo. Não é tão grave assim, pedir ajuda a quem sabe...» bom e a partir daí faz uma longa dissertação sobre, a relação pais e filhos. A avó (paterna, claro!) já acha isto tudo uma modernice «hoje os pais não se sabem dar ao respeito, por isso os filhos abusam e, pronto, médicos para isto, para aquilo, etc. Antigamente éramos nós que tínhamos que resolver os nossos problemas e, Deus nos livre, de gastar tanto dinheiro nessas coisas» A avó era assim mesmo, sempre que podia mandava uma piadinha sobre a mãe. «É muito moderna!» A mãe bem que queria ser aquilo que ela chamava de “pessoa civilizada” então costumava dizer “temos que ter alguma paciência com as pessoas mais velhas e a vossa avó enfim, teve uma vida muito dura”. Claro que a paciência nem sempre dura, e de vez em quando, a mãe também descambava em relação à avó. Também isto é natural, relações de sogras e noras. Enfim mas o que é facto é que embora tímido, o André realmente tinha melhorado. Já andava há 2 anos no voleibol e era bastante aplicado, assim como já tinha amigos. Mas a verdadeira “panca” dele eram os jogos e as consolas “playstation”. A mãe passava-se, dizia que aquilo já era vício. De vez em quando (bem, com alguma frequência) o André portava-se mal, e a mãe era na “playstation” que se vingava, ou seja, o André ficava a “dieta”, durante uns tempos: não jogava. Era normal, a mãe... eu acho que o estado mais natural dela desde que me lembro, tem sido sempre... passada! Coitada... ela bem diz que nós a pomos velha, por isso ela tenta enganar-se, lá com os cremes e afins.

Sara (um conto)




Silêncio absoluto!
Mãe estou com medo... mãe?...
Já vejo uma luz! Oh não, mil cores vêem ao meu encontro.
Socorro! Vou fechar os olhos. Deve ser um pesadelo. Não consigo perceber como cheguei até aqui.
Finalmente! Mas onde estou... estou a ver o Aladino e o seu macaquinho... Não, não pode ser! Estou dentro do jogo do meu irmão!
- Olá Sara.
- Hu?! Quem és tu?
- Então não me conheces? Sou a Beatriz, a tua amiga imaginária.
- Imaginária? Do tempo dos meus 8 anos? Já és passado…
- Enganas-te. Sempre estive presente em ti.
- Como é que pode ser? Deves estar a brincar comigo. Lembro-me perfeitamente de ter uma amiga Beatriz, mas nem me lembro da cara.
Será que é porque estou num jogo?

sábado, 21 de agosto de 2010

André (um conto - cont.)

Voltemos ao André. O meu irmão é aquele típico rapaz de 13 anos que só gosta de brincadeira, quando não dá uma espreitadela às raparigas. É também um rapaz muito inteligente, diz a mãe, aliás, coisa que ela diz de ambos, mas que não tiramos partido desse facto. Os pais são sempre assim. Os filhos são sempre os melhores... em relação aos outros. Normalmente em relação a eles próprios, pais, os filhos são sempre piores que os outros. Passo a explicar quando levo alguma amiga lá a casa e a mãe como sempre mete conversa “Então Rita tudo bem?” Blá, blá, até que finalmente chega onde quer “Ahhh, já arrumas o teu quarto? Ahhh e quando é preciso já vais adiantando o jantar, ahhh...” e finalmente depois de muitos ahhhhs espera por ficarmos sozinhas (vá lá), lá me dá a “xantrada” - tás a ver? A Rita, isso é que é uma filha!” Blá, blá, blá. Já perceberam. Somos os melhores de vez em quando e os piores quase sempre. Enfim... são tão pouco coerentes. O André adora o pai. O pai adora o André. Há ali uma cumplicidade grande. Eu também adoro o pai e ele a mim, mas é outra história.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Quando eu nasci


Quando eu nasci,

ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava

toda a ternura que olhava

nos olhos de minha Mãe...

José Régio

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Soneto de amor

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria

Matar a sede com água salgada

Miguel Torga

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Field of innocence

I still remember the world
From the eyes of a child
Slowly those feelings
Were clouded by what I know now



Where has my heart gone
An uneven trade for the real world
Oh I... I want to go back to
Believing in everything and knowing nothing at all



I still remember the sun
Always warm on my back
Somehow it seems colder now



Where has my heart gone
Trapped in the eyes of a stranger
Oh I... I want to go back to
Believing in everything



[Latin hymn:]
Iesu, Rex admirabilis
Et triumphator nobilis,
Dulcedo ineffabilis,
Totus desiderabilis.



Where has my heart gone
An uneven trade for the real world
Oh I... I want to go back to
Believing in everything
Oh, Where



Where has my heart gone
Trapped in the eyes of a stranger
Oh I... I want to go back to
Believing in everything



I still remember.


Evanescence

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,

E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.             
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada



Miguel Torga

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

COMES THE DAWN

After a while you learn the subtle difference
Between holding a hand and chaining a soul,
And you learn that love doesn’t mean security,
And you begin to learn that kisses aren’t contracts
And presents aren’t promises
And you begin to accept your defeats
With your head up and your eyes open,
With the grace of a woman, not the grief of a child,
And you learn to build all your roads
On today because tomorrow' s ground is too uncertain,
And futures have
A way of falling down in midflight,
After a while you learn that even sunshine burns if you get too
much.
So you plant your own garden and decorate your own soul, instead of
waiting
And you learn that you really can endure...
That you really are strong,
And vou really do have worth
And you learn and learn
With every goodbye you learn.

In: Peer counseling for middle school students experiencing family divorce: a deliberate psychological education model/Norman A. Sprinthall e outros. Carolina do Norte: American Counselin Associating, 1992. pp. 1-10. in Elementary School Guidance & Counseling, vol. 26, nº4, dos mesmos autores

domingo, 8 de agosto de 2010

Breve história da minha vida

Nasci no dia 21 de Setembro de 1963, pelas 9 horas da manhã. O parto realizou-se na casa onde os meus pais viviam na altura: Bonfim-Porto.
A minha mãe diz que nasci hiper constipada, e as minhas tias paternas disseram, mal me viram, que era bastante feia; pesava 3,600 kg, não sei quanto centímetros media. Sou a segunda filha de quatro irmãos. O mais velho faz diferença de 20 meses, depois faço diferença de 3 anos da seguinte e da mais nova 8 anos e 4 meses.
Lembro-me de me sentir feliz durante praticamente a minha infância toda. Do que me recordo é que tínhamos uma vida mais ou menos normal; o meu pai trabalhava e a minha mãe estava em casa a tomar conta de nós. Estávamos inseridos relativamente bem no local em que vivíamos, se bem com um estatuto um pouco acima da média das pessoas que lá viviam, ou seja, segundo as minhas memórias (porque as memórias, independentemente da partilha da mesma realidade, varia de pessoa para pessoa) éramos “finos”: mais educados, a minha mãe era uma pessoa com uma educação e literacia acima da média...
Se bem que na altura, não fosse algo que eu tivesse consciência, hoje percebo que isso faz alguma diferença para que eu seja a pessoa que sou, aliás, como tudo. O facto de eu crescer num bairro social, com todo o tipo de estereótipos de gente, fazer parte de um grupo de escuteiros, ter os pais que tive e, a vida, as recordações, fazem de mim aquilo que hoje sou.
Bom, cresci dentro de alguma normalidade penso eu; sendo a segunda não era a preferida, nem a mais bonita, nem a mais inteligente, era apenas uma das filhas; a minha irmã a seguir a mim, essa sim tinha todos os predicados: era bonita e inteligente. Portanto desde cedo tive que perceber que tinha que me desenrascar, sem contar muito com ninguém. Os pais com três filhos inicialmente e cinco anos depois a quarta, não tinham muito tempo para todos, naturalmente, davam mais atenção aos mais “frágeis ou diferentes”; eu, mais uma vez não me enquadrava em nenhum, logo não podia esperar que os pais me dessem muita atenção, daí tive que aprender a desenrascar-me e tentar sobreviver aos difíceis anos de escolaridade. Quando a mais nova nasceu estávamos os três no corredor, junto ao quarto dos meus pais à espera que, a minha mãe desse à luz. A bebé nasceu sem dramatismos, não me lembro da minha mãe chorar, só me lembro do meu pai abrir a porta do quarto e mandar-nos entrar. Pusemo-nos todos em fila e a bebé passou pelos braços de cada um. Não me lembro de sentir nada de especial nem de bom nem de mau. Assim esta, passou a ser a menina de todos nós, também era muito bonita e a mãe também a conotou de muito inteligente.
Continuamos a crescer, até que o pai teve que vir embora do trabalho onde tinha estado a vida inteira. A casa fechou. Foi um período complicado e não tenho muito presente o tipo de complicação. Sei que mãe começou a trabalhar fora. Ia a casa das pessoas fazer costura. Mais tarde o pai arranjou uma loja e começou a explorá-la e a mãe passou a trabalhar com ele. Eu tinha que assegurar mais ou menos as coisas em casa. De alguma forma substituir a mãe. Tinha treze anos. Também foi a partir dai que a relação dos meus pais se degradou. A mãe deixou de ser submissa segundo ela, eu acho que ela viu uma forma de começar a viver de uma outra maneira, e as coisas começaram a mudar. Entretanto a minha vida continuava, meti-me nos CNE (Corpo Nacional de Escutas) e continuava a estudar. A minha irmã a seguir a mim começava a dar alguns problemas em casa. Era bastante rebelde, para além de não participar nas tarefas caseiras, impunha e ditava as suas próprias regras, vestia-se como queria com o que queria, chegava às horas que queria, etc. A mãe começou a ficar preocupada e, a solução que arranjou, foi pedir-me para tomar conta dela… coisa que não fiz, porque não sabia muito bem como fazer …
Continuei o meu percurso, na escola não era nada de especial, aliás, nem em lado nenhum, passei quase sempre despercebida, tirando talvez o nono ano que chumbei e mudei de escola. Aí revelei-me uma "escritora", segundo o professor de português, que apesar dos elogios, chegou ao fim e deu-me um 4 porque, a turma era de 2 e 3 e eu se tirasse um 5 ficava muito desfasada. Enfim, fiquei decepcionada mas lá continuei. A seguir a esse ano resolvi trabalhar. Já não me lembro se a 1ª vez foi no sindicato da Função Pública ou se foi a vender livros ou numa loja de roupa. Já trabalhei em tantos sítios que não me lembro muito bem da ordem nem de muitas coisas. Por exemplo, sei que fui babysitter mas, não me lembro nem o nome dos miúdos, nem dos pais nem da casa, só da rua e sei que eram um casal já com uma empregada interna. Enfim, lembro-me de algumas coisas referentes à minha vida entre os 16 e 20 duma forma muito pouco fluida e muito confusa. Sei que a a minha irmã foi para Lisboa não sei bem em que ano e esteve lá também não sei quanto tempo. Aos 18 saiu de casa e alugou um quarto numa coisa qualquer de freiras. Cheguei a lá ir com a mãe. Tenho uma vaga ideia daquilo ser muito pouco privado e com más condições. Pensei que, apesar de tudo, a minha irmã tinha uma coragem que eu nunca teria. Arriscar, sair de um lugar mais ou menos seguro e, viver sem nenhum conforto. Os anos entre os meus 16 e 20 foram os piores da minha vida, talvez por isso estejam tão apagados. Depois comecei a namorar e fiz um curso técnico. A minha irmã entretanto já em casa, fez um de auxiliar-técnico porque não tinha as mesmas habilitações.
Arranjei emprego, casei e foi um desastre. Percebi logo que não me enquadrava naquela família nem naqueles padrões, mas também tinha casado para me afastar dos meus pais cuja relação tendia a deteriorar-se, mais e mais, e a mãe começava a exigir de mim o impossível: Que eu vivesse a vida dela por transferência. Então não podia também fugir do casamento. Estava sozinha e por minha conta. Tinha que encontrar uma forma de sobreviver. Foi o que fiz sem racionalizar muito, sobrevivi!
Tenho três filhos fantásticos que me dão uma trabalheira mas que eu amo como nunca amei ninguém. No meio desta alucinação que vivi, enquanto me mantive casada, a minha irmã mais nova três anos e que entretanto se casara também, suicidou-se. Foi a experiência mais devastadora que experimentei. Depois deste percurso tão pouco dignificante, deixei a minha irmã também sozinha… e ela não aguentou talvez porque fosse mais lúcida em relação à frustrante experiência de vida que tínhamos.
Olho para trás e sinto que sempre andei como se tivesse a viver em suspenso. Quando aterrei, foi doloroso foi o princípio do fim. A morte da minha irmã iniciou o processo que iria fazer de mim a mulher que hoje sou. Uma mulher que toma decisões, mas sentindo-se sempre insegura, procurando desesperadamente respostas para dar significado à sua vida, algo que a faça manter-se sóbria, sã? Talvez, mas desesperadamente perdida e partida em mil bocadinhos. Sempre à procura e procurando fazer as coisas certas, mas creio que contínuo porque apenas tem que ser e porque, os meus filhos dependem de mim… gostava que assim não fosse, tenho procurado a mudança em mim, mais dentro que fora, mas não é fácil. Acima de tudo não é fácil desligar-me de um passado bastante complexo e que, hoje em flashback, penso que não era nada daquilo que na realidade sentia... não é fácil deixar de culpabilizar, mas mais difícil é deixar de me sentir culpada. Penso que perdoar-me tem sido o maior desafio, talvez por isso a mudança que gostava que se operasse em mim, tarda!

sábado, 7 de agosto de 2010

Charles Darwin

O biologista e naturalista Charles Darwin nasceu na Inglaterra e viveu de 1809 a 1882. Durante um período de cinco anos, ele colaborou com pesquisas realizadas nas costas e em ilhas da América do Sul, Austrália e Nova Zelândia.

Ficou surpreso com o grande número de espécies de plantas e de animais que, até então, eram desconhecidos. O que lhe chamou mais atenção foram as incontáveis diversidades de tentilhões, que só conheceu na ilha dos Galápagos, situada na costa ocidental da América do Sul.

Durante os cinco anos que ele permaneceu nessa viagem científica, e também depois, o naturalista buscou descobrir a razão da grande diversidade de plantas e animais.

No ano de1859, na certeza de ter a encontrado a resposta aos seus questionamentos, ele escreveu o livro: A Origem das Espécies. Posteriormente, Darwin escreveu outra obra: A Descendência do Homem, nesta, ele manifestou as suas ideias sobre o surgimento da raça humana no planeta Terra. Seus dois livros geraram debates e muitas controvérsias na época, contudo, hoje em dia, muitas de suas ideias são aceitas pela ciência.

Ele acreditou que a razão de existir pequenas diferenças na descendência, tanto das plantas como dos animais faz com que certas espécies vivam mais tempo do que outras. No caso das que possuem vida mais longa, estas gerarão mais descendentes, e este facto permitirá o aparecimento gradual de novos tipos de variações.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A ilha

Fiz-me ao mar com lua cheia
A esse mar de ruas e cafés
Com vagas de olhos a rolar
Que nem me viam no convés
Tão cegas no seu vogar

E assim fui na monção
Perdido na imensidão
Deparei com uma ilha
Uma pequena maravilha


Meio submersa
Resistindo à toada
Deu-me dois dedos de conversa
Já cheia de andar calada


Tinha um olhar acanhado
E uma blusa azul-grená
Com o botão desapertado
E por dentro tão ousado
Um peito sem soutien


Ancoramos num rochedo
Sacudimos o sal e o medo
Falámos de música e cinema
Lia Fernando Pessoa
E às vezes também fazia um poema

E no cabelo vi-lhe conchas
E na boca uma pérola a brilhar
Despiu o olhar de defesa
Pôs-me o mapa sobre a mesa


Deu-me conta dessas ilhas
Arquipélagos ao luar
Com os areais estendidos
Contra a cegueira do mar
Esperando veleiros perdidos

Carlos Tê

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

André (um conto)






O sr. Manel olhou-os com aquela cara de caso.
- Pois é meninos! Ouvi na televisão que as gomas fazem muito mal. Tem coisas que fazem cancro.
Olharam para ele, incrédulos! Claro que têm, que novidade! Já se sabe que tudo aquilo que se come provoca cancro. Somos uns cancros ambulantes.
- Mas mesmo assim sr. Manel, queríamos 3 euro de gomas.
- Meu rapaz, tu é que sabes, mas ficas a saber que assim que tiver com a tua mãe lhe vou contar. Tu só comes dessas porcarias. Tenho aqui um pão com chouriço que te fazia muito melhor.
- Tá, tá. Noutra altura sr. Manel.
Que diabo! O homem queria fazer negócio ou sessão de “como gastar o seu dinheiro em produtos saudáveis? E convenhamos que um pão com chouriço não é propriamente um produto saudável.
O André era um miúdo tímido, mas nestas questões alimentares perdia a timidez e tratava de conseguir aquilo que queria.
Nem sempre nos entendíamos, mas havia alturas que gostávamos de conversar e a mãe, costumava dizer que o André tinha muito em conta a minha opinião. Eu, procurava tirar algum partido dessa minha ascendência sobre ele. Claro que nem sempre corria muito bem, mas é próprio das relações entre irmãos. Aliás, eu até cheguei a ouvir os meus pais a comentar certas situações, onde diziam que “as relações bem batidinhas” são as melhores. Como diz o ditado «quanto mais me bates mais eu gosto de ti». Enfim, coisas de adultos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Olha para as estrelas

Sentes palpitar em ti a ambição da grandeza,
Sentes o travo do ódio, o fel do orgulho e da inveja?
Julgas-te vencedor e enches o peito de alegria,
Crês-te derrotado, e choras dor e amargura?
Então por um momento, olha para as estrelas.


Incomodam-te os atritos, as poeiras deste vasto
Mundo? Sofres os horrores da vida quotidiana?
Queres mais do que tens, mais do que sonhas?
Desejas uma doce vida sem tristezas?
Larga o tempo, e olha para as estrelas



Acaso te parece que sabes alguma coisa,
Que tens alguma coisa, que és alguma coisa?
Acaso te consideras o centro do universo,
A raiz das sombras e das luzes?
É simples: olha para as estrelas.



Olha para as estrelas, numa clara noite de verão,
Olha o negro céu, o negro céu luminoso.
Passeia a tua alma nas estradas sem fim,
Do outro lado da sombra, o teu olhar, pelos imensos sóis
Cujo pequeno reflexo mal consegues distinguir.
Vamos, avança sem medo, até onde te levar a tua imaginação.
Não chegarás nunca onde nem queres chegar,
Mas no breve caminhar da tua alma, encontrarás
O repouso dos teus sentimentos desencadeados,
Que é a única resposta dos teus dramas.




António Quadros

domingo, 1 de agosto de 2010

Um Adeus de Uma Morte Anunciada

10 de Fevereiro de 1999

Quando olho para ti impávida e serena, aí, nessa fotografia, penso como é possível terem passado três anos e meio… já não falo de ti… quase a ninguém. Apenas existes dentro de mim, na minha memória, alma, ser o que seja… de vez quando…

Não posso crer que tenhas sido parte da minha vida e que já não o sejas. Que tenhas sido parte da casca de laranja e que de repente alguém a tenha tentado descascar e arrancado um pedaço da casca… nunca imaginei o meu mundo sem ti lá. Muito menos imaginei, me passou pela cabeça, ser capaz de rir, sorrir, lutar e viver sem ti no meu mundo!

Que andamos nós cá a fazer? O que é que fica impresso cá de cada um de nós?

Meu Deus! Que nos aconteceu? Que caminhos percorremos que nos afastaram e nos perdemos uns dos outros?

Hoje já não conheço a Y e o Z e pior não me conheço a mim própria… morri quando tu morreste. A principio um pouco, mas à medida que o tempo passa sei que morro um pouco mais. E a força ténue e leve que vou tendo surge de Deus com certeza e daqueles seres maravilhosos que Ele me deu: os meus filhos!

Estão o máximo sis, não sei se os ias apreciar, a Y não o faz… não sei sis.

Acreditava sem sombra de dúvida que éramos diferentes, algures no passado… que existíamos por alguma razão válida, ou algo semelhante. Agora? Acredito que existimos, é um facto.

Aquela chama que me inflamava, que me dava força, me fazia seguir em frente, contra tudo e contra todos, acreditando, acreditando, extinguiu-se. E eu não sei que fazer… sinto-me perdida… só. Tão Só sis! No entanto sei que não estou. Nem na dor (e ela é tão intensa, tão profunda… nada me a alivia), nem na confusão, na dúvida e na solidão.

No entanto preciso de fazer de conta. Se calhar isto é apenas um jogo de faz-de-conta (já sabemos que o mundo é um palco e nós somos os actores), que achas?

Os miúdos precisam de mim viva, alegre, cheia de força e crente! Fazemos de conta por eles. Por eles fazemos tudo, sabes? Não sei por quanto tempo mais, mas vamos deixando rolar.

Tu tinhas medo de viver não era sis? Medo de viver, de ser feliz e tudo acabar? Assim foi mais fácil. Acabaste sem surpresas, sem felicidade, sem gozo, sem decepções, apenas um vazio… um vazio que vai roendo cá dentro, não é? E só…

E eu sis? Era suposto proteger-te, mas não. Não te protegi, nem fui tua amiga, não fui nada…

Perdoa-me se fores capaz, eu não consigo!



«The reasonable man adapts himself to the world;
the unreasonable one persists in traying to adapt
the world to himself.»

Anónimo



I am the unreasonable no matter what, and no matter why....
The world are us, each one, so...